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*Comunicação SEESP

As operações da Barragem Casa de Pedra (BCP), que pertence à mineradora CSN em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, foram interditadas pelo Ministério do Trabalho. O termo foi emitido na quarta-feira (11/10) mas os trabalhos não foram suspensos, conforme informação veiculada pela imprensa.


Foto: Dam Projetos de Engenharia
barragem casa de pedra home

“Fica determinada a Interdição das atividades de operação da barragem Casa de Pedra e de execução de obras de drenagem e de bermas de reforço executadas junto às ombreiras do digue de sela, em razão da constatação da situação de grave e iminente risco (…), diz o termo, assinado por dois auditores fiscais do trabalho ligados à Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais.

O documento alega que na inspeção realizada em 26 de setembro, na barragem de rejeitos da mina, que fica na zona rural de Congonhas, e após análise documental, foi constada a existência de “risco grave e iminente”, podendo causar acidentes graves com os trabalhadores que participam da operação da barragem, e também com os que atuam nas “obras de drenagem e de bermas de reforço executadas junto às ombreiras do dique de sela”.

Homens do corpo de bombeiros estiveram na barragem, em agosto, para averiguar denúncia de um possível deslizamento de terra informado ao órgão pela população que vive a jusante da estrutura, que passa por obras. As obras no local são de drenagem, para controle de águas, e de terraplenagem, para recomposição e proteção do terreno contra processos erosivos. Na época, a constatação foi de que a obra era regular.

O Ministério Público cita que “apesar da divergência entre números e de acordo com o apurado pela Auditoria Fiscal do Trabalho” em setembro, a Barragem Casa de Pedra “já atingiu seu limite de armazenamento seguro”.

A CSN disse, por meio de nota divulgada no sábado (14), que prestou os esclarecimentos solicitados pelo Ministério do Trablho e que as atividades na barragem ocorrem normalmente:

"A CSN Mineração esclarece que as obras no dique de sela da barragem Casa de Pedra, em Congonhas, e as operações da mineradora continuam sem interrupção. As solicitações do Ministério do Trabalho foram atendidas e esclarecidas, reafirmando a estabilidade garantida e fiscalizada pelo DNPM, Ministério Público de Minas Gerais e órgãos ambientais. A Companhia reitera não há risco para os trabalhadores e moradores do município. A empresa continuará a prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades e órgãos competentes."

A mineradora tem 10 dias para recorrer da interdição e poderá solicitar a suspensão da mesma desde que sejam adotadas medidas de segurança impostas pelo Ministério do Trabalho, como instalação de sirenes próximas das comunidades que residem nas imediações da barragem, sinalização de rotas de fuga e de pontos de encontro, além da realização de simulação de emergência com a população de Congonhas e Jeceaba. Outra exigência é a “elaboração de um novo relatório técnico que comprove a establidade da BCP após o término das obras, inclusive quanto à liquefação estática e dinâmica”.

*Com agências






Da Assessoria de Imprensa da Vale

Estudantes de nível superior e técnico de cinco estados do Brasil terão a oportunidade de se inscrever a partir do dia 28 para um dos maiores programas de estágio do Brasil. A Vale está abrindo 458 vagas para estagiários em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará, Espírito Santo e Maranhão. As inscrições poderão ser feitas até 16 de outubro próximo pelo site www.vale.com/estagio2018.

Foto: Agência Vale
Bernardo Couto Salgado, estagiário na área de Gestão de Ferrosos, é orientado pela analista Francely Carvalho, em Nova Lima (MG).


Podem se candidatar ao Programa de Estágio alunos de nível superior que estejam nos três últimos anos de curso, ou seja, com formatura prevista entre dezembro de 2018 e dezembro de 2020.

Para os candidatos de nível técnico, a exigência é que tenham formatura prevista até dezembro de 2019 ou que sejam formados na parte teórica, desde que não tenham cumprido a carga horária de estágio obrigatório e ainda estejam matriculados na instituição de ensino.

Serão aceitas inscrições para universitários de vários cursos, entre eles Engenharia, Administração de Empresas, Economia, Ciências Contábeis e Ciências da Computação. Também terão a oportunidade de se inscrever estudantes de nível técnico de mais de 20 cursos, como Mecânica, Eletrotécnica, Eletromecânica, Mineração e Segurança do Trabalho. A lista completa de cursos de nível técnico está disponível no site.

O processo seletivo é composto de uma etapa de inscrição no site, prova online, uma dinâmica presencial e um painel de entrevistas.

Benefícios
Os selecionados iniciarão o estágio a partir de fevereiro de 2018 e receberão bolsa-auxílio mensal de até R$ 1.118 (os valores variam dependendo do curso, técnico ou superior, e da carga horária), assistência médica e seguro de vida. Nas unidades onde a empresa não oferece transporte e restaurante, os estagiários também receberão vale-transporte e vale-refeição. A carga horária do estágio varia entre quatro e seis horas, dependendo das atividades a serem desenvolvidas.



A empresa Vale está com projeto em andamento que aumentará a produção do complexo minerário na região da Serra dos Carajás (PA): é o S11D, cujo início operacional está previsto para o segundo semestre de 2016. Para tanto, informa a assessoria de comunicação da companhia, a mineradora está contratando vários profissionais da área tecnológica, entre eles engenheiros, com 180 vagas já sendo preenchidas e mais 210 em fase de captação. À categoria, são 90 oportunidades deste ano até 2019, a maioria para as áreas de mecânica, elétrica, automação e minas. Há também vagas para as especialidades de segurança do trabalho e meio ambiente.


