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Do Jornal da USP

Os Estados Unidos anunciaram na última sexta-feira (23/03) a suspensão das taxas de 25% sobre o aço importado e de 10% sobre o alumínio importados do Brasil, Coreia do Sul, Austrália, Argentina e União Europeia. A sobretaxa iria entrar em vigor na própria sexta-feira.

Esses países se juntam ao México e Canadá, que desde o início ficaram de fora da cobrança dessas taxas anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

A suspensão vale até 1º de maio, e nesse período os Estados Unidos vão tentar acordos com cada um dos países. As medidas protecionistas de Trump atingem em cheio a China, que pretende reagir.

Para o professor aposentado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fearp) da USP, Alberto Borges Mathias, o Brasil será o grande beneficiado de uma hipotética guerra comercial em nível mundial e isso pode alavancar a retomada do crescimento econômico brasileiro.

Segundo o professor, a China investe milhões de dólares nos Estados Unidos e como retaliação pode deslocar esse investimento para o Brasil. A mudança de fornecedor da soja importada pelos chineses dos Estados Unidos para o Brasil pode ser o início desse processo.

Segundo Mathias, o Brasil terá um grande estímulo para retomar de vez o crescimento econômico. 

 

João Guilherme Vargas Netto*

Depois dizem que eu é que sou belicoso, mas quando Trump anunciou as novas tarifas para importação de aço e alumínio ele é que disse que guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar.

Foto: Pixabay

As polarizações internas em grandes países, como os Estados Unidos, são o espelho das polarizações entre países e o mundo caminha, sob a hegemonia neoliberal, para a guerra de todos contra todos.

O Brasil, segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos e maior exportador para lá de produtos semifabricados e acabados de alumínio, sofrerá pesadamente com a nova regra tarifária. O risco é de tal ordem que o mero anúncio agressivo de Trump produziu na Bolsa de Valores de São Paulo uma queda de 2 bilhões de reais nos valores dos papéis siderúrgicos (que vinham acumulando ganhos reais) e previsão de maior instabilidade.

A sociedade brasileira, a grande mídia e o próprio “mercado” receberam a notícia passiva e bovinamente, exceto, é óbvio, a especulação bursátil.

O único setor social que, afligido pela perspectiva catastrófica, manifestou-se rápida e consequentemente contra foi o movimento sindical dos trabalhadores.

Na sexta-feira, dia 2 de março, as centrais reconhecidas e as duas grandes confederações de metalúrgicos da Força Sindical e da CUT, reunidas no Dieese, emitiram nota oficial em que afirmam que “se a taxação for confirmada as exportações serão afetadas, com diminuição da produção e, consequentemente, dos empregos no Brasil”.

E em seguida convocaram um ato de protesto nesta segunda-feira, dia 5 de março, no consulado paulista dos Estados Unidos, com a participação de todas as centrais e de todas as organizações metalúrgicas.

Observo que estas iniciativas do movimento sindical, que são defensivas e servem de alerta para as autoridades econômicas brasileiras e para a opinião pública, não mereceram até hoje nenhuma linha de repercussão na grande mídia. Se fosse nos Estados Unidos...


* Consultor sindical

 

 

 

Da Agência Sindical

AçoO Brasil exporta ao ano 4,7 milhões de toneladas de aço para os Estados Unidos. Só perde para o Canadá, que exporta 5,8 milhões. A exportação brasileira é uma das grandes fontes de receita para a economia nacional. Por isso, a taxação ao aço e ao alumínio, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump preocupa o sindicalismo e foi objeto de avaliação na reunião das centrais sindicais, no dia 2 de março último, na sede do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na capital paulista.

Segundo o jornal O Globo, as restrições de Trump podem resultar em perdas de até US$ 3 bilhões anuais à economia brasileira. As centrais, em nota oficial, criticam o protecionismo dos Estados Unidos e alertam para o risco aos empregos nos setores taxados.

Diz a Nota: “O anúncio causa enorme preocupação de que as exportações brasileiras de aço e alumínio serão afetadas, com diminuição da produção e dos empregos. É importante o governo buscar negociação com o governo americano e acionar a Organização Mundial do Comércio, visando diminuir os impactos da adoção da tarifa imposta pelos Estados Unidos.”

