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16/06/2026

Novo Cresce Brasil é lançado com propostas a um ciclo de expansão econômica sustentável

CONTEÚDO ESPECIAL

Soraya Misleh/Comunicação SEESP

 

Evento aconteceu no Auditório do SEESP, na Capital, neste 15 de junho. Sob o tema “Rumo a um ciclo de expansão econômica sustentável”, nova edição celebra 20 anos da iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) com adesão de seus 18 sindicatos filiados, inclusive o paulista. Documento reúne propostas voltadas ao aproveitamento das potencialidades nacionais frente aos desafios do século XXI. No centro da discussão, o papel a ser assumido pelo País na era digital e em meio à crise climática.

Murilo Pinheiro apresenta nova edição do “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Fotos: Alexandre Coronato“Não estamos hoje apenas lançando uma publicação. Estamos renovando um compromisso assumido há 20 anos: o de colocar o conhecimento técnico da engenharia a serviço do desenvolvimento nacional.” Assim Murilo Pinheiro, presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do SEESP, abriu a atividade de lançamento da nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, o qual teve início em 2006 e vem sendo atualizado desde então.

 

O evento teve lugar no Auditório do SEESP, na Capital, na manhã do último dia 15 de junho. Sob o tema “Rumo a um ciclo de expansão econômica sustentável”, a iniciativa da FNE, com adesão de seus 18 sindicatos filiados, inclusive o paulista, traz propostas voltadas ao aproveitamento das potencialidades nacionais, frente aos desafios do século XXI. São, portanto, centrais na discussão a era digital e a crise climática.

 

Ao lançar oficialmente a nova edição, Murilo enfatizou: “O mundo atravessa uma transformação histórica de enorme profundidade. A revolução digital, a inteligência artificial, a automação avançada, a transição energética, as mudanças climáticas e a reorganização das cadeias produtivas globais estão alterando as bases sobre as quais as nações constroem sua competitividade e sua soberania.” Na sua análise, as regras do jogo estão sendo reescritas globalmente e a engenharia, assim como ocorreu historicamente, mais uma vez é convocada a desempenhar seu papel central e se torna ainda mais estratégica.

 

Nesse sentido, ele chamou à reflexão pautada pela edição comemorativa do “Cresce Brasil”: “Qual será o nosso lugar nessa nova realidade? Seremos protagonistas ou espectadores? Produtores de conhecimento ou apenas consumidores de tecnologia? Transformaremos nossas riquezas naturais em desenvolvimento sustentável ou continuaremos exportando matéria-prima e importando inteligência?”

 

Lições do passado, rumo ao País do futuro

 

Autoridades, especialistas, engenheiros e dirigentes sindicais de todo o Brasil prestigiam edição comemorativa dos 20 anos do projeto da FNE.Murilo lembrou que em 2006, quando a FNE inaugurou o projeto “Cresce Brasil”, o clima era de grandes expectativas, “com confiança na capacidade do País de crescer, gerar empregos, ampliar investimentos e reduzir desigualdades”.

 

Naquele momento, conforme o presidente da entidade, houve a percepção de que a engenharia brasileira tinha muito mais a oferecer do que soluções técnicas. “Tinha condições de contribuir para a formulação de um projeto de nação, e o ‘Cresce Brasil’ trouxe uma visão que contribuiu muito com isso, inclusive, e com muito orgulho, sendo um precursor do PAC 1 [Programa de Aceleração do Crescimento].

 

Ao longo das duas décadas, como expressou, o projeto se consolidou como “uma das principais iniciativas da sociedade civil organizada voltadas à reflexão sobre o futuro do País”. “Reuniu especialistas, promoveu debates, produziu diagnósticos e apresentou propostas factíveis para enfrentar gargalos históricos e aproveitar oportunidades estratégicas, sabendo que desenvolvimento não é resultado do acaso e sim consequência de planejamento, investimento, conhecimento, trabalho qualificado e capacidade de execução”, detalhou.

 

E concluiu: “Talvez essa seja uma das maiores lições desses 20 anos: nenhum país se torna desenvolvido por obra do mercado sozinho; não alcança soberania tecnológica sem estratégia; não constrói infraestrutura, fortalece sua indústria, reduz desigualdades e melhora a qualidade de vida de sua população sem um projeto nacional claramente definido.”

 

Coordenador técnico do projeto “Cresce Brasil”, Carlos Monte também reivindicou esse legado, observando as grandes contribuições ao País que a iniciativa apresentou, ao reunir consultores de excelência. Com essa expertise, atesta que os engenheiros têm a oportunidade de fazer frente aos desafios atuais. “A questão da soberania é a nova quadra da realidade mundial, e o desenvolvimento está no nosso pensamento fundamental.” Para ele, o projeto “Cresce Brasil” deve ter continuidade e seguir “impregnando” a sociedade com essas informações.

