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A importância e a representatividade da cadeia do agronegócio na economia brasileira e o aproveitamento do seu potencial a partir da engenharia estarão em debate no seminário “Inovação, segurança alimentar e logística”, que será realizado no dia 4 de agosto próximo, no auditório do SEESP, na capital paulista (Rua Genebra, 25, Bela Vista). O evento é uma realização da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), juntamente com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com o apoio do sindicato, do Instituto de Inovação e Tecnologia (Isitec) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais (CNTU).

A economia brasileira cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano frente ao quarto trimestre de 2016 graças à expansão de 13,4% do agronegócio, conforme dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o setor industrial teve ligeira alta de 0,9%, enquanto o setor serviço não registrou expansão.

O seminário abordará o universo tecnológico mobilizado pela cadeia produtiva de alimentos no Brasil e dará evidência à expansão do agronegócio e seu peso nos negócios. Também colocará em discussão as formas de se empregar a engenharia para tornar as atividades do agronegócio ainda mais competitivas.

Entre os temas a serem analisados estão infraestrutura para as atividades da agropecuária, logística de distribuição de alimentos e processamento e industrialização de alimentos para diferentes mercados. Os debates serão feitos a partir da análise dos temas “produção e cadeia de valor” e “ tecnologia na produção de alimentos”. Simultaneamente, os debatedores vão avaliar como as atividades que tornam o agronegócio bem-sucedido podem ser multiplicadas gerando oportunidades de novos negócios e trabalho.

Confira abaixo a programação do seminário e os especialistas que participam dos debates.

9h - Sessão de abertura

10h30 - Mesa-redonda "Produção e cadeia de valor"
Participantes
Paulo E. Cruvinel - Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA)
Luiz Antonio Pinazza - Consultor e consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
Coordenador:
Daniel Antônio Salati Marcondes - Vice-presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e professor aposentado da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

12h15 - Intervalo para o almoço

14h - Mesa-redonda "Tecnologia na produção de alimentos"
Participantes
Luís Fernando Ceribelli Madi - Diretor técnico de Departamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital)
Thiago Guilherme Péra - Coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão Agroindustrial de Logística da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP)
Coordenador:
Orlando Melode Castro - Coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta)

16h30 - Encerramento

 

Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

 A importância e a representatividade do agronegócio na economia brasileira e o aproveitamento do seu potencial a partir da engenharia estarão em debate no seminário “Inovação, segurança alimentar e logística”, que será realizado no dia 4 de agosto, no auditório do SEESP, na capital paulista (Rua Genebra, 25, Bela Vista).

O seminário é uma realização da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), juntamente com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com o apoio do sindicato, Instituto de Inovação e Tecnologia (Isitec) e Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais (CNTU).

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano frente ao quarto trimestre de 2016 graças à expansão de 13,4% do agronegócio. No período, o setor industrial teve ligeira alta de 0,9%, enquanto o setor serviço não registrou expansão.

O seminário “Inovação, segurança alimentar e logística” abordará o universo tecnológico mobilizado pela cadeia produtiva de alimentos no Brasil e dará evidência ao crescimento do agronegócio e a seu peso nos negócios. Também debaterá as formas de se empregar a engenharia para tornar as atividades do agronegócio ainda mais competitivas.

Entre os temas a serem analisados estão infraestrutura para as atividades da agropecuária, logística de distribuição de alimentos e processamento e industrialização de alimentos para diferentes mercados. Os debates serão feitos a partir da análise dos temas “produção e cadeia de valor” e “ tecnologia na produção de alimentos”.

Simultaneamente, os debatedores vão avaliar como as atividades que tornam o agronegócio bem-sucedido podem ser multiplicadas gerando oportunidades de novos negócios e trabalho.

