Soraya Misleh/Comunicação SEESP
Com a presença de dezenas de lideranças, representantes de cerca de 30 entidades da sociedade civil brasileira, além de pesquisadores e especialistas, aconteceu na tarde desta quinta-feira (23/9), na sede do SEESP, na Capital, plenária de articulação da campanha “Salvemos a Guarapiranga”.
Ao final, foi lançado manifesto a ser entregue ao Governador do Estado, aberto a novas adesões de organizações e personalidades, o qual demanda por proteção à represa, garantindo segurança hídrica, recuperação ambiental e compromisso com resultados. No encontro, foi ainda aprovado por unanimidade o nome do engenheiro Fernando Gomes, membro do Conselho Assessor de Saneamento do SEESP, como coordenador da campanha.
Da esq. para a dir., Paulo Massoca, Ivan Maglio, Fátima Blockwitz, Fernando Gomes e Gilberto Natalini. Fotos: Rita Casaro
Representando o presidente do sindicato, Murilo Pinheiro, a diretora Fátima Blockwitz expressou o apoio da entidade à iniciativa, destacando que a situação da represa e a importância de ações pela sua recuperação ambiental e proteção têm sido objeto de discussões no Conselho Assessor de Saneamento, o qual também integra.
O sindicato tem muito a contribuir. Como observou ela, que é presidente da Subsede do SEESP em Sorocaba e engenheira da Sabesp, a entidade tem elaborado diagnósticos e soluções técnicas em prol da qualidade de vida nas cidades e desenvolvimento sustentável no País, em diversos setores, inclusive no saneamento. Como resultado, propostas factíveis encontram-se reunidas no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) com adesão do SEESP, lançada há 20 anos e que segue sendo atualizada.
Sob essa ótica, Blockwitz abriu a plenária ensejando “que possamos dar um direcionamento e cobrar [o poder público] para daqui a algum tempo dizer: conseguimos salvar a Guarapiranga”.
A situação da represa
Intitulado “Salvemos a Guarapiranga”, documentário exibido à abertura, produzido pelo cineasta Camilo Tavares, não deixou dúvidas quanto à grave situação a se fazer frente. A represa, que abastece 5,6 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo, convive com despejo de dejetos e esgoto, contaminação oriunda do desmatamento acelerado da Mata Atlântica e ocupação desordenada no entorno.
No documentário, Murilo Pinheiro enfatiza a importância de discutir tecnicamente as soluções e de unir forças para mudar esta realidade. “Que as autoridades tomem providências para eliminar o esgoto que está sendo jogado na Guarapiranga”, frisou.
Plenária no auditório do SEESP reúne dezenas de lideranças pela recuperação e proteção da represa Guarapiranga.
Em resposta a esse problema, que não é de hoje, foi aprovada em 2006 a Lei Estadual 12.233, que apresenta um modelo de gestão, em interface com a Política de Recursos Hídricos de São Paulo. No entanto, não tem sido cumprida, como enfatizou Paulo Massoca, presidente do movimento Engenharia pela Democracia (EngD), em sua exposição sobre essa norma e o arcabouço jurídico disponível como um todo. “A fiscalização integrada é pilar fundamental. É preciso reverter o passivo ambiental e exigir a aplicação da lei”, defende.
A norma em questão define a Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais da Bacia Hidrográfica do Guarapiranga (ARPM-G). Sua governança e a busca de segurança hídrica unem a todos, na visão do pesquisador Ivan Carlos Magno, o que abrange não apenas volume de água, mas também sua qualidade.
Diante do excesso de esgotos e nutrientes que chegam à represa e do crescimento das ocupações irregulares no entorno, com aumento de contaminantes e riscos ao abastecimento da população, ele foi categórico: “Não basta repetir os diagnósticos, mas transformá-los em responsabilidades, metas e resultados ambientais.”
Para Maglio, recuperar a Guarapiranga é estratégico à adaptação climática, regulação do microclima e recuperação da biodiversidade na Mata Atlântica. Diante da urgência de se alcançar esse objetivo, o pesquisador propugna, como agenda da campanha “Salvemos a Guarapiranga”, “atualizar informações, medir resultados, identificar prioridades, fortalecer a governança e construir compromissos”.
Confira nota técnica sobre a situação da Represa de Guarapiranga
“Ameaça real”
Ex-vereador e membro do Comitê de Mudanças Climáticas de São Paulo, Gilberto Natalini alertou para a “ameaça real” de perda da represa, “reservatório essencial para manter a cidade viva”. “Estamos chegando ao ponto de não retorno”, destacou.
Ele apontou desafios, como a necessidade de um programa habitacional conjugado, uma vez que a ocupação no entorno se deu a partir da necessidade de moradia, e a presença do crime organizado, que derrubou “1,5 milhão de árvores entre 2014 e 2020 por displicência dos governos municipal e estadual, chegando a produzir 50 mil lotes”. A partir de uma luta à qual se engajou, Natalini relatou que houve recuo do crime organizado: “Tem condomínios sendo derrubados até hoje.”
E explanou: “A situação é difícil. Precisamos nos unir para pressionar os governos municipal, estadual e federal. Tem lei, plano, solução técnica. Falta vontade política.” Massoca vaticinou: “O movimento ‘Salvemos a Guarapiranga’ é uma retomada e despertar da sociedade civil.”
Confira aqui o manifesto “Salvemos a Guarapiranga”.
Assista à plenária na íntegra:






