GRCS

27/11/2020

Engenharia para proteger a vida

A especialização em Segurança do Trabalho tem como objetivo garantir a vida e a saúde de trabalhadores e público

 

Rosângela Ribeiro Gil
Oportunidades na Engenharia

 

O Brasil tem 65.789 engenheiros registrados na modalidade Segurança do Trabalho, segundo estatística do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Lucas Bonanno, 26 anos de idade, é um deles. Ele concluiu o curso de pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho, em 2018, mas antes se graduou na modalidade de petróleo e gás. O jovem profissional se reposicionou no mercado e hoje atua como engenheiro de Segurança do Trabalho em serviço hospitalar, na capital paulista, que atende, diariamente, aproximadamente cinco mil pessoas, sem contar o contingente dos empregados do local.

 

Lucas BonannoEngenheiro Lucas Bonanno é engenheiro de Segurança do Trabalho em área hospitalar, em São Paulo. Crédito: Arquivo pessoal.

 

A engenharia entra em sua vida por dois caminhos, como ele mesmo diz: “Desde pequeno gostava e tinha facilidade com as matérias de exatas e também muito por conta do exemplo do meu pai, que é engenheiro civil.”

 

Assim como outros jovens, Bonanno ficou estimulado pela área de petróleo e gás por conta da descoberta do pré-sal. Foi assim que, em 2012, aos 17 anos de idade, passou no vestibular da Universidade Católica de Santos (UniSantos), no litoral paulista. “Concluí o curso em 2016.” Todavia, como ele conta, nesta entrevista, acabou migrando para uma outra modalidade da engenharia, que lhe chamou a atenção ainda na graduação.

 

Nesta entrevista especial em comemoração ao Dia do Engenheiro de Segurança do Trabalho, neste 27 de novembro, trazemos as impressões desse jovem como forma de mostrar o início de carreiras promissoras. Para ele, a razão de existir da modalidade é proteger a vida.

 

Você se formou em Engenharia de Petróleo e Gás, chegou a atuar na área?

Quando comecei a faculdade as expectativas no setor estavam altas por conta do pré-sal. Porém, quando terminei o curso, encarei um mercado com poucas oportunidades na área para recém-formados.

 

600 Lucas Bonano Fev2019 Mineradora em SPLucas Bonanno, antes do seu emprego atual, em mineradora de São Paulo, em fevereiro de 2019. Crédito: Arquivo pessoal.

 

Foi por isso que resolveu fazer pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho?

No último ano da minha graduação foi ministrada a matéria de Engenharia e Segurança do Trabalho I e II, com o ensinamento de conceitos básicos da área. Fiquei muito interessado no assunto. Comecei a pesquisar melhor sobre o mercado da área, fiquei muito interessado nos conteúdos e no que a profissão podia oferecer. Então, decidi fazer a pós logo que terminei a graduação. Fiz a especialização já no início de 2017 na Universidade Nove de Julho (Uninove), na capital paulista. Concluí em 2018.

 

Formado engenheiro de segurança do trabalho, como foi o início na carreira?

Antes de finalizar a pós, fui admitido numa consultoria de SST [Saúde e Segurança do Trabalho]. Procurei aprender o máximo com os colegas de trabalho. Todo início é difícil, devemos colocar metas e procurar conquistar até chegar no nosso principal objetivo. Essa experiência me fez viajar para várias partes do País, acordar de madrugada e retornar de noite. Aprendi muito. Sou muito grato por cada segundo vivido.

 

Quais os campos de atuação do engenheiro de segurança do trabalho?

Ele atua em todos os campos possíveis, desde uma avaliação ambiental num restaurante até numa aplicação de um sistema de gestão de risco numa grande indústria, ou a elaboração de um projeto contra incêndio. Para todos esses ambientes, o que gostaria de ressaltar é a importância de estarmos atualizados sobre as diversas legislações atinentes à área.