Liberalismo de gaveta
A Agência Sindical ouviu Pedro Afonso Gomes, presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo. Ele ironiza a atitude estadunidense, dizendo que o liberalismo norte-americano “só vai até a página 10”. Depois disso, ele reforça, “o país tenta proteger seu mercado, preservar os empregos locais e também atrair empresas dispostas a produzir aço e outros produtos acabados dentro do território americano”.

Assinam a nota os presidentes das seis centrais e duas confederações: Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical; Vagner Freitas, da CUT; Ricardo Patah, da UGT; Adilson Araújo, da CTB; José Calixto Ramos, da Nova Central; Antonio Neto, da CSB; Miguel Torres, da CNTM/Força; e Paulo Cayres, da CNM/CUT.


Comunicação SEESP

Usiminas bobinasRepresentantes sindicais, associações e membros do poder público estão convidados a discutir os avanços tecnológicos e a normatização necessária à aplicação do aço no setor da construção civil. O debate, promovido pelo Fórum Cresce Baixada, ocorre no próximo dia 19, às 10h, na sede da delegacia sindical do SEESP em Santos (Avenida Pinheiro Machado, 424). Também são convidados ao encontro representantes de sindicatos de trabalhadores ligados ao sistema de aço, assim como o grupo de trabalho da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem), que debate saídas à estagnação econômica da região.

Segundo o vice-presidente do SEESP e engenheiro da Usiminas, Newton Guenaga Filho, a competitividade que o aço vem conquistando na construção civil deve ser motivo de entusiamo para os profissionais da área. "O mundo inteiro utiliza a tecnologia do aço para a construção, enquanto o Brasil continua unicamente com a concretagem. O fato é que os avanços aos quais assistimos vem tornando o aço até mais competitivo do que a tecnologia do concreto atualmente utilizada. O emprego do aço, ampliado para projetos de pontes e estruturas metálicas mais complexos, tende a ser cada vez mais comum", ressalta Guenaga.

No dia 11 último, o fórum participou de plenária da Comissão Temática de Habitação da Agem em Santos. Na ocasião, o analista comercial da siderúrgica, Marcelo Oliveira Machado, fez uma exposição sobre projetos habitacionais que utilizam aço nas suas estruturas. O aposentado da Usiminas e dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Uriel Villas Boas, assistiu à exposição. Para ele, a intensificação do uso do aço na construção civil e nas obras de infraestrutura pode fazer com que a siderúrgica retome a produção de aço em sua planta industrial de Cubatão. A produção foi paralisada em 2015, o que causou a demissão de milhares de trabalhadores.

 

Sandro Donnini Mancini* 

O Brasil sempre foi abençoado com relação aos recursos minerais, inclusive metálicos. O maior exemplo se dá com o ferro e aço, materiais fabricados a partir do minério de ferro e que formam o ramo metalúrgico da siderurgia. Para se ter uma ideia, cerca de 95% dos metais consumidos no mundo são ferrosos (aço e ferro fundido) e, com uma das maiores reservas de minério de ferro do mundo, é razoável que o Brasil desempenhe um papel importante na siderurgia global.

Mas aí vem uma queixa constante de quem não se conforma com o tradicional lugar que é reservado ao país: o de exportador de "commodities", produtos geralmente minerais e agrícolas comercializados em larga escala no mercado mundial, de valor agregado normalmente baixo e sujeitos a oscilações de preços. Por outro lado, produtos finais, como bens de consumo industrializados, costumam ter valor agregado maior e são considerados mais estratégicos e vantajosos. Dessa forma e em linhas gerais, a economia brasileira vende produtos baratos e compra produtos caros, sendo uma das explicações para o fato de sermos um eterno país "em desenvolvimento".

Os inconformados usam o exemplo do rompimento da barragem de Mariana-MG, da mineradora Samarco, em 2015: o Brasil exporta produtos in natura ou com pouco beneficiamento, internalizando os impactos ambientais (como a barragem de rejeitos de mineração, nesse caso). Provavelmente até já importamos o aço produzido com esse minério parcialmente beneficiado na forma de equipamentos, automóveis e outros bens de consumo. Quem usa esse exemplo tem razão, mas uma ressalva pode e deve ser feita nesse caso: a siderurgia brasileira é manca.

