João Guilherme Vargas Netto
Absorvidos nas tarefas prioritárias de mobilizar as pessoas para votarem certo nas eleições, não registramos a divulgação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na taxa de sindicalização em 2025 (8,8%), mantida estável em relação à de 2024 (8,9%).
Recapitulemos: a taxa de sindicalização, que é a porcentagem de trabalhadores sindicalizados em toda a mão de obra empregada, apresentou neste século, no Brasil, uma tendência quase constante de queda (começando com 16%-18% e caindo sempre, mais aceleradamente após 2016, chegando a 8%).
Até que, para surpresa de muitos, em 2024 a queda transformou-se em subida, interrompendo o ciclo descendente. A manutenção em 2025 de praticamente a mesma taxa do ano anterior confirma uma possível retomada de vitalidade sindical na recomposição dos participantes.
Vitalidade que foi também manifestada na luta contra a escala 6 x 1. Desencadeada a partir das reclamações de um atendente de farmácia, nascido no Tocantins, Rick Azevedo, criador do VAT (Vida Além do Trabalho), eleito vereador pelo PSOL no Rio e agora deputado federal, foi transformada em Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pela deputada Erika Hilton.
A justa reivindicação foi encampada pelo governo e pelo movimento sindical, historicamente favorável à redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Tornou-se um clamor nacional que teve eco na Câmara Federal e agora no Senado com tanta força que fez até quem era contra votar a favor.

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical
Foto: Beatriz Arruda-Acervo SEESP






