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Boas perspectivas de trabalho no setor de saneamento

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Deborah Moreira

 

Estação de Tratamento de aguaEstação de Tratamento do tipo aberta. / Foto: Environ Quip Divulgação

Há um vasto mercado de trabalho aberto aos engenheiros nas quatro grandes áreas do setor: abastecimento de água potável; esgotamento sanitário; limpeza urbana e resíduos sólidos; e sistemas de drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Este conjunto abarca, como lembra o professor titular aposentado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), João Sergio Cordeiro, com larga experiência no setor, "requisitos mínimos para que haja garantia da saúde pública, bem-estar, funcionamento e salubridade nas cidades". A ampliação de oportunidades é vislumbrada por especialistas em função das demandas represadas nos últimos anos. 

 

O marco legal do saneamento (Lei 14.026/2020) foi regulamentado por decreto assinado em dezembro último. Apesar de diversos problemas apontados por especialistas do setor, define as regras para que estados e municípios adaptem seus projetos de engenharia. Não obstante, o presidente do Conselho Deliberativo da Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp), Reynaldo Eduardo Young Ribeiro, lembra que ainda serão necessários outros decretos estaduais e municipais para que os novos modelos propostos, que incluem a iniciativa privada, sejam colocados em prática. 

 

Para os pequenos e médios municípios, o marco legal prevê que se agrupem em blocos regionais que deverão ser desenhados por meio de legislações específicas. Young acredita que a proposta dará maior acesso ao saneamento, desde que as regras sejam bem definidas. Porém, lembra que não é algo absolutamente novo no País. Em 2004 houve a Lei dos Consórcios para fomentar investimentos à eliminação dos lixões e criação de aterros sanitários que atendem diversas cidades próximas.

 

reynaldo youngReynaldo Young: mais acesso ao saneamento, desde que regras sejam bem definidas. Foto: Acervo pessoalHá muito trabalho a ser feito. Segundo o Instituto Trata Brasil, apesar de a proporção de municípios com serviço de esgotamento sanitário ter passado de 47,3% em 1989 para 60,3% em 2017, o País ainda está no século passado, quando o assunto é saneamento. Quase 46% dos brasileiros ainda não têm acesso à coleta de esgoto, o que representa praticamente 100 milhões de pessoas. Cerca de 35 milhões ainda não possuem acesso à água tratada. 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que dos 5.568 municípios em todo o País, apenas 62,8% tratavam o esgoto em 2017, sendo o menor índice na região Nordeste (51,2%) e os maiores no Centro-Oeste (94,4%) e Sul (71,7%). 

Além de não conseguir alcançar a universalização, há muitos outros problemas, como desperdício de água elevado e emissão de resíduos poluentes nos rios e mares, como o lodo, cujas soluções começam a ser discutidas somente agora, segundo Cordeiro. Já a perda hídrica no Brasil é da ordem de 48% a 50%, questão debatida há 50 anos, sem que nada tenha sido feito para modificar tal quadro.

 

“Esse atraso traz consequências atrozes em termos de saúde, meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento. Como resolver? Costumo dizer que não existe solução carimbo. Cada cidade tem sua especificidade. Para perceber isso precisa ter uma visão mais sistêmica dos processos”, explica Cordeiro.

 

Gestão eficiente

professor cordeiroJoão Sergio Cordeiro: nicho importante é gestão. Foto: Acervo pessoal

Segundo ele, o novo marco legal possibilitará a expansão de um nicho importante e maior problema enfrentado no setor: gestão eficiente. “Temos técnica, temos uma nova lei para obter financiamento do setor privado, mas é preciso um bom gestor, senão fica difícil. O profissional que se especializar nisso terá um amplo mercado pela frente”, acredita.

 

Nessa direção, Young cita um conceito que vem ganhando força no universo corporativo usado para medir as práticas sustentáveis de uma empresa: Environmental, Social and Governance (ESG, em português, Ambiental, Social e Governança). "ESG tem tudo a ver com saneamento, que é meio ambiente, quando estamos tirando águas dos mananciais, devolvendo os resíduos tratados para os rios e mares, acabando com os lixões e fazendo aterros sanitários. Também é social, quando prestamos serviço à população, incluindo-a no sistema, com qualidade; e é governança, quando a gestão é bem feita, tem-se investimento com resultado, não deixando obras paralisadas, pela metade. O setor de saneamento é ESG na veia", destaca.
 

Adriano Gama, consultor da Gama Consultoria, contudo, observa lacuna importante para gestão eficiente: “Converso com pessoas da área privada e percebo quanto falta de formação." Na sua ótica, mão de obra qualificada e investimento são os principais desafios da área: 

Ele lembra que no momento de implantação da lei, o País enfrenta crise hídrica, e é preciso atuar pensando nessa situação de forma permanente, investindo também para conter perdas no setor. "Teremos que trabalhar tudo ao mesmo tempo, as empresas vão ter que contratar mais gente. Nesses primeiros anos haverá uma fase de transição, porque será preciso fortalecer as agências reguladoras”, diz.

adriano gamaAdriano Gama: mercado aquecido nos próximos anos. Foto: Acervo pessoalTanto Gama quanto Young apostam que os próximos anos serão aquecidos pela empresas privadas. No entanto, depois, será necessário haver novos aportes econômicos estatais. "Na minha opinião, não depende só do gestor, mas também de incentivos do governo estadual e federal. Temos muito que avançar ainda também em bons projetos de saneamento, que sejam factíveis. Não adianta ter um projeto bom tecnicamente, mas o custo ser elevado. Ele tem que reunir o fator 'Teja: técnico, econômico, jurídico e ambiental'", completa o consultor.
 


Capacitação

Para sanar as deficiências na formação do profissional do setor ou dos que querem ingressar, o SEESP e o Grupo Allevant oferecem a partir de agosto próximo, no período noturno, o curso “Engenharia e gestão no saneamento utilizando ferramentas BIM". Totalmente online, com aulas ao vivo, está dividido em quatro módulos independentes, que são exatamente as quatro áreas do setor. O interessado pode adquirir o curso completo e obter uma visão geral de todas elas ou somente o módulo que atender melhor suas necessidades e expectativas.

"A intenção é preencher lacunas deixadas pela graduação e mesmo pós-graduação. É algo mais chão de fábrica, mais do dia a dia, com a conceituação necessária para que possamos resolver os problemas de saneamento. E aplicando a ferramenta BIM quando necessário", explica o professor Cordeiro, diretor pedagógico do Grupo Allevant e coordenador do curso. E pontua: "O engenheiro que trabalha com saneamento tem que entender que ele faz parte de um sistema de saúde também.”

Nessa direção, entre as qualificações elencadas por ele, estão "olhar sistêmico na busca por soluções para problemas em cada localidade; absorção de conhecimento sobre as questões decorrentes da falta de oferta de qualidade; elaboração de programas de gerência em sistemas de saneamento básico e ambiental; utilização de algumas ferramentas BIM adotadas pelas principais empresas de saneamento".


Serviço:
Engenharia e gestão no saneamento utilizando ferramentas BIM
Início previsto: agosto de 2021
Informações pelo Whatsapp: (16) 99769-6344
Mais informações neste link


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