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Da FNE

Nesta segunda-feira (2), a diretora regional Sudeste da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Clarice Soraggi, representará a entidade no lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional no Rio de Janeiro, com o lançamento de um manifesto sobre a questão. O propósito da iniciativa é debater e combater a política de desmonte do Estado que vem sendo promovida pelo governo de Michel Temer. A frente nasceu no Congresso Nacional, reunindo senadores e deputados de diversos partidos. É presidida pelo senador Roberto Requião (PMDB/PR) e tem como secretário-geral o deputado Patrus Ananias (PT/MG). No Rio de Janeiro, o lançamento é impulsionado pelo Clube de Engenharia.

Os participantes querem promover ações em defesa da indústria nacional e da geração de empregos e barrar a venda de estatais brasileiras a companhias estrangeiras. Foram estabelecidos oito eixos de ação: a defesa da exploração eficiente de recursos naturais; a garantia de infraestrutura capaz de promover o desenvolvimento; o fortalecimento da agricultura nas exportações e na alimentação dos brasileiros; o estímulo ao crédito e ao capital produtivo nacional; a defesa do emprego e do salário; a garantia de um sistema tributário justo; a consolidação das Forças Armadas na defesa da soberania; e a manutenção de uma política externa independente.

Confira, a seguir, a íntegra do Manifesto pela Soberania Nacional:

1. O fundamento da democracia brasileira é a soberania, inscrito solenemente no artigo 1° da Constituição.

2. Este mesmo artigo primeiro estabelece solenemente que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente.

3. A soberania é o direito inalienável e a capacidade da sociedade brasileira de se organizar de acordo com sua história e características sociais para promover o desenvolvimento de todo o seu povo, de forma justa, próspera, democrática e fraterna.

4. Essa soberania não pode ser limitada por políticas ocasionais que a comprometam e que dificultem a autodeterminação do Brasil e sua capacidade de resistir a tentativas de interferência externa.

5. A renúncia a certos direitos invioláveis, tais como o direito de organizar seu Estado e sua sociedade de forma a promover o desenvolvimento, é inadmissível.

6. Assim, cabe ao Congresso Nacional, integrado por representantes eleitos pelo povo brasileiro, garantir a soberania, o desenvolvimento e a independência nacional.

7. A organização de uma Frente Parlamentar de Defesa da Soberania se justifica na medida em que estados subdesenvolvidos como o nosso enfrentam sempre a ação de estados mais poderosos para que reduzam sua soberania, enquanto esses estados defendem e preservam com todo o empenho sua própria soberania.

8. Os eixos principais de ação da Frente Parlamentar serão a defesa:

. da exploração eficiente dos recursos naturais, entre eles o petróleo, para a promoção do desenvolvimento;
. da construção de uma infraestrutura capaz de promover o desenvolvimento;
. da contribuição da agricultura para a alimentação do povo e as exportações;
. do capital produtivo nacional e de um sistema de crédito que tenha como objetivo seu fortalecimento;
. do emprego e do salário do trabalhador brasileiro;
. de um sistema tributário mais justo;
. de Forças Armadas capazes de defender nossa soberania;
. de uma política externa independente.

 

 

Nos últimos dez anos, os engenheiros do Rio Grande do Sul tiveram importante participação nas discussões e propostas para o desenvolvimento nacional que ajudaram a formatar o projeto "Cresce Brasil", lançado pela FNE em 2006. Agora, novamente são obrigados a se mobilizar para reverter uma situação de crise que impacta diretamente a profissão, e em particular a engenharia civil.

O reconhecimento do papel fundamental do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio Grande do Sul (Senge-RS) foi salientado pelo presidente da federação e do SEESP, Murilo Pinheiro, ao participar do 23° Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis (CBENC), que aconteceu de 19 a 21 de julho último, em Porto Alegre. A liderança, no ensejo, registrou a preocupação com as obras paradas no País e os exemplos no estado gaúcho. "No Rio Grande do Sul, há um estaleiro enorme com as obras paradas", apontou. "Precisamos retomar o papel da engenharia, atuando e participando ativamente das discussões da área tecnológica", exortou, lembrando que este tem sido um objetivo do movimento Engenharia Unida, lançado em 2016, a partir dos debates sobre a grave crise que se apresentava e que permanece.


Foto: Paula Bortolini
Murilo Pinheiro destaca papel da engenharia na retomada do crescimento do País em evento que reuniu engenheiros civis.