Para se fazer os metais ferrosos, tão importante quanto o minério de ferro é o carvão mineral. Este acaba funcionando como elemento extrator do ferro de dentro da rocha (que não tem só ferro) e como fonte de energia, já que essa extração ocorre em altas temperaturas. Parte do carbono que o carvão tem entra na composição do metal pois, em quantidades adequadas, dá origem a materiais com propriedades e aplicações variadas. Só que o Brasil não tem carvão mineral bom para siderurgia, havendo a necessidade de importação, o que torna a siderurgia nacional dependente do mercado externo.

Segundo dados do Ministério das Minas e Energia, o Brasil produz cerca de 380 milhões de toneladas de minério de ferro anuais, reservando ao mercado externo aproximadamente 310 milhões de toneladas. As 70 milhões de toneladas de minério que ficam aqui dão origem a cerca de 40 milhões de toneladas de metais ferrosos. Para isso são usadas cerca de 10 milhões de toneladas de carvão, totalmente importadas, transformadas no Brasil em coque (um "primo rico" do carvão) e somadas a outras 2 milhões de toneladas de coque importadas já prontas.

Outro dado, dessa vez mais animador: cerca de 30-40% do metal ferroso que abastece a siderurgia brasileira é sucata. Para se produzir aço a partir da sucata ferrosa geralmente se derrete todos os resíduos num forno e posteriormente é corrigida a sua composição, processo onde alguns "ingredientes" podem ser acrescentados, normalmente em quantidades pequenas. Ou seja, reciclar a sucata economiza enormes quantidades de carvão e "libera" mais minério para ser exportado para países que necessitem.

Mas será que é vantagem exportar minério e reciclar sucata? Não seria melhor vender a sucata para países que não têm minério de ferro e ficarmos com o minério, para fabricarmos produtos melhores que os feitos com a sucata?

Há uma crença, infundada, de que com a sucata ferrosa se produz material inferior que o produzido a partir do minério. Embora isso (o reciclado ter características geralmente inferiores às do material virgem) seja verdade em alguns casos para alguns materiais, com metais a coisa é diferente. Se a sucata tiver qualidade (p.ex., não tiver contaminantes em grandes quantidades) o produto final pode ter tanta qualidade quanto se a matéria prima inicial for oriunda do minério.



* Professor de graduação em Engenharia Ambiental da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Sorocaba. Artigo publicado, originalmente, no jornal Cruzeiro do Sul

 

 

 

 

A reportagem da semana do JE na TV, programa televisivo do SEESP, exibido semanalmente na TV, em diversas emissoras, conta como está a situação dos trabalhadores da Usiminas, em Cubatão. Os sindicatos que representam os mais de dois mil funcionários reverteram o número de demissões, que ocorrem desde o início de 2016.

Murilo Pinheiro, na coluna No Ponto, fala da importância das Normas Regulamentadoras, como a NR 12, que institui condições para uso de máquinas e equipamentos com segurança. Na entrevista, o diretor do SEESP, José Manoel Teixeira, fala sobre outra NR, a 35, que regulamenta o uso de EPI em trabalho com altura acima de dois metros.


O JE na TV é mais um canal de comunicação importante mantido pelo SEESP para levar importantes informações e notícias aos engenheiros e também à sociedade. Assista ao programa que vai ao ar às segundas-feiras, às 19h30, para a cidade de São Paulo, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital) ou pela internet no mesmo dia e horário neste link. O JE na TV é transmitido para mais 40 municípios paulistas e de outros estados conforme grade variada, confira aqui.

Assista também, abaixo, o programa desta semana na íntegra:







Comunicação SEESP





O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) lançou, neste mês de agosto, importante estudo sobre a atuação do subsegmento da siderurgia nacional. Segundo a entidade, o objetivo foi analisar os indicadores econômicos das quatro maiores usinas siderúrgicas que atuam no País: Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas S.A, Gerdau S.A. e ArcelorMittal Brasil S.A. Juntas, elas representavam, em 2015, mais de 79,0% da produção de aço bruto nacional, segundo dados do Instituto do Aço Brasil (IABR). O alto grau de concentração determinou a escolha dessas companhias para esta análise que busca entender a dinâmica existente no segmento siderúrgico. Os dados considerados neste texto compreendem o período entre 2006 e 2015.

