Comunicação SEESP*
Estudo do SEESP com base em dados do Censo da Educação Superior do governo federal aponta que dos 87.749 formados em engenharia no ano de 2024, 22.721 (26%) eram mulheres, ante 65.027 homens. A análise do sindicato serviu de referência a reportagem publicada na Folha de S. PauloFolha de S. Paulo, no último domingo (21/6), para demonstrar a ainda realidade da participação majoritariamente masculina na área.
Sob o título “Mulheres ainda são minoria na engenharia e relatam barreiras na formação e no trabalho”, a matéria evidencia que, embora tenha havido avanços nos últimos anos, ainda há muito a caminhar para assegurar equidade de gênero na profissão.
A reportagem traz entrevistas com jovens estudantes que revelam os desafios enfrentados por elas neste cenário. A graduanda em Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Thaís Santos, 24, foi uma das fontes ouvidas e apresentou tanto o impacto ao chegar à sala de aula com a desproporção entre mulheres e homens quanto a percepção de que precisaria de mais empenho do que seus colegas. “O que eu vou ter que fazer para me provar e competir de igual para igual?”, afirmou à Folha que questionou ao ingressar na faculdade em 2020.
Algo que a ajudou a reduzir o desconforto foi se deparar com outras mulheres, em cargos de liderança e docentes, contou à reportagem. Quando ela iniciou na Poli, Liedi Bernucci era a diretora, a primeira em 124 anos de história da Politécnica, traz ainda a matéria. Hoje tem em seu comando Anna Reali, a segunda no posto, o que evidencia que as antecessoras acabam por estimular a participação feminina e abrir caminho para as que chegam.
Gabriele Tres, 26, formada na modalidade civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), outra fonte ouvida pela reportagem, traz em sua vivência o exemplo: além dela, as duas irmãs mais velhas são engenheiras, enfatizou.
Presença em coletivos de mulheres e ações voltadas à diversidade nas universidades, como a Poli, também têm auxiliado a permanência nos cursos de engenharia, conforme também a matéria da Folha. Gabriele Tres, de acordo com o mesmo texto, presidiu o Diretório Acadêmico da Engenharia Civil durante a graduação. E reconheceu que ainda são poucas em papéis de liderança. “Mas faz parte do processo. Logo vamos ser muitas”, declarou à Folha.
Nessa trajetória de terem que mostrar que engenharia também é seu lugar e que podem ocupar os espaços que desejarem, as mulheres ainda enfrentam a discriminação inclusive nos postos de trabalho. É o que descreveu à reportagem a engenheira civil e de segurança do trabalho Pollyana Ferraz, 38, a qual contou ter sido demitida de um estágio sob a absurda justificativa de que mulheres na obra desconcentravam os trabalhadores. A profissional passou a adota uma postura mais firme, sentindo necessidade de se impor para se fazer respeitar.
Na busca para que situações como essa não continuem a se repetir e integrando as ações do SEESP por equidade de gênero e mais diversidade na profissão, o Núcleo da Mulher Engenheira do sindicato, criado em 2022, tem atuado para empoderá-las e fortalecê-las para garantirem seu lugar como protagonistas no trabalho e na sociedade.
Apesar de se reconhecerem avanços na presença feminina na área, ainda há muito por fazer, como demonstra a reportagem da Folha. Nesta terça-feira (23/6), em que é celebrado o Dia Internacional das Mulheres Engenheiras, é momento de reafirmar o compromisso nessa direção.
*Com informações da reportagem da Folha de S. Paulo / Imagem: Freepik