O Engenharia Unida cresceu a partir de um trabalho conjunto das entidades, conselhos, sindicatos, estudantes, dirigentes, "para debater e trazer propostas factíveis para saída da crise, voltar o protagonismo da engenharia, por mais oportunidades aos profissionais e cidadãos brasileiros".

A primeira saída, indicou Murilo, é cobrar a retomada das cinco mil obras paradas pelo governo federal. "Cada obra retomada traz desenvolvimento para o estado, para o local, gerando empregos, desenvolvimento industrial e social". Por estar em todas as áreas, "a engenharia civil é fundamental para retomada do crescimento."

Algumas estratégias são colocadas pela FNE e as entidades mobilizadas, entre elas a de não descuidar da formação e qualificação dos profissionais. "Temos a convicção de pensarmos na educação, crescimento e desenvolvimento, podemos contribuir para questões muito importantes para o País." Murilo citou as parcerias da federação e do SEESP com a Mútua Nacional e também com o Instituto Superior de Tecnologia (Isitec) - essa falculdade pioneira em Engenharia de Inovação mantida pelo sindicato paulista.

Outra posição importante, na atual conjuntura política, é o combate à corrupção, mas sem desmontar as empresas brasileiras. "A engenharia não pode ser pautada pela judicialização, sem a opinião técnica real da situação voltada à área tecnológica", advertiu. Portanto, participar fortemente do movimento Engenharia Unida é uma forma de ter voz na discussão sobre o País e os rumos da área. "Precisamos nos fazer ouvir! Ocupar o espaço destinado à área tecnológica, que hoje não está sendo feito", exortou.

Murilo observou que as entidades já estão atuando de forma conjunta no Congresso Nacional, com a criação e fortalecimento da Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, presidida pelo deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL), inserindo pautas do setor no Legislativo, que dizem respeito à área tecnológica, como o conteúdo local, a Lei 8.666, a criação da carreira de estado, entre outras.

 

Da Redação FNE
Com informações de Paula Bortolini
Comunicação SEESP

 

 

 

 

O Encontro Nacional da Engenharia Civil (Enec), promovido pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), que acontece de 12 de julho até dia 14 próximo, na capital paulista, tem o mérito de reunir lideranças, dirigentes dos Conselhos Regional de Engenharia e Agronomia (Creas), conselheiros federais e profissionais de todo o País para discutir a importância da área para o desenvolvimento do País. Essa, inclusive, foi a tônica do discurso do presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do SEESP, à abertura da atividade, que defendeu enfaticamente o protagonismo da engenharia brasileira para o crescimento sustentável do País. Nesse sentido, Murilo apontou como fundamental a retomada das mais de cinco mil obras paradas em todo o território nacional.


Fotos: Paula Bortolini
Murilo defende a retomada das obras paradas como uma das ações para aquecer o mercado de trabalho da engenharia.

Para fazer frente à difícil situação por que passa o Brasil, Murilo salientou, ainda, a importância do movimento Engenharia Unida como forma de reunir as diversas entidades ligadas à área no sentido de discutir e encaminhar propostas factíveis junto às representações institucionais, como governos e Legislativos.

Como observa o vice-presidente do SEESP, Celso Atienza, a engenharia civil é praticamente um “termômetro” da situação econômica de um país. “Por ser uma atividade preponderante ao desenvolvimento, ela é a primeira a sentir os reflexos de quando a economia não está bem. Mas, da mesma forma, ela reage rapidamente quando o cenário muda.” Por isso, Atienza endossa a defesa da retomada das obras paradas. E pontua: “A pior obra que existe é aquela que você não termina. Todos saem prejudicados, dos profissionais envolvidos diretamente com o serviço até a sociedade. A ação da FNE e dos nossos sindicatos é não apenas uma defesa corporativa de geração de empregos para o nosso profissional, também estamos vendo o lado da sociedade, que ganha com a obra totalmente realizada. Aí estamos falando de empreendimentos de infraestrutura, relacionados à mobilidade etc.”

Entre os temas em discussão no Enec estão a eficácia e eficiência na fiscalização do exercício profissional; o artigo 75 da Lei nº 5.194/66, da regulamentação da profissão; e a Resolução nº 1.091/2017, no tocante ao exercício da Engenharia Civil no Brasil – denúncias ético-disciplinares.

