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Do site do IPT

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Coordenaria Estadual de Defesa Civil do Estado de São Paulo, em novo contrato, vão realizar mapeamento de áreas de alto e muito alto risco a deslizamentos e inundações em 10 municípios abrangidos no Plano Preventivo de Defesa Civil do estado, e um projeto-piloto para mapeamento de ameaças múltiplas em uma cidade. 

Os graus de risco considerados seguem o método desenvolvido em 2007 pelo Ministério das Cidades e IPT, o qual estabelece quatro condições potenciais de risco – “é importante ressaltar que o projeto tratará dos setores classificados como de risco alto (R3) e muito alto (R4) das 11 cidades”, afirma Marcelo Fischer Gramani, pesquisador e coordenador do projeto. A previsão é de finalização no mês de março ou abril deste ano.

Duas das cidades incluídas no projeto – Cubatão e Mongaguá – estão localizadas na Região Administrativa de Santos; as outras nove são Araraquara, Atibaia, Bebedouro, Miracatu, Piquete, Poá, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Votorantim. Estes municípios foram indicados como prioritários por não terem informações atualizadas sobre riscos de deslizamento e/ou inundações – desde o início do projeto, em novembro de 2012, 114 cidades do estado de São Paulo foram mapeadas.

As principais atividades desenvolvidas pelo IPT incluem a pesquisa bibliográfica dos levantamentos de áreas de riscos existentes, a consulta às equipes das Coordenadorias Municipais de Defesa Civil sobre o número de atendimentos efetuados nos locais que serão avaliados, a realização de vistorias de campo para levantamento de indicadores de risco e tipologias dos processos, e a elaboração de documentação fotográfica.

Uma novidade da nova etapa do projeto será a colaboração do Laboratório de Recursos Hídricos e Avaliação Geoambiental para a coleta de imagens aéreas por meio de um drone, explica Gramani: “Para a setorização de riscos realizada anteriormente, foi utilizado o Google Earth como ferramenta para a identificação dos problemas por conta da facilidade na coleta das informações, mas ele oferece um detalhamento limitado.

Deslizamento de terras, corridas de massas, quedas de blocos, erosões, inundações e enxurradas são alguns dos riscos naturais avaliados para o mapeamento - na foto, escorregamento ocorrido na cidade de Cunha.

Ameaças múltiplas
O projeto-piloto do mapa de ameaças múltiplas do município de Cubatão que será elaborado pelo IPT irá contemplar o levantamento das ameaças às quais o município está sujeito nos âmbitos natural e tecnológico.

O mapa irá apontar os principais pontos geradores de ameaças de risco: as naturais incluem deslizamento de terras, corridas de massas, quedas de blocos, erosões, inundações e enxurradas, e as tecnológicas envolvem desde a localização de indústrias e postos de gasolina até o transporte de substâncias perigosas e acidentes rodoviários. “O mapeamento não chegará ao ponto do detalhe dos riscos, como o raio de alcance de um deslizamento de terra ou a área contaminada por conta do derramamento de óleo de uma indústria, mas sim irá localizar geograficamente os locais que podem gerar ameaças”, completa o pesquisador.

O levantamento das informações será realizado com a Prefeitura Municipal de Cubatão e órgãos federais, estaduais e municipais relacionados ao tema, além de utilizar os mapeamentos e os bancos de dados do IPT. O objetivo é dar conhecimento ao poder público da situação desses locais, o que permitirá uma série de medidas, ações, planos e projetos para minimizar os problemas encontrados, auxiliando também no planejamento e gestão territorial do município.

 

Uma metodologia criada por um doutorando da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (Poli-USP) pode ajudar a Defesa Civil a identificar pontos de deslizamento de terra em rodovias e mitigar possíveis acidentes nesses locais. A ferramenta utiliza imagens gratuitas tomadas por satélite como o Landsat para gerar mapas de relevo e de cobertura do solo e identificar cicatrizes de deslizamentos já ocorridos, bem como áreas com maior potencial de deslizamento. O estudo foi validado na cicatriz de um deslizamento ocorrido na Serra do Mar em 1999, no quilômetro (km) 42 da Via Anchieta, em São Paulo. 

“A metodologia pode aumentar a capacidade dos órgãos responsáveis de definir planos de gestão e monitoramento de riscos, pois se refere à avaliação do risco daquele deslizamento que já ocorreu próximo a uma rodovia e pode acarretar mais problemas. Pode ser útil, principalmente, em lugares em que as estradas são menos movimentadas e onde a Defesa Civil é menos equipada”, resume o engenheiro ambiental Luiz Manfré, autor do trabalho. 