 

Questões determinantes

 

Carlos Monte (à esquerda) e Fernando Palmezan.Dividida em três partes – indústria, soberania e valorização profissional –, a nova edição abrange 12 notas técnicas elaboradas por consultores altamente qualificados em suas áreas de atuação. Nelas, são apresentadas propostas às seguintes questões determinantes a um novo ciclo de expansão econômica sustentável: engenharia no novo ciclo industrial; economia verde; inovação e P&D; indústria aeronáutica; matriz energética; recursos hídricos; agricultura e segurança alimentar; autonomia digital; terras raras; ensino de engenharia e formação tecnológica; carreira pública de Estado para engenheiros; valorização profissional e combate à precarização.

 

Fernando Palmezan, coordenador-geral do “Cresce Brasil”, informou ao lançamento que os temas foram definidos em reuniões da diretoria da FNE com a participação de seus 18 sindicatos. “São de suma importância. Destacaria a educação na engenharia, um debate muito caro, além de todos os outros, bastante importantes”, afirmou.

Ao abranger tais temas, uma das mensagens centrais da edição, de acordo com Murilo, é “a necessidade de fortalecer a capacidade brasileira de criar tecnologia, produzir conhecimento e agregar valor a sua produção”.

 

O Brasil, reforçou ele, possui ativos extraordinários, biodiversidade, recursos minerais estratégicos, matriz energética privilegiada, universidades de excelência e centros de pesquisa respeitados internacionalmente. “Nosso governo nos deve uma política educacional, industrial e planejamento de longo prazo – não de gestões, mas de nação. Para nos transformar em tudo que podemos ser, precisamos de valorização do conhecimento técnico e dos profissionais responsáveis por transformar ideias em realidade”, salientou, o que abarca também resposta aos desafios trazidos pelas mudanças nas relações do trabalho.

 

“No caso da engenharia, essa discussão assume relevância ainda maior, pois não é aceitável que uma profissão responsável por projetar e operar infraestruturas essenciais à sociedade continue enfrentando situações de desvalorização profissional e deixando grandes talentos irem para outros países. Por isso, a FNE continuará defendendo o salário mínimo profissional, a valorização da categoria, o fortalecimento da engenharia pública e a criação da carreira de estado para engenheiros”, frisou Murilo, ressaltando que esta é uma necessidade nacional, não reivindicação corporativa.

 

Visão das autoridades

 

Representantes das três esferas de governo, Paulo Teixeira, Marcos Penido e Coronel Ricardo de Mello Araújo, a partir da esquerda.Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira relembrou a enorme contribuição do “Cresce Brasil” desde seu início em 2006.

 

“Naquela época o governo federal aproveitou as ideias e lançou o PAC. Como resultado, o Brasil teve grande crescimento entre 2007 e 2010, de 8%, 9% ao ano, e conseguiu enfrentar a crise internacional.”

 

Teixeira afirmou a importância de sua atualização diante da “revolução para a economia digital, da inteligência artificial” e dos desafios à soberania.

 

“O Brasil precisa fazer a transição e acelerar a reindustrialização do País, não aceitar ser exportador de minérios, mas utilizá-los para erigir sua indústria de semicondutores”, indicou.

 

Marcos Penido, representando o secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação de São Paulo, Marcelo Cardinale Branco, ratificou a importância da engenharia nacional para o desenvolvimento e defendeu a necessidade de planejamento de médio e longo prazo para tanto. “Precisamos de um crescimento consolidado, sustentável, através das cabeças da engenharia.” Ele concordou ainda com a visão expressa no “Cresce Brasil” de transformação das terras raras não em commodities, mas “em grandes oportunidades para o Brasil saltar ao lugar que merece”.

 

Os consultores da nova edição do projeto “Cresce Brasil”, juntamente com os coordenadores e o presidente Murilo Pinheiro. Ao fundo, a mesa com autoridades e personalidades.Na mesma direção, o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo de Mello Araújo, enxerga no “Cresce Brasil” um “terreno extremamente fértil para produção de excelentes políticas públicas”. E observou a demanda por ampliar a parceria com a Prefeitura da Capital com os engenheiros, que “trazem projetos que podem ajudar muito a sociedade e por vezes são subutilizados”.

 

Assim, sublinhou: “Queremos fazer parte, estar mais integrados, para ajudar nossa cidade a ficar cada vez melhor.” Na sua ótica, esse maior envolvimento é necessário, pois desses “terrenos férteis surgem boas ideias”, destacando um dos temas abordados na nova edição, a educação na era digital, voltada à inclusão.

 

Coronel Mello ressaltou ainda a importância de o País deixar de ser mero importador de produtos de alto valor agregado e exportador de matérias-primas. “O Brasil detém 23% das terras raras no mundo e não a utilizamos para a produção tecnológica. Precisamos vencer esses obstáculos e buscar um equilíbrio sustentável.”