>> Confira toda a programação do evento aqui

 

Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Com informações de Paula Bortolini

 

 

 

 

 

O presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, defendeu nesta terça-feira (25/4), durante reunião da Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional na Câmara dos Deputados a realização de uma rigorosa discussão sobre a situação das obras paradas no País.

Na avaliação de Murilo, esses empreendimentos, estimados em 5 mil em todo o Brasil, são investimentos que foram iniciados e cuja interrupção provoca prejuízos à sociedade. “Acho fundamental que seja realizada uma discussão com bastante rigor para acompanharmos as obras paradas. Até porque, enquanto engenheiros, gostamos de resultados e gostaríamos de acompanhar esses projetos”, afirmou o presidente da FNE.


Foto: Edgar Marra
Flávio de Souza (Crea-DF), Daniel Salati (Confea), Lessa e Murilo.

A FNE é uma entidade que representa 500 mil engenheiros atuantes em todas as modalidades de engenharia e que tem entre pontos principais de sua agenda a retomada do desenvolvimento econômico e o aprimoramento da infraestrutura nacional. Nesse sentido, avalia ser fundamental concluir os projetos em andamento, o que beneficiaria a população de vários municípios e abriria frentes de trabalho atenuando o elevado nível de desemprego.

Reunião em maio
A partir da sugestão feita pelo dirigente da FNE, o presidente da Frente Parlamentar, deputado Ronaldo Lessa (PDT/AL), proporá reunião conjunta com a Comissão de Obras Paradas para tratar do tema a ser realizada em maio.

Segundo o deputado, a ideia é convidar órgãos e ministérios que possuam dados sobre a quantidade e as características desses empreendimentos. “Vamos buscar, nessas reuniões, os resultados mais produtivos possíveis, ou seja, a retomada dessas obras”, disse o deputado.

Informações preliminares de órgãos públicos indicam a existência de milhares de canteiros de obras de creches, postos de saúde, obras de saneamento e de fornecimento de água, e obras de infraestrutura de transporte.

Carreira de Estado e representação
Duas outras questões essenciais aos engenheiros também entraram na pauta da reunião da Frente Parlamentar desta terça. A primeira foi o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 13/2013 que cria a carreira de Estado para engenheiros, arquitetos e agrônomos em todos os níveis de governo (federal, estadual e municipal). A matéria está parada no Senado, aguardando votação de requerimento que possibilita sua aprovação em plenário. A outra é a proposta de alteração da Lei nº 5.194/1966 para instituir a composição federativa do plenário do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), assegurando a representação permanente de todos os estados e do Distrito Federal.  

 

Luciana Otoni
Assessoria de Imprensa FNE

 

 

 

 

 

O presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, que também está à frente do SEESP, foi o entrevistado do programa “Agenda Econômica”, da TV Senado, gravado em 8 de fevereiro e exibido domingo último (19/2). A liderança falou sobre a atuação da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, onde a federação tem atuação ativa nas discussões.

Uma das lutas da Frente é pela retomada das obras públicas paralisadas que, conforme contou Murilo, “é um caminho extremamente importante para a promoção de empregos” no País. Tal situação não acontece apenas no setor da construção civil, o presidente salientou a importante batalha contra a restrição de empresas brasileiras nas recentes licitações da Petrobras, que significa “redução da empregabilidade e oportunidade aos trabalhadores”, afirmou.

Murilo frisou também como importantes caminhos para o desenvolvimento nacional as iniciativas dos engenheiros no movimento “Engenharia Unida” e o projeto “Cresce Brasil +Engenharia +Desenvolvimento”.

Assista:

Bloco 1

 

Bloco 2

 

 

Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações da TV Senado

 

O presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), Murilo Pinheiro, e diversos dirigentes da entidade participam nesta quinta-feira (9/2) da segunda reunião da Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional. O encontro foi convocado pelo deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL), que encabeça a iniciativa. Serão tratados, no encontro, a situação da infraestrutura nacional após dois anos de recessão e a retração nos investimentos públicos e privados. Deve entrar na discussão também a definição de conteúdo local para a próxima rodada de licitações de blocos exploratórios de petróleo e gás natural, prevista para este ano.  