Estes quatro grandes grupos siderúrgicos têm uma longa história no processo de desenvolvimento da indústria brasileira. As siderúrgicas Usiminas e CSN surgem no bojo do processo de industrialização, nas décadas de 1940 e 1950, tendo o estado brasileiro como principal incentivador, já que são estatais criadas em parceria com grupos internacionais (ambas privatizadas na década de 1990). Também o grupo Gerdau, de capital nacional privado, embora tenha origem anterior, apresenta fortes transformações no funcionamento no mesmo período mencionado. Apenas a ArcelorMittal, de capital predominantemente luxemburguês, tem uma história de fusões e aquisições até se tornar o grupo ArcelorMittal em 2006.

Presente no dia a dia

A indústria de Siderurgia e Metalurgia Básica é um segmento do ramo metalúrgico estratégico para o desenvolvimento nacional, por atuar como fornecedor para diversos setores de atividade econômica e estar presente na maioria das cadeias produtivas. Além disso, é responsável pela fabricação de vários produtos do nosso dia a dia, como talheres, pregos e parafusos, estruturas metálicas etc.

É um segmento intensivo no uso de recursos naturais (minério de ferro e carvão), que necessita de grandes aportes de capital e cujo tempo de maturação dos investimentos é lento, além de ser um segmento de produtos seriados de maturidade tecnológica avançada. Diante dessas características, o Brasil possui vantagens competitivas, como mão de obra barata, reservas de minérios de ferro de boa qualidade e em boa quantidade, infraestrutura logística para portos e grande mercado consumidor.

A indústria se divide em três subsegmentos que são: usinas siderúrgicas, indústrias produtoras de ferro-gusa e metalurgia básica. No Brasil, o parque siderúrgico é composto por 29 usinas controladas por apenas 11 grupos empresariais, ou seja, é altamente oligopolizado - estrutura de mercado em que um número pequeno de empresas domina a oferta - e concentrado na região Sudeste.

Conjuntura internacional

O segmento siderúrgico mundial é afetado, por um lado, pelo modesto crescimento da economia nos países desenvolvidos, EUA e na Zona do Euro, juntamente com a desaceleração econômica nos países emergentes, que oferecem restrições para demanda mundial de aço. Por outro lado, é atingido, pela existência de excesso de oferta de aço no mundo, influenciado pela produção chinesa. A China é a maior produtora mundial de aço, com aproximadamente 50% do total produzido em todos os países, e, muitas vezes, é acusada de práticas desleais de comércio (ação em que coloca produtos à venda por um preço inferior ao do mercado internacional). Há vários questionamentos de diversos países na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a estratégia de dumping utilizada pelas siderúrgicas chinesas. Outro impasse referente ao país é que este ano vence o protocolo de acesso da China à OMC - firmado em 2001 - e ela pode ser reconhecida como economia de mercado. Ao ser reconhecida como economia de mercado, a China passa a ter as mesmas condições dos demais membros da OMC.

Em 2015, segundo ano de queda na produção mundial de aço, o Brasil atingiu a casa dos 33,3 milhões de toneladas, valor 1,9% menor que a produção de 2014. Apesar da redução, o montante garantiu ao País a 8ª posição entre os maiores produtores mundiais, na frente da Turquia, que desde 2012 registrava produção superior à brasileira.

O parque siderúrgico brasileiro está capacitado a produzir desde aços de baixo valor agregado até os de elevado valor. Porém, a inserção brasileira no comércio mundial é centrada na exportação de produtos de menor valor agregado e na importação de produtos de maior valor agregado. Segundo informações do Instituto Aço Brasil, em 2015, as exportações alcançaram 13,7 milhões de toneladas; enquanto em 2014 foram exportadas 9,7 milhões de toneladas. Assim, apesar do câmbio mais favorável (desvalorizado em relação ao dólar) e da maior quantidade de produtos exportados, a receita em dólares gerada pela exportação em 2015 foi inferior à de 2014.