Programação

9h - Sessão de abertura

10h30 - Mesa-redonda "Produção e cadeia de valor"
Participantes
Paulo E. Cruvinel - Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA)
Luiz Antonio Pinazza - Consultor e consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
Coordenador:
Daniel Antônio Salati Marcondes - Vice-presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e professor aposentado da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

12h15 - Intervalo para o almoço

14h - Mesa-redonda "Tecnologia na produção de alimentos"
Participantes
Luís Fernando Ceribelli Madi - Diretor técnico de Departamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital)
Thiago Guilherme Péra - Coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão Agroindustrial de Logística da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP)
Coordenador:
Orlando Melode Castro - Coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta)

16h30 - Encerramento

 

Comunicação SEESP

 

 

 

 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e parceiros criaram, no dia 13 de abril último, em Manaus (AM), uma rede internacional de pesquisadores, representantes de governos e organizações para promover a segurança alimentar em países em desenvolvimento e reforçar o compromisso global com a nutrição. O evento foi organizado pelos ministérios das Relações Exteriores e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pela Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp), além da FAO.

A Rede Global de Institutos de Pesquisa, Ensino e Extensão em Segurança Alimentar e Nutricional tem como objetivo desenvolver ações voltadas para a agricultura familiar e a soberania alimentar em países em desenvolvimento.

A expectativa é que a rede estimule o compartilhamento e a disseminação do conhecimento científico, técnico e tecnológico em segurança alimentar e nutricional e as políticas públicas desenvolvidas em diversos países.

Durante o encontro de lançamento, o coordenador-geral de Ações Humanitárias e Combate à Fome do Ministério das Relações Exteriores, Milton Rondó, explicou que a rede atende ao direito à informação científica e empírica sobre segurança alimentar e nutricional.

O vice-diretor do Centro de Excelência contra a Fome, Peter Rodrigues, abordou a importância da cooperação entre países para que o mundo alcance o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2, que trata do combate à fome e à desnutrição.

“O mundo produz comida suficiente para alimentar toda a população, o que falta é termos nutrição adequada para todos”, afirmou Rodrigues. “O Centro de Excelência conseguiu compartilhar as melhores práticas brasileiras na área de segurança alimentar e nutricional com 38 países em quatro anos. Este grupo de pesquisadores pode certamente alcançar mais de 200 países no mundo”, completou.

A rede fez parte da iniciativa Nutrição para o Crescimento, lançada em 2013, no Reino Unido, como resultado de processo de engajamento político iniciado nas Olimpíadas de Londres em 2012 e que prossegue durante as Olimpíadas do Rio.

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação e Imprensa, com informações das Nações Unidas

 

 

 

 

 

 

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) firmou convênio com o Instituto de Biociências de Botucatu (IBB) que trata da criação de um Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional como espaço de Interlocução de Instituição de Pesquisa com a sociedade.


Foto: Portal do Agronegócio
Seguranca alimentar 
Imagem ilustrativa
 

Maria Rita Marques de Oliveira, professora do IBB e diretora técnica do Programa de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), diz que a parceria dará continuidade a ações de extensão, apoiando o MCTI nas atividades voltadas à soberania e segurança alimentar e nutricional na América Latina, África e vários estados brasileiros. “O centro envolverá também a pesquisa e o ensino com a participação de docentes de toda a da Unesp [Universidade Estadual Paulista]", informa.

 

Edição Rosângela Ribeiro Gil
Com informação da Unesp Agência de Notícias (UnAN)








Nesta edição do Jornal do Engenheiro na TV, veiculada em diversos canais da TV a cabo, a entrevista é com a engenheira agrônoma Marly Terezinha Pereira, professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), sobre o tema agricultura familiar. Na seção no Ponto, o presidente do SEESP, Murilo Pinheiro, fala sobre o projeto ‘Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento’ com um novo desafio que desponta no cenário nacional: o da desindustrialização. 


Imagem: reprodução
JE na TV entrevista com engenheira marly
Engenheira agrônoma Marly Terezinha aborda os problemas do campo,
como uso excessivo de agrotóxico



De acordo com a engenheira, o Pronaf foi a primeira política pública criada nos anos 1990 e ainda é o carro-chefe da agricultura familiar. Com relação às técnicas adotadas na lavoura, a especialista ressalta que, independente da escolha do produto, seja a agroecologia, seja a agricultura que faz uso de defensivos agrícolas, é fudamental a supervisão de um técnico responsável e preparado. Ela também lembrou que o agrotóxico além de interferir na segurança alimentar, incide diretamente sobre os trabalhadores que atuam diretamente com essas substâncias. "Gostaria de lembrar tambpém o numero de mortes e problemas que temos com o pessoal que manuseia esse tipo de produto", lembra.