A Frente foi lançada em 22 novembro de 2016 para discutir a situação da infraestrutura nacional e para propor solução aos  gargalos que impedem avanços nas obra e projetos de caráter público e privado. Entre os temas que serviram como base para a constituição da iniciativa constam retomada de obras públicas paralisadas, projetos relacionados à infraestrutura e recuperação de vários segmentos da economia brasileira, a exemplo da indústria de gás e petróleo.

A reunião será às 9h30, na Câmara Federal Anexo 2 – plenário 11.

Foto: Arquivo FNE

Primeira da reunião da Frente ocorreu no dia 14 de dezembro de 2016.

 

Comunicação SEESP

 

 

 

 

 

No quadro enlouquecedor das demissões o que sobra, depois da liquidação de milhares de empregos, são as grandes empresas, onde o facão cortou, mas não as destruiu como faz com as outras, as pequenas e médias.

Assim acontece na indústria, no comércio e nos serviços, mas não acontece na construção civil e nas grandes obras públicas.

Nestes setores o facão, ao cortar os empregos, faz desaparecer também os grandes canteiros e os grandes empreendimentos. É bomba arrasa-quarteirão.

Exatamente por conta disso os índices de desemprego saltam por degraus bem altos na construção civil, afetando poderosamente os indicadores gerais.

Se a construção civil e a construção pesada são, nas vacas gordas, umas das maiores portas de entrada para o mundo do trabalho formalizado, com investimentos públicos e privados e crédito direcionado, o inverso acontece nas vacas magras, sem obras públicas, sem investimentos privados e com escassez de crédito e de recursos estatais. O desemprego campeia, as grandes empresas baqueiam e os canteiros são fechados.

Portanto, as direções sindicais da construção civil e da construção pesada têm uma responsabilidade acrescida na luta contra o desemprego e contra as demissões nos quatros eixos da ação sindical: de resistência, produtivista, das campanhas salariais e do atendimento às dificuldades dos trabalhadores.

O movimento sindical na construção pode e deve, como contribuição maior à luta geral, organizar com enorme repercussão positiva a ocupação simbólica, um abraço ou um rolê nas grandes obras paradas, demonstrando para a sociedade a irracionalidade da situação e a necessidade urgente da retomada dessas obras, estancando o desperdício que a sua paralisação acarreta. Um mapa das grandes obras paradas, nas cidades ou no interior, pode ser um guia para organizar essas lutas de imensa visibilidade.

Estas foram uma ideia forte e uma tática de luta propostas pelas direções sindicais dos trabalhadores da construção – municipais, estaduais, nacionais e internacionais – no recente seminário de planejamento de lutas em 2017, organizado pela Feticom-SP (federação estadual dos trabalhadores em construção e mobiliário), em Mongaguá.

 

* João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical

A pesquisa CNT de Rodovias 2016, elaborada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em conjunto com o Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), mostrou que a retomada do desenvolvimento nos próximos anos só será possível se houver um esforço concentrado do governo federal e dos governos estaduais para que o País amplie sua malha rodoviária e conquiste maior eficiência em sua infraestrutura de transporte. Caso contrário, não haverá como distribuir com fluência a produção, condição fundamental para que haja maior oferta de em pregos e crescimento.

A pesquisa indica que o País, com uma extensão total de 1.720.756 quilômetros, dispõe de apenas 211.463 quilômetros de estradas pavimentadas, ou seja, 12,3%. Em comparação com outros países de dimensões continentais, o Brasil perde feio para os EUA, que têm 438 mil quilômetros pavimentados, e China, com 359 mil quilômetros.

A pesquisa mostra ainda que 58,2% das rodovias brasileiras têm algum tipo de deficiência na pavimentação, sinalização ou geometria e foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas. Outras 41,8% foram classificadas como ótimas ou boas. Em relação ao pavimento, 48,3% dos trechos avaliados foram classificados como regulares, ruins ou péssimos. Para a sinalização, esse percentual foi de 51,7% e na geometria, 77,9%. A pesquisa avaliou 103 mil quilômetros de estradas e abrangeu toda a malha de rodovias federais e as principais rodovias estaduais pavimentadas, incluindo trechos concedidos à iniciativa privada.

Obviamente, os trechos de rodovias concedidas à iniciativa privada têm melhor avaliação, com 78,7% da malha classificada como ótima ou boa. Nas rodovias públicas, 32,9% foram avaliadas como ótimas ou boas. Como em 2015, as dez melhores rodovias apontadas pela pesquisa têm gestão privada. A região Nordeste é a que tem as piores condições de pavimento.