* Leia o estudo completo aqui.



Edição Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Fonte: Boletim da Rede Metalúrgicos - Nº 04/Agosto de 2016 








Em negociação tensa, que durou cerca de quatro horas, metalúrgicos e engenheiros conseguiram evitar a demissão imediata de 230 empregados da Usiminas de Cubatão. Foi em audiência provocada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em Santos, realizada no dia 25 de julho último. A direção da siderúrgica tentou, mas não conseguiu emplacar o argumento de que precisava adequar o efetivo à produção de laminados, que ficou abaixo da projeção empresarial. Ficou acordado que será mantido um nível de emprego de 98,4% durante seis meses, começando em 1º de agosto próximo.

As novas dispensas na usina cubatense, que deveriam somar 500 e foram anunciadas em 14 de junho último, pegaram os sindicatos de surpresa e o próprio MPT, segundo o presidente da Delegacia Sindical do SEESP da Baixada Santista, Newton Guenaga Filho. “Estávamos saindo de um processo doloroso por causa do fechamento do setor de metalurgia da empresa, que significou a demissão de mais de dez mil trabalhadores, entre contratados diretos e das terceirizadas”, salienta o sindicalista. No dia da comunicação, lembra Guenaga com indignação, 271 empregados já tinham sido demitidos. “Enquanto estávamos à mesa de negociação, o corte já tinha começado. Felizmente conseguimos, com a boa intermediação do MPT, estancar esse processo.”

Confira, no Jornal do Engenheiro do SEESP, de agosto, reportagem especial sobre a luta contra as demissões e o sucateamento daquela que já foi a maior produtora de aços planos do País. “O que acontece hoje na ex-Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) deve ser entendido a partir da privatização da empresa, em 1993”, observa o ex-funcionário da empresa, Luiz Nascimento. O jornal estará disponível para leitura também aqui no site do sindicato, a partir da próxima semana.

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Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP






A Baixada Santista foi a região do Estado que mais eliminou postos formais de trabalho de abril de 2015 a março deste ano, em termos proporcionais. A queda foi de 6,2% (23.503 vagas a menos). Nesse período de 12 meses, foram 113.551 contratações contra 137.054 demissões.

Os dados constam no boletim do Emprego Formal da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). A região litorânea fica à frente das regiões do Grande ABC, que registrou queda de 6,1%, e de Campinas e Bauru, que empataram com 5,1%. A região de Presidente Prudente teve o menor índice de desemprego neste período (-0,8%).

Ao analisar somente os dados referentes ao primeiro trimestre deste ano, é possível identificar que o estoque de empregos formais caiu 2,7%, o segundo maior índice em termos proporcionais, ficando apenas atrás de Franca (3,6%).

De janeiro a março deste ano na nossa região, foram 27.386 pessoas contratadas contra 37.199 demitidas, o que gerou um déficit de 9.813 vagas. Cerca de 60% dos cortes ocorreram em Cubatão (3.966) e Santos (2.139).

Maior impacto
Na visão do economista e professor da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Praia Grande, João Carlos Gomes, o setor de comércios e serviços está fortemente impactado pela retração de demanda. “Por exemplo, o desemprego no parque industrial de Cubatão e no Porto de Santos gera o fechamento de postos de trabalho na área de comércio. Esse impacto é imediato”.

Segundo o docente, 78% dos empregos de Santos têm um nível salarial de um a três salários mínimos. Isso significa que, em períodos de retração econômica, os setores que contratam com esse nível de remuneração tendem a dispensar as pessoas com maior facilidade.

“Essa mão de obra acaba sendo reposta facilmente quando a economia voltar a melhorar. Certamente, quase 90% dessas pessoas possuem o Ensino Médio completo ou incompleto”.

Tese comprovada
O cenário apresentado pelo economista é confirmado ao se analisar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). As 20 ocupações com os maiores saldos negativos na Baixada Santista no primeiro trimestre deste ano não requerem escolaridade alta ou cursos técnicos e de especialização.