Reportagem da semana
A reportagem aborda a atuação do Ministério do Trabalho no combate ao trabalho escravo. No ranking mundial, o País está na posição 94 e contabiliza cerca de 200 mil pessoas vítimas do trabalho forçado.

Confira o JE na TV que é exibido às segundas-feiras, às 19h30, na Capital paulista, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital) ou pela internet  no mesmo dia e horário. O programa é transmitido para mais 40 municípios paulistas e de outros estados conforme grade variada, confira aqui.


Assista ao programa completo:






Deborah Moreira
Imprensa SEESP

 

 





A prefeitura de São Paulo vai implantar na cidade, nos próximos meses, uma política municipal de segurança alimentar, que terá objetivo de fortalecer a produção de alimentos de qualidade nas áreas rurais e possibilitar que cheguem a preços baixos para os consumidores.

 

Foto: Rede Brasil Atual
seguranca alimentar em SP foto Rede Brasil Atual
Biodinâmica: técnica usada para o cultivo de orgânicos que prevê a interação dos alimentos plantados com animais


A política prevê, ainda, a criação de interpostos de venda, aulas sobre alimentação saudável nas escolas, implantação de centros de referência em saúde alimentar e criação de bancos de alimentos. Atualmente, existe apenas um na cidade, localizado na Vila Maria, na zona norte. No ano passado, foram entregues 700 toneladas de alimentos para 270 instituições que atendem 44.987 famílias em vulnerabilidade social. A ideia é que, até o final de 2014, o banco passe a funcionar também como o primeiro centro de referência em saúde alimentar municipal.

O pontapé inicial da política de segurança alimentar já foi dado, no último dia 26: o prefeito Fernando Haddad transferiu o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comusan-SP) da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras para a Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo, que ficará responsável pela iniciativa.

“É um conjunto de medidas que vai fortalecer nossa segurança alimentar e, ao mesmo tempo, o empreendedorismo, o cooperativismo, a economia solidária, os pequenos produtores de alimentos orgânicos, os feirantes e as próprias feiras livres. Serão espaços de socialização e as pessoas poderão comprar alimentos de qualidade”, afirma o titular da pasta, Arthur Henrique.

O Conselho, hoje, conta com a participação de representantes do governo municipal e de produtores da agricultura familiar de São Paulo. A ideia, agora, é que ele tenha mais representantes da sociedade civil e de sindicatos da agricultura, incluindo cidades do entorno. “Queremos dar outro caráter ao conselho e fortalecê-lo para criar na cidade uma política de segurança alimentar, que envolve a agricultura familiar e a criação de um sistema de logística que possa distribuir produtos de forma mais rápida e barata”, diz Henrique.

Para facilitar a circulação de alimentos, a política prevê a criação de interpostos de venda de produtos. Assim, os produtores rurais paulistanos, que, na maioria, ficam nos extremos das zonas sul e leste da cidade, não precisarão mais transportar toda a produção até regiões centrais e conseguirão vender mais próximos do local de produção, para a população do entorno.

“Isso diminui o preço porque você faz uma venda direta do produtor com o consumidor, sem passar pelo intermediário”, comenta o secretário. “Estamos falando de garantir que os alimentos de melhor qualidade não sejam comprados apenas em supermercados, como acontece hoje. Os agricultores familiares poderão dar outra alternativa para a população comprar comida de boa qualidade, mais barata e direto do produtor”, garante Arthur Henrique.

A secretaria realiza o cadastramento dos agricultores familiares de São Paulo. Apesar de a cidade ser caracterizada como um local predominantemente urbano, pelo menos 400 pessoas trabalham com agricultura familiar, a maioria no distrito de Parelheiros, na zona sul, onde funciona a Cooperativa de Agricultura Orgânica de Parelheiros (Cooperapas).