 

Já o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Ricardo Teixeira, foi categórico: “Vivemos uma encruzilhada. Vamos continuar importando tecnologia e exportando matéria-prima? Quem tiver tecnologia e engenharia ao desenvolvimento vai comandar a economia do mundo.” E convidou também à reflexão: “Para onde estamos apontando? Que país queremos ser?”

 

Os vereadores Ricardo Teixeira e Eliseu Gabriel (à direita).O vereador paulistano Eliseu Gabriel disse que a iniciativa da federação o anima e mostra que o Brasil tem chance. Na sua ótica, é preciso desfazer o nó da financeirização da economia para alcançar investimento produtivo e assegurar planejamento. “O Estado precisa assumir sua responsabilidade”, conclamou.

 

Presidente da Comissão da Transição Energética da Câmara, o deputado federal Arnaldo Jardim enfatizou que o documento da FNE lhe dá “esperança” de que neste processo eleitoral se discutam ideias, rumos e projetos que identifiquem caminhos ao Brasil. Como de praxe, a publicação será apresentada aos candidatos a Presidente e demais cargos majoritários no próximo pleito geral.

 

Jardim listou iniciativas a partir do Congresso, de sua autoria, que tiveram a colaboração da federação. Dentre elas, a Lei do Combustível do Futuro, voltada à mobilidade sustentável. Um dos consultores da nova edição, o deputado é autor da nota técnica “Terras raras: insumo estratégico para o desenvolvimento” e trouxe a concepção que norteia o “Cresce Brasil”: “Nós, engenheiros, acreditamos que se pode constituir estratégias públicas e perenes de projetos de Estado. Adoramos planejamento e previsibilidade.”

 

Antônio Corrêa de Lacerda (à esquerda) e o deputado Arnaldo Jardim. Assessor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista Antônio Corrêa de Lacerda lembrou ainda outros projetos que se referenciaram no projeto da FNE. “Além do PAC 1, a NIB [Nova Indústria Brasil] e o Plano de Transição Ecológica.”

 

Consultor do “Cresce Brasil”, ele reiterou o quadro de grandes transformações e desafios com a crise climática e a era digital, além de acontecimentos geopolíticos. Uma das mudanças que constata é “na visão tradicional da globalização, em que se poderia produzir de qualquer lugar”. E explicou: “Hoje há necessidade de localização da produção, para garantir segurança no fornecimento. E isso representa uma grande oportunidade para o Brasil, uma das dez maiores economias do mundo. Precisamos dar o salto nesse novo contexto.”

 

Parceria com a academia

 

Ricardo Belchior Torres e Roseli de Deus Lopes.Roseli de Deus Lopes, professora titular da Escola Politécnica (Poli-USP) e diretora do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA), focou a parceria com a academia para o projeto avançar. “Há muito por fazer, muitos desafios, e a Poli, instituição centenária, quer contribuir para acelerar esse processo. Também podemos colaborar com essa discussão por meio do IEA, trazendo jovens de todas as idades”, apresentou. Ela também falou sobre a importância de “encantar as crianças” para a engenharia.

 

Vice-reitor de Ensino e Pesquisa da Fundação Educacional Inaciana (FEI), Ricardo Belchior Torres evidenciou a importância disso: “Hoje tem 1,2 milhão de engenheiros formados no Brasil, 930 mil deles registrados no Sistema Confea/Crea. A China forma 1,4 milhão por ano.” No País os últimos dados preocupam: houve, conforme ele, queda de 23% no número de graduados; na civil, alarmantes 54%. “É necessário trabalho conjunto com FNE, Creas, poder público para incentivar os jovens à engenharia. A FEI está à disposição para isso”, asseverou.

 

Empresas e trabalhadores

 

Da esquerda para a direita, Ricardo Patah, Marcelo Braga e Newton Cavalieri.Presidente do Conselho de Serviços da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio), Marcelo Braga destacou a valorização profissional no “Cresce Brasil”, mencionando a importância do engenheiro como precursor do desenvolvimento.

 

Newton Cavalieri, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), também saudou a iniciativa: “Resume o trabalho de 20 anos da engenharia, de planejamento, estudos e proposições importantíssimas ao desenvolvimento e à qualidade de vida de todos nós, brasileiros.”

 

“O Brasil tem que deixar de ser o país do futuro. Atividades como esta sinalizam essa oportunidade. Se todos estivermos juntos e solidários, colocarmos de forma unificada este projeto, vamos passar a ser o país do presente. Viva os engenheiros do Brasil!”, concluiu Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

 

Assista na íntegra ao lançamento da nova edição do “Cresce Brasil”:

 

 

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