Algumas das atividades que constam nessa listagem são vendedor de comércio varejista, operador de telemarketing receptivo, operador de caixa, repositor de mercadorias e faxineiro, por exemplo.

A única exceção nessa lista de 20 ofícios é agente de fiscal de qualidade. Juntas, essas 20 atividades profissionais representaram 43,6% dos desligamentos na região (16.222, de um total de 37.199 cortes).

* Confira esses e outros dados no boletim do Seade aqui.

 

Fonte: A Tribuna/Sandro Thadeu

 

 

 

 

 

Em nova reunião do movimento Cresce Baixada, realizada em 11 de março último, em Santos, sindicalistas discutiram propostas para evitar novas demissões na área da Usiminas, siderúrgica instalada no polo petroquímico de Cubatão (SP), e para promover o crescimento econômico da região. Desde que a empresa anunciou o fim da produção de aço na sua planta industrial paulista, quase 1.900 trabalhadores diretos perderam seus empregos e outros oito mil das terceirizadas foram dispensados. Para agravar ainda mais o quadro, a siderúrgica colocou em licença remunerada, na última semana, 1.300 empregados.


Foto: Divulgação
CresceBaixada 11MAR2016 
Encontro do dia 11 de março último reafirmou propostas já apresentadas para ajudar
no desenvolvimento e crescimento econômico do litoral paulista 


Para o presidente da Delegacia Sindical do SEESP na Baixada Santista, Newton Guenaga Filho, a situação deveria preocupar mais os representantes do poder público. “Infelizmente, a luta em defesa do desenvolvimento e crescimento da nossa região, por incrível que pareça, não tem motivado a participação de governos e outros segmentos da sociedade local como merecia”, lamenta o dirigente. Até o momento, segundo Guenaga, 60 engenheiros foram demitidos pela Usiminas.

O encontro do dia 11 reforçou propostas já apresentadas para incrementar a economia da região, como, por exemplo, atrair outros tipos de indústria, como a naval ou ferroviária. A utilização maior do aço na construção civil, como em habitações sociais, é outra sugestão definida.




Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP







 

A TV Brasil, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), fez uma boa reportagem sobre as demissões na siderúrgica Usiminas, no polo industrial de Cubatão (SP). A empresa, cuja matriz fica em Ipatinga (MG), desativou toda a sua linha de produção de aço, o que pode significar, segundo o sindicato dos metalúrgicos local, quase quatro mil dispensas diretas dessa categoria. Os engenheiros também estão sendo atingidos pelo corte. O presidente da Delegacia Sindical do SEESP na Baixada Santista, Newton Guenaga Filho, informa que, até o momento, 53 profissionais já fizeram suas homologações na entidade, podendo chegar a 100 o número total.

A Usiminas, antiga Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), privatizada em 1993, se transformará em laminadora e operadora portuária. O presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio Resende de Sá, não aceita a justificativa da empresa de que a medida se faz devido à crise. “Para nós, ela vem programando isso desde 2011, quando deixou de investir no seu setor de produção de aço”, denuncia.

Já Guenaga lamenta que a empresa tome uma atitude tão radical sem levar em conta o trabalhador e a região da Baixada Santista. Como forma de minimizar as consequências, os dois sindicatos tentaram estabelecer um diálogo direto com a empresa e, depois, com a mediação do Ministério Público do Trabalho em Santos, mas sem sucesso. “A empresa não apresentou dados que mostrem as dificuldades que ela alega estar passando. Faltaram transparência e diálogo sincero em todo esse processo provocado pela Usiminas”, lamenta o dirigente dos engenheiros.

Confira, a seguir, a reportagem da TV Brasil da EBC:


 

 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP







O Fórum Cresce Baixada está convocando todas as entidades integrantes para uma plenária no dia 11 próximo, às 16h, na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracomos), que fica na Rua Júlio Conceição, 102, Vila Mathias, em Santos. O presidente da Delegacia Sindical do SEESP na Baixada Santista, Newton Guenaga Filho, avalia que a situação da região precisa ser bastante avaliada após as demissões na empresa Usiminas, do polo industrial de Cubatão. Ele receia ainda o “efeito dominó” dessas dispensas com reflexo em outras atividades econômicas locais.