O novo Plano Diretor da Cidade, aprovado no último dia 30, voltou a reconhecer as áreas rurais de São Paulo, que não haviam sido contempladas no plano anterior, de 2002. Isso impedia que os produtores rurais obtivessem certificação e pudessem participar de programas federais de segurança alimentar. O novo documento assegura a necessidade de “promover o desenvolvimento sustentável da zona rural com o apoio à agricultura familiar, em especial orgânica e ao turismo sustentável, de base comunitária.”

Um dos cooperados é Ernesto Oyama, que tem uma propriedade de um hectare e meio em Parelheiros, em que cultiva, com a ajuda do pai e da mãe, de 83 e 73 anos, respectivamente. A área é dividia entre as plantações de orgânicos, como couve, brócolis, cebola, mostarda, alface e rúcula, e do cultivo de agro-floresta, uma técnica que permite apenas a extração de frutos em áreas com vegetação nativa preservada.

O principal ponto de comercialização de Oyama é na Feira de Produtos Orgânicos do Ibirapuera, que ocorre todos os sábados, no Melódromo do Parque do Ibirapuera, na zona sul. “Já tentamos vender na feira em Parelheiros, mas as pessoas por aqui não conhecem ainda a proposta dos produtos orgânicos e como eles são cerca de 30% mais caros que os convencionais acabavam não tendo muita saída”, conta Oyama. “Além de eles serem de melhor qualidade, conseguimos manter o mesmo preço o ano todo. Cobro, em um pé de alface, R$ 2, em qualquer mês.”

A cada sábado, Oyama tem um ganho médio de R$ 1.500 com a venda de orgânicos no Ibirapuera. A feira deixará de funcionar no Melódromo a partir da segunda quinzena de agosto e ainda não está definido um novo local, segundo a Secretaria de Trabalho. A possibilidade é que ela seja transferida para o Parque das Bicicletas, em Moema, também na zona sul. Segundo o órgão, não existe a possibilidade de a feira deixar de funcionar.

A família de Oyama vive da agricultura familiar em São Paulo há gerações, contabilizando mais de 100 anos de dedicação ao cultivo de alimentos em Parelheiros. A produção de orgânicos, no entanto, é uma novidade, iniciada em 2007, quando ele regressou do Japão, onde viveu por dez anos. A partir daí, iniciou uma série de estudos e cursos para garantir uma produção de qualidade completamente livre de agrotóxicos e insumos químicos.

“Nós sempre deixamos o mato próximo das verduras e legumes que plantamos. Não tiramos porque mantém a umidade do solo”, explica. “Também usamos a técnica chamada de consórcio, na qual plantamos próximas dois tipos diferentes de hortaliças, que se ajudam na troca de nutrientes.”

A técnica usada para o cultivo de orgânicos é chamada de biodinâmica, que prevê a interação dos alimentos plantados com animais, como explica Oyama. Como se trata de uma área de mananciais, não é possível criar animais domésticos, a exemplo de vacas, cavalos e galinhas, que podem poluir as nascentes com dejetos. A interação fica com animais silvestres, que visitam a propriedade rural na maior cidade do país: bugios, lebres, cervos e pacas.

“Se temos uma lagarta atacando uma cultura, nós tentamos recolher uma que já tenha morrido, separar o fungo que a matou e espalhá-lo nos demais pés, para que as outras também morram. Não usamos nenhum tipo de química nesse processo. Por isso, os alimentos orgânicos são mais saudáveis. Se mais pessoas tiverem acesso a eles, será bom para todos”, conclui.

Fonte: Rede Brasil Atual






O importante papel da agricultura familiar na segurança alimentar, proteção do meio ambiente e no alívio da fome e da pobreza, entre outros fatores, é o destaque do Ano Internacional da Agricultura Familiar – 2014. A qualidade dos alimentos produzidos pelo setor é um dos motivos de a maioria do consumo na mesa do brasileiro vir da agricultura familiar.

 

Foto: Andrea Farias/MDA
Agricultura familiar MDAAlimentos da agricultura familiar mostram peculiaridades regionais 


Na Região Sudeste, por exemplo, produtos nativos como a mandioca e o milho estão presentes em vários pratos típicos da população local. De acordo com o Censo Agropecuário de 2006 a agricultura familiar é responsável por 87% da produção nacional de mandioca e 46% do milho. Em Minas Gerais, a participação da agricultura familiar na produção de mandioca é de 84% e de 47% na produção de milho.