Foto: Salviano Machado/Vale
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Vale está contratando engenheiros para o projeto S11D, empreendimento com 71%
de suas obras físicas finalizadas e que entrará em operação ainda este ano
 

A mineradora contabiliza, nos últimos dez anos, a admissão de aproximadamente 3.600 profissionais da área. Esse público, como assegura a empresa, é alvo de muitas iniciativas de educação continuada, com investimentos em diversos programas de pós-graduação, tais como especializações em planejamento de lavra, em transportes ferroviários, mestrados em automação, em desenvolvimento de recursos naturais sustentáveis, dentre outros.
 

Perfil profissional
De forma geral, a empresa, explica sua assessoria, “busca pessoas interessadas em se desenvolver profissionalmente, que gostem de desafios, que queiram deixar um impacto positivo para as comunidades e o meio ambiente e cumpram estritamente os requisitos de saúde e segurança”.

Cadastre seu currículo para as vagas ao S11D.

 

 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP
Matéria publicada, originalmente, no Jornal do Engenheiro, nº 491, de maio de 2016

 

 

 

 

 

 

 

 

Duas barragens da mineradora Samarco Mineradora S.A., joint venture da Vale S.A (50%) e da BHP Billiton Brasil Ltda (50%), e também recebedora de rejeitos de outras minas da Vale S.A na região, dentre as quais a mina de Alegria, se romperam no estado de Minas Gerais, no distrito de Bento Rodrigues, entre as cidades de Mariana e Ouro Preto, no dia 5 de novembro último.



 

O Distrito encontra-se completamente soterrado por lama tóxica, sendo o acesso ao local apenas possível por helicóptero. Há inúmeros desabrigados e até o momento foram contabilizados ao menos 16 mortos, 45 desaparecidos e inúmeros soterrados.  A situação no local continua muito grave e há riscos de novos desmoronamentos. Inicialmente, somente o distrito de Bento Rodrigues havia sido afetado, mas a enxurrada de rejeitos segue atingindo outros distritos e municípios, tendo chegado a 60 km do local.

O rompimento de uma barragem de rejeitos – estrutura que tem a finalidade de reter os resíduos sólidos, que possuem elevado grau de toxicidade e água dos processos de beneficiamento de minério – não se dá de forma aleatória e não é uma novidade nem para o estado de Minas Gerais nem para o setor minerário. A gravidade do caso exige severa investigação sobre o ocorrido, rigorosa responsabilização dos culpados e reparação integral e indenização a todos os afetados e afetadas.

O que ocorreu foi um crime. Os órgãos fiscalizadores e as empresas têm total responsabilidade sobre a tragédia ocorrida. A quantidade de rejeitos prova que as empresas tinham ultrapassado, e muito, a capacidade da barragem. O laudo técnico realizado pelo Instituto Prístino, a pedido do Ministério Público durante o licenciamento do projeto, já identificava problemas, tais como: a barragem do Fundão e a pilha de estéril União da Mina de Fábrica Nova da Vale fazem limite entre si, caracterizando sobreposição de áreas de influência direta, com sinergia de impacto; a condicionante de monitoramento geotécnico e estrutural dos diques e da barragem deveria ser realizada periodicamente, com intervalo inferior a um ano, indicando risco de acidentes. Esses dois pontos já anunciavam a tragédia e comprovam a política cruel da Samarco, Vale S.A. e dos órgãos responsáveis pela licença do projeto.

A Vale S.A. é uma empresa amplamente conhecia por movimentos sociais, comunidades, sindicatos, acadêmicos, organizações não governamentais e demais segmentos sociais, por seu constante desprezo aos direitos socioambientais. O que mais esta tragédia nos evidencia é o desrespeito a questões fundamentais, como a segurança, tanto dos seus trabalhadores, quanto das comunidades próximas, frente a crescente intensidade da extração mineral e a busca desenfreada pelo lucro das grandes mineradoras.

Novo Código Mineral
No momento atual, em que está em jogo a aprovação de um Novo Código Mineral para o País, que permitirá o avanço ainda maior da mineração em território nacional, deve-se considerar as chances reais do crescimento em escala e números do cenário de mortes, desrespeito de direitos, apropriação ilegal de terras, contaminação de mananciais de água e tragédias como a ocorrida ontem.

A tragédia do dia 5 mais uma vez nos alerta para o constante impacto socioambiental da mineração. Esse desastre pede de forma urgente um debate público sobre a mineração em grande escala no país e os mecanismos de responsabilização das empresas. A política das mineradoras para com os trabalhadores e as comunidades é a mais perversa possível. Essas empresas lucram bilhões todos os anos e investem muito pouco em segurança, nos trabalhadores e nas cidades.

Várias são as denúncias de irregularidades na construção e ampliação de barragens de rejeitos, citando-se a título de exemplo as irregularidades estruturais nas obras que envolvem a barragem da mina Casa de Pedra em Congonhas/MG, da Companhia Siderúrgica Nacional, bem como as ilegalidades no processo de outorga referente à construção da barragem de rejeitos do sistema Minas-Rio, a ser instalada entre os municipios de Alvorada de Minas e Conceição do Mato Dentro, de responsabilidade da mineradora Anglo American.

Para nós da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A. o que ocorreu no distrito de Bento Rodrigues não é um caso isolado e sim mais uma tragédia do setor. Grandes empresas como a Vale S.A. possuem a prática de terceirizar suas operações ou criar joint-ventures escondendo seu nome e omitindo compromissos e responsabilidades. Não podemos deixar que os responsáveis pela tragédia saiam impunes.

Exigimos investigação e punição cível, ambiental e criminal das empresas Samarco, Vale S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda, responsabilizando-se, também, seus dirigentes de forma pessoal, além de reparação integral e indenização à população de Bento Rodrigues.


 

Fonte: Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A.









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