O movimento Cresce Baixada foi organizado com o objetivo de reunir a mesma mesa de debate os setores público, empresarial, social e os trabalhadores. Para tanto, já definiu uma série de sugestões, como a da implementação de estaleiros navais, de indústria ferroviárias e até a utilização do aço em programas populares de habitação.


 

Imprensa SEESP








Iniciadas na manhã de terça-feira (19/01), as demissões de trabalhadores do quadro fixo da Usiminas, em Cubatão, continuam nesta quarta-feira (20). A empresa suspenderá todas as atividades primárias de produção de aço até dia 31 e manterá em funcionamento apenas o setor de laminação de chapas de aço, que serão adquiridas de outras siderúrgicas.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio Rezende de Sá, o Sassá, informações ainda não confirmadas pela Usiminas indicam que, em dois dias, serão feitas, ao todo, 600 demissões.

''Estivemos hoje com representantes da empresa. No começo da manhã, já sabíamos de 30 dispensas, mas isso ainda não é oficial. A previsão que nos deram foi de que, entre ontem e hoje, seriam feitas 600 demissões. Um balanço deve ser feito no final do dia''. Assim como na terça-feira, os trabalhadores dispensados fazem os exames demissionais e são levados para casa de táxi.

Primeiro dia
Na terça-feira, foram demitidos os primeiros 450 trabalhadores, entre eles alguns que estavam há quase 30 anos na siderúrgica e começaram a trabalhar quando a empresa ainda se chamava Cosipa.

As dispensas começariam em 31 de janeiro, mas, como ocorreram problemas com o funcionamento do Alto-Forno 2 na passagem do ano, a Usiminas optou por antecipar o desligamento e iniciá-lo já na segunda-feira (18), liberando os primeiros avisos de demissão.

Do quadro atual, estimado em cerca de 4.200 trabalhadores diretos, permanecerão empregados na usina – dependendo do comportamento do mercado – cerca de 2.400. Oficialmente, a empresa atribui as dispensas à crise no mercado siderúrgico mundial e à concorrência da importação do mercado de aço chinês, a preços mais baixos.

Resposta
Em novo comunicado enviado nesta quarta-feira (20), a Usiminas reforçou que os desligamentos são ''consequência do ajuste em sua capacidade produtiva previamente anunciado''. Além disso, informou que ''após nove reuniões de negociação com os sindicatos e o Ministério Público do Trabalho, a empresa decidiu oferecer um conjunto de benefícios extras ao empregados desligados: manutenção dos planos de saúde e odontológico por 3 a 6 meses; opção por auxílio-alimentação por até 4 meses ou retorno de férias correspondente a 20 dias de trabalho; pagamento de contribuição previdenciária por três meses; seguro de vida por até quatro meses; prioridade na recontratação quando da reativação dos equipamentos e treinamentos para recolocação profissional, além de cartas de recomendação''.

Ainda em nota, a empresa declarou que os desligamentos seguem o cronograma de desativação dos equipamentos e, para minimizar o impacto da medida e reduzir o número de demissões, realizou um estudo e vai redirecionar cerca de 300 empregados para outras atividades na usina.

''Com isso, o número de empregados diretos a serem desligados foi reduzido para um total de 1.800. Estão sendo priorizados empregados que já possuem alguma renda, como aposentados e trabalhadores já em condições de se aposentar''.

A siderúrgica justifica que ''o consumo de aço no Brasil despencou 16,7% em 2015 em relação a 2014, que por sua vez já havia sido 6,8% menor do que em 2013. Os dados oficiais são do Instituto Aço Brasil. Já o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA) divulgou ontem que as vendas de aços planos na rede de distribuição registrou em 2015 os piores patamares desde 2006 e que, para 2016, espera uma queda de 5% de Diante desta crise sem precedentes, a Usiminas não teve alternativa senão ajustar sua capacidade de produção à realidade do mercado''.

 

Usiminas 20JAN2016
Confira reportagem da TV local aqui

 

Fonte: Jornal A Tribuna de Santos/Com informações de Manuel Alves Fernandes

 

 

 

 

 

 

 

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