De acordo com o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Valter Bianchini, cada região tem sua particularidade na agricultura familiar e é importante preservar a cultura local. “É uma agricultura de famílias que vivem de geração em geração na terra. Assim, há uma relação cultural, de parentesco e de conhecimento muito importantes. Preservá-la é preservar uma boa parte da cultura rural de cada região”, destaca.

Outra produção forte em Minas Gerais é o leite de vaca, cuja participação da agricultura familiar é responsável por 58% da produção no estado. O ex-boia-fria, hoje agricultor familiar Ronaldo dos Santos aumentou em seis vezes sua renda depois de ser assentado em Minas Gerais. Morador do Projeto de Assentamento de Divisa, em Ituiutaba (MG), localizada a 683 quilômetros de Belo Horizonte, ele produz leite desde 1999.

Ronaldo conta que trabalhou 25 anos como meeiro, na terra de outros, e como boia-fria. Hoje, o agricultor chega a ganhar por mês mais de R$ 3 mil líquido com a produção do rebanho de 60 cabeças de gado leiteiro. “Agora eu tenho a minha terra, tenho 33 hectares pra poder criar meu gado”, diz.

Casado com a também agricultora Janete Santana, 47 anos, ele tem as duas filhas cursando matemática e química na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ronaldo produz 350 litros de leite por dia. Organizado com mais 25 assentados produtores de leite, ele consegue vender o litro por R$ 1,20 para uma empresa de laticínios, conseguindo 10 centavos a mais do preço de mercado. “Uma das maiores ajudas que tive para melhorar minha vida foi o Pronaf. Contratei duas vezes para poder aumentar meu rebanho”, ressalta.


 

Imprensa SEESP
Fonte: MDA








Com políticas públicas adequadas e investimento em novas tecnologias que permitam explorar melhor a biomassa, a produção de biocombustíveis pode fortalecer tanto o desenvolvimento econômico como a segurança alimentar e energética – principalmente em países da América Latina e da África.

A avaliação foi feita pelo professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Luís Augusto Barbosa Cortez e pelo professor do Imperial College London Jeremy Woods em um painel sobre biocombustíveis realizado no dia 27 último, durante a programação da FAPESP Week London.

“Faço essa afirmação com base na experiência do Brasil. A razão para o sucesso do modelo brasileiro, que combina produção de açúcar e de etanol, foi principalmente a relação dinâmica entre os setores de pesquisa e produtivos”, afirmou Cortez.

Embora possa parecer aos olhos estrangeiros que os brasileiros vivem cercados de cana por toda parte, disse Cortez, a verdade é que as plantações dedicadas à produção de etanol ocupam apenas 0,4% do território do país e nunca representaram uma ameaça à produção de alimentos.

“Na década de 1970, o Brasil importava 80% da gasolina que consumia. O Proálcool [Programa Nacional do Álcool], além de ajudar a conquistar a independência energética, contribuiu para a industrialização da agricultura brasileira. Foram transferidos para o setor toda uma capacidade de engenharia e de cálculo dos custos de produção e todo um conhecimento sobre máquinas. Hoje 40% das exportações do país correspondem a produtos agrícolas”, disse Cortez.

Na avaliação do cientista, vários países africanos e latino-americanos – por possuírem grandes quantidades de terras disponíveis para a produção de biocombustíveis – poderiam se beneficiar com o modelo brasileiro e aliviar sua dependência energética.

Com esse objetivo e apoio da FAPESP, foi iniciado em 2013 o projeto Bioenergy Contribution of Latin America & Caribbean and Africa to the Global Sustainable Bioenergy Project (LACAF-cana), cuja meta é analisar as possibilidades de produção de etanol de cana em quatro países: Colômbia, Guatemala, Moçambique e África do Sul.