A CNT calcula que, para melhor qualificar a malha rodoviária brasileira, seriam necessários investimentos de R$ 292 bilhões. Desse total, R$ 137 bilhões seriam destinados a duplicações; R$ 98 bilhões à construção de novos trechos e pavimentação; e R$ 57 bilhões para restauração e reconstrução de pavimentos. Hoje, o Brasil investe, em média, R$ 6,5 bilhões por ano em rodovias, o que significa que está se distanciando cada vez mais da situação ideal. Entre as principais barreiras enfrentadas pelo modal rodoviário, estão a degradação das estradas e as altas taxas de pedágio. Sem contar os números assustadores de roubos de cargas.
De acordo com o estudo da CNT, há anos o modal rodoviário tem sido a principal alternativa para a movimentação de cargas, com participação de 61,1%, seguido pelos modais ferroviário (20,7%), aquaviário (13,6%), dutoviário (4,2%) e aéreo (0,4%). Diante disso, seria fundamental que o Brasil viesse a equilibrar sua matriz de transporte, aumentando a participação dos demais modais, especialmente o ferroviário.

Só que, no atual quadro, em que a União e os Estados passam por sérias crises orçamentárias, em consequencia da atuação de governantes irresponsáveis, é difícil imaginar maiores investimentos nos demais modais, que exigiriam recursos ainda mais vultosos. Resta, portanto, procurar melhorar a malha rodoviária. Ou seja, o País paga hoje por erros do passado.

 

* Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)

 

 

 

 

 

 

Destravar as mais de 5 mil obras paradas, segundo levantamento feito pelo Instituto Nacional de Recuperação Empresarial, e garantir a aprovação de projeto (PLC 13/2013) que cria a carreira de Estado, em todos os níveis de governo, para engenheiros e arquitetos, são pontos prioritários da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, lançada em 22 de novembro de 2016 pelo Congresso Nacional. A pauta é defendida pelo deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL), presidente da frente: “Nada mais justo e correto que garantir a eles uma carreira compatível à sua importância ao País.”

Na primeira reunião da frente, em 14 de dezembro último, ficou definido apresentar à Comissão Externa da Câmara Federal que acompanha a situação das obras paradas no País propostas nas áreas de legislação e de projetos a fim de contribuir nas ações para a retomada desses empreendimentos. O deputado Zé Silva (SD-MG), um dos vice-presidentes da frente e coordenador da comissão, esclareceu que boa parte dessas paralisações se deve a falhas nos projetos executivos (27%) e a questões relacionadas ao licenciamento ambiental (10%). “Problemas que podem ser resolvidos pela engenharia. Portanto, recebemos muito bem a criação dessa frente”, destacou. Ainda conforme ele, apenas 2% dos casos referem-se à falta de recursos. O parlamentar informou que apresentou o Projeto de Lei 5.664/16, que cria o Sistema de Obras Públicas (SisOP), um cadastro de livre acesso pela internet com todas as obras custeadas por verbas federais.


Foto: Paula Bortolini/Presidência
Frente Engenharia 600 2 
Primeira reunião da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento,
em Brasília.

 

O presidente da FNE, Murilo Pinheiro, que integrou a mesa dos trabalhos da reunião inicial, ressaltou que “a obra mais cara é a obra parada”, enfatizando ser necessário que haja um cronograma e planejamento de retomada desses projetos. Sobre as atividades da frente parlamentar, Murilo disse ser esse um fórum para o debate dos problemas que o País enfrenta e para a apresentação de soluções. “A crítica tem que ser acompanhada de sugestões e de propostas para a saída dessa crise. E falar sobre a volta do crescimento e do desenvolvimento é falar da área tecnológica.”

A posição foi reforçada pelo ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella Lessa, que esteve na solenidade de entrega do prêmio Personalidade da Tecnologia 2016, no Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), em 9 de dezembro último: “A infraestrutura do País é a ponta mais rápida para vencer essa crise que o Brasil atravessa, e os engenheiros são a alma dessa questão.” O propósito do espaço criado no Congresso, segundo Lessa, é exatamente disponibilizar o conhecimento desses profissionais aos parlamentares, “tanto para análise como para preparação de projetos de lei que visem o bem comum da sociedade”.