A novidade é o desenvolvimento de uma ferramenta eficaz com base em dados gratuitos — pois um dos grandes desafios desse tipo de monitoramento é o custo e a existência das imagens de satélite. “Há vários satélites fazendo imagens da Terra, mas elas são muito caras, principalmente as de alta resolução. Por outro lado, há uma série de imagens gratuitas com uma resolução suficiente, como as do satélite Landsat, disponibilizadas pelo Serviço Geológico Norte-americano (USGS)”, explica Manfré. 

Feições de relevo
Além das imagens do Landsat, Manfré utilizou ainda dados derivados da Missão Topográfica Radar Shuttle (SRTM) e do TOPODATA (Banco de dados geomorfológicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) como base para a identificação de feições do relevo mais susceptíveis a deslizamentos. Por meio de revisão bibliográfica, ele definiu uma metodologia que sintetiza informações sobre tipos de relevo que favorecem a ocorrência de deslizamentos e avaliou procedimentos de classificação para identificar cicatrizes.

 

A combinação do mapa de feições de relevo com o resultado da classificação melhorou o resultado final da análise e facilitou a busca por cicatrizes de deslizamento em locais com características semelhantes às da Serra do Mar. “Escorregamentos pressupõem lama. Por isso, a metodologia se mostrou satisfatória para esse tipo de terreno. Mas achamos que pode ser adaptada para outras aplicações, como o entorno de dutos de água, petróleo e gás”, observa o orientador de Manfré, José Alberto Quintanilha, professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli. 

“Além de funcionar na identificação de áreas de risco, percebemos que a compartimentação do relevo possui diversas aplicabilidades e permite desdobramentos e análises para além do escopo deste trabalho”, afirmou Manfré. Neste sentido, pesquisadores do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se mostraram interessados em utilizar a metodologia para o aperfeiçoamento dos mapas geomorfológicos existentes, e para o mapeamento de ocorrência de doenças relacionadas à água. 

“Neste caso, trata-se de um trabalho sobre a retenção de água em microbacias e a ocorrência de doenças, no vale do Rio Doce. A pesquisa terá de usar, como base, dados topográficos e geomorfológicos, daí o interesse na metodologia desenvolvida pelo Luiz”, afirma o coorientador de Manfré, Rodrigo Nóbrega, da UFMG.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da Poli-USP

ChuvaSorocabadentroSorocaba acumulou nos dias 14, 15 e 16 de dezembro um volume de 149 milímetros de chuva, o que colocou a Defesa Civil em estado de alerta. Agentes já estão visitando os pontos da cidade com mais riscos de inundações e deslizamentos para realizar vistorias preventivas nos imóveis e orientar os moradores. No entanto, as ações da prefeitura, nos últimos oito anos, por meio do programa Vítima Zero de Enchente, preveniram em mais 90% os problemas ocasionados pela chuva, beneficiando mais de dez mil pessoas. Um destes exemplos são as obras de elevação da pista e ampliação do sistema de drenagem da Avenida Dom Aguirre.

A prefeitura revitalizou a Dom Aguirre em julho de 2010, com a elevação de alguns pontos mais baixos da pista entre 70 cm e 1,80m, e reforços no sistema de drenagem e bombeamento da água. De acordo com o secretário da Segurança Comunitária e coordenador da Defesa Civil, Roberto Montgomery, os 149 mm acumulados de chuva elevaram a régua usada para acompanhamento do volume de água do Rio Sorocaba em 30 cm. "Antes das obras, quando a régua chegava a 10 cm era volume suficiente para inundar a Praça Lions e abaixo da Ponte Francisco Dellosso. Com certeza, sem as obras, uma chuva igual a deste fim de semana teria interditado a pista", explica.

Montgomery ressalta que, durante a chuva, os sistemas de bombeamento do Rio Sorocaba instalados abaixo da Ponte Francisco Dellosso e na bacia de contenção do Jardim Abaeté funcionaram plenamente, impedindo o alagamento desses pontos. Em razão dos altos índices pluviométricos registrados nos últimos dias, agentes da Defesa Civil estão visitando casas em pontos suscetíveis a inundações ou deslizamentos. "Este trabalho consiste numa vistoria visual nos imóveis e o questionamento aos moradores sobre incidência de ruídos, por exemplo. Além disso, são orientados em como atuar preventivamente e no acionamento da Defesa Civil, em casos de emergências". Em situações dessa natureza, dúvidas ou orientações podem ser obtidas pelo telefone 199, da Defesa Civil.

 

Imprensa – SEESP
Informação Prefeitura Municipal de Sorocaba



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