“Nosso primeiro passo será fazer um diagnóstico da atual situação agrícola desses países. Em seguida, faremos um levantamento do potencial de produção e discutiremos qual é o modelo mais adequado para cada lugar. Não necessariamente será um modelo igual ao brasileiro”, contou Cortez.

Em uma segunda etapa do projeto, serão avaliadas questões ambientais, como potencial ameaça à biodiversidade e aos recursos hídricos. Numa terceira parte, questões socioeconômicas, contou Cortez.

A iniciativa, acrescentou, é uma contribuição brasileira ao projeto Global Sustainable Bionergy (GSB), coordenado pelo professor do Dartmouth College (Estados Unidos) Lee Lynd, que tem como meta incentivar o desenvolvimento sustentável dos biocombustíveis e analisar as possibilidades de substituir 25% da energia usada hoje no planeta por bioenergia.

“Em um estudo prévio identificamos potenciais áreas para expandir a plantação de cana no Brasil. Sem tocar na Amazônia, vimos que há 360 milhões de hectares disponíveis. Hoje temos 9 milhões plantados. Mas o governo federal pediu um zoneamento para cultivo de cana, chegamos então a 60 milhões de hectares. Concluímos que, se apenas 25 milhões de hectares adicionais fossem plantados no Brasil, o país sozinho poderia suprir o equivalente a 10% do consumo mundial de gasolina”, contou Cortez.

Amigo ou inimigo

Em sua apresentação, Jeremy Woods, que também colabora com o LACAF-cana, desconstruiu diversos argumentos usados pelos críticos da bioenergia, entre eles os da elevação do preço dos alimentos em razão do maior uso da terra para produção de biomassa, do aumento na pressão sobre a biodiversidade e sobre os recursos hídricos e do aumento nas emissões de gases estufa causados pelo desmatamento.

“No Brasil, por exemplo, é a expansão do cultivo de soja uma das maiores causas do desmatamento. E essa soja é usada principalmente na alimentação animal. Nos Estados Unidos também a maior parte do milho cultivado é usado na alimentação animal. O desmatamento, portanto, está mais associado ao nosso consumo de carne e de laticínio do que aos biocombustíveis”, avaliou.

De acordo com Woods, não há um consenso no meio científico sobre os impactos da bioenergia. “Não devemos pensar nisso como um problema e sim buscar uma solução para integrar a produção de alimentos e de bioenergia. Se feita da forma adequada, a produção de biocombustíveis pode ser facilitador da segurança alimentar”, disse.

Woods citou como exemplo o caso de Zâmbia, que em 2012 produziu 1,5 milhão de toneladas de milho excedente. Com capacidade de exportar apenas 70 mil toneladas por mês, o país africano perdeu a maior parte de sua produção. “Se houvesse um sistema integrado, as sobras poderiam ser destinadas para a bioenergia”, opinou.

Segundo Woods, ninguém ainda sabe ao certo como ampliar a oferta de biomassa sem causar grandes impactos ambientais nem ameaçar a segurança alimentar, mas a solução certamente deverá combinar quatro fatores: aumento da área de terra plantada, aumento da produtividade, melhor exploração do que hoje é considerado lixo, como a palha e o bagaço da cana, e aumento da eficiência, com a produção do etanol lignocelulósico e fracionamento da biomassa para obter subprodutos de alto valor agregado, como polímeros e químicos de interesse industrial.

“Os impactos indiretos são reais, mas contornáveis e é preciso enxergá-los sob uma diferente perspectiva. Essa mudança de perspectiva é essencial para que possamos ter políticas públicas adequadas que permitam o manejo integrado da terra”, disse.

Também participou do painel de biocombustíveis a professora da Universidade de São Paulo (USP) Siu Mui Tsai, que desenvolve um projeto apoiado pela FAPESP cujo objetivo é avaliar como o cultivo para a produção de biocombustíveis impacta a qualidade de solo, considerando não apenas a composição físico-química da terra como também a microbiota.

“Tentamos comparar um ambiente não perturbado com um perturbado e buscar métodos para manter a longo prazo a sustentabilidade do setor agrícola, seja por meio de manejos integrados ou sistemas de cultivo com palha, por exemplo”, afirmou.


Fonte: Agência Fapesp




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