 

Para isso, é essencial se dedicar ao aprimoramento profissional, porque o mercado assim o exige, porque os processos produtivos de trabalho mudam o tempo todo. Além disso, é uma exigência do mercado.

 

350 Lucas Bonano Jul2018 Estaleiro no RJLucas Bonanno em estaleiro, no Rio de Janeiro, em julho de 2018. Crédito: Arquivo pessoal.O que é ser engenheiro de segurança do trabalho num ambiente hospitalar e com a pandemia do novo coronavírus?

Admito que, no começo, foi muito assustador, porque era algo totalmente desconhecido e incerto. Mas como profissional temos de respirar fundo, traçar as estratégias e correr contra o tempo. Existem diversas medidas de controle, e foi baseado nisso que trabalhamos, ou seja, de aplicar as metodologias existentes de controle de risco nos processos e nos profissionais.

 

Basicamente, podemos observar, de forma resumida, as nossas atribuições no item 4.12 da NR 04 [Norma Regulamentadora nº 4 – Serviços especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho], que descrevem as competências do SESMT [Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho], trabalhando na antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos.

 

A diferença com as demais áreas é que atendemos principalmente a NR 32 [Norma Regulamentadora nº 32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde],  que estabelece diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à saúde e à segurança dos trabalhadores dos serviços de saúde.

 

Junto a todas essas questões mais técnicos, precisamos desenvolver competências comportamentais para ter uma atuação mais efetiva e frutífera. Para mim, essas são fundamentais no exercício de qualquer profissional, incluindo a engenharia: liderança, comunicação, criatividade e saber aceitar mudanças.

 

No seu ambiente de trabalho, há uma relação intergeracional entre profissionais de engenharia?

O que predomina nesse ambiente, sem dúvida nenhuma, é o respeito. Fui muito bem recebido por todos, sempre muito atenciosos nos esclarecimentos e apoio. Um ambiente de trabalho muito produtivo e motivador. Estou me referindo não apenas aos profissionais de Engenharia de Segurança do Trabalho, mas a todos, porque temos contato com a equipe de engenharia de manutenção, tanto na participação dos projetos e obras quanto nas avaliações de melhorias a serem realizadas durante inspeções. O importante é o trabalho organizacional com as demais divisões de engenharias para crescimento e fortalecimento contínuo da empresa. Avalio que um ambiente de trabalho com esse perfil é realmente muito produtivo e motivador.

 

Fui muito bem recebido por todos, sempre muito atenciosos nos esclarecimentos e apoio. Um ambiente de trabalho muito produtivo e motivador. Estou me referindo não apenas à minha área, mas temos contato principalmente com a equipe de engenharia de manutenção, tanto na participação dos projetos e obras quanto nas avaliações de melhorias a serem realizadas durante inspeções. O importante é o trabalho organizacional com as demais divisões de engenharias para crescimento e fortalecimento contínuo da empresa.

 

Com relação à minha geração acredito que contribuímos com esse ambiente de respeito trazendo também inovação e atualização, porque o desenvolvimento da nossa área está cada vez mais acelerado. Sabemos que o processamento de informação e o crescimento metodológicos são constantes.

 

A engenharia de segurança do trabalho tem uma relação direta com a preservação de vidas.
Exata e totalmente. Nosso principal objetivo é preservar a saúde e a integridade física de todos. Quem está na área não pode aceitar 99% de segurança garantida, temos que alcançar e garantir 100%. Mas para chegar a este resultado, devemos incluir o trabalhador neste projeto, pois segurança do trabalho não se faz sozinho, temos que ter a participação de todos para ter sucesso.

 

Qual o maior compromisso de um engenheiro de segurança do trabalho, em sua opinião?
Nosso maior compromisso é com a vida. Enquanto houver risco, não podemos descansar.

O que você gosta de fazer além de engenharia?
Gosto de viajar, praticar esportes, assistir séries e sair com a família e amigos.

 

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