Interesse social e humano
O ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, prestigiou o lançamento da frente. No ensejo, ele também defendeu a valorização da carreira do engenheiro, seja no setor público ou privado, “porque é esse profissional que constrói tudo”. E apontou: “A frente pode ser um baluarte dessa mudança.”

O presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), José Tadeu da Silva, lembrou que “a nossa profissão, como está no primeiro artigo da lei da sua regulamentação, se caracteriza pela realização de obras e serviços de interesse social e humano”. Para ele, o instrumento criado pelo Legislativo significa o “chamamento do conhecimento tecnológico para ajudar o País na reconstrução nacional”.

O apelo pelos esforços à retomada do desenvolvimento do País foi endossado pela deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), também vice da frente, para quem “não há como se pensar em retomada do crescimento sem tecnologia e inovação”. Para Santos, apesar de o Brasil ser autossuficiente em produção de alimentos, que proporciona segurança e soberania nacional, e deter muitas riquezas minerais, no subsolo e um conjunto de mananciais, isso não basta. E conclamou: “Devemos ir além, precisamos ser um país da indústria 4.0, da nanotecnologia, das tecnologias portadoras do futuro. Ser um país dos valores chamados manufaturados.”

Engenharia Unida
A criação da frente parlamentar, segundo Murilo, vem também ao encontro do movimento “Engenharia Unida”, proposto pela entidade, que tem sido integrado também pelos conselhos federal e regionais de Engenharia e Agronomia, associações, escolas, profissionais, enfim, “todos aqueles que estão empenhados em retomar o crescimento do Brasil, garantindo direitos, defendendo a valorização profissional e trabalhando arduamente para que não nos afundemos ainda mais na recessão atual”.

O fórum legislativo já conta com 225 deputados e 19 senadores e a mesa diretora também é composta pelos vice-presidentes José Carlos Aleluia (DEM-BA), Miro Teixeira (Rede-RJ), Arlindo Chinaglia (PT-SP), Evair de Melo (PV-ES), Lídice da Mata (PSB-BA) e Pedro Chaves (PSC-MS); e pelos secretários Leônidas Cristino (PDT-CE), Leandre dal Ponte (PV-PR) e Rafael Motta (PSB-RN). A retomada dos trabalhos da frente ocorrerá em reunião agendada para o dia 9 de fevereiro próximo.

 

Rosângela Ribeiro Gil
Matéria publicada no jornal Engenheiro, da FNE, nº 176, de janeiro de 2017
Foto da home: Lúcio Vaz 

 

 

 

 

 

 

 

Terminamos um ano, não restam dúvidas, onde enfrentamos instabilidades de toda ordem, política, institucional e econômica. Um dos sinais mais graves é o número de desempregados, 12 milhões no terceiro trimestre com tendência ainda de elevação. Todavia, nesse cenário certamente espinhoso, a engenharia brasileira descobre ou desbrava caminhos que significam dar “a volta por cima”. 

Nesse sentido, os profissionais prontamente se engajaram no movimento “Engenharia Unida” proposto pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). A ideia é ter disposição ao protagonismo e influenciar o debate público para que haja, de fato, a retomada do crescimento. A tarefa, sabe-se, não será fácil, mas os profissionais estão acostumados aos desafios. 


Ilustração Gilberto Maringoni
Engenharia Unida Maringoni 600 


De antemão, entendemos que não se faz desenvolvimento com injustiças, desigualdades e perda de direitos. Por isso, cerramos fileiras com o movimento sindical do País na resistência à aprovação de propostas que reduzem direitos trabalhistas, precarizem as relações de trabalho, como a extensão da terceirização à atividade-fim, e que mudam as regras da aposentadoria, por exemplo. Medidas essas que não trarão equilíbrio social, ao contrário, significarão mais problemas e desajustes econômicos. O Brasil não avançará nessa pauta proposta que atendem aos que ganham com a especulação financeira, o rentismo; precisamos de produção, de indústria valorizada, da retomada de obras paradas, dos investimentos públicos e privados em empreendimentos de infraestrutura. Precisamos de mais engenharia para garantir o desenvolvimento do País!
 

Estarmos bem acompanhados em 2017 é fundamental. É o que propõe a Engenharia Unida – uma coesão de entidades e representações diversas dos profissionais da área tecnológica engenharia. Portanto, já assumimos o compromisso de manter a nossa mobilização e lutas pela pauta que nos é cara: desenvolvimento, justiça social e democracia.



Comunicação SEESP







 

 

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