Marcius Vitale
Confusão de fios em poste no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo: poluição visual e risco às pessoas. Foto: Rita CasaroNos últimos anos, temos testemunhado uma degradação das redes aéreas de telecomunicações em todo o País. Esse problema é resultado do desordenamento e da falta de critérios na sua instalação, o que compromete não apenas a estética urbana, mas também a segurança e a qualidade dos serviços prestados.
Por falta de procedimentos técnicos de engenharia adequados e um acúmulo de cabos, quem chega primeiro ocupa o espaço no poste, muitas vezes sem seguir qualquer critério.
Cabe ressaltar que, nos 500mm disponibilizados para a instalação de seis pontos de ocupação de cabos de telecomunicações, algumas elétricas pretendem liberar mais três, totalizando nove no limitado espaço determinado atualmente pela NBR 15.214 – Rede de Distribuição de Energia Elétrica – Compartilhamento de Infraestrutura com Redes de Telecomunicações.
Este fato com certeza irá complicar ainda mais o atual cenário; além do acúmulo de cabos e fios drop,
que polui visualmente as cidades, teremos um incremento nos riscos de acidentes envolvendo
trabalhadores das empresas de telecomunicações e a população diante do não atendimento às Normas Regulamentadoras NR 1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade, NR 35 – Trabalho em Altura e outras aplicáveis. Além disso, as manutenções das redes aéreas são custosas, e a qualidade dos serviços ofertados instáveis.
Buscando soluções
Para colaborar com a organização da infraestrutura aérea e subterrânea de telecomunicações, o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), por meio do seu Conselho Assessor de Telecomunicações, composto por notórios especialistas no segmento de infraestrutura, está atuando na formulação de soluções. Entre os estudos em andamento, que consideramos uma luz no fim do túnel, estão:
- realização de teste de campo em ambiente controlado para validação de estudos técnicos abordando o compartilhamento de infraestrutura aérea e subterrânea de telecomunicações, com a criação de novas topologias de projeto, utilizando práticas recomendadas pela boa engenharia;
- em Segurança do Trabalho, estudos para desenvolvimento de procedimentos a serem adotados para a minimização de acidentes em postes (zona não controlada) e no subterrâneo (trabalho em espaço confinado) em atendimento integral às normas regulamentadoras NR 1, NR 10, NR 33, NR 35 e outras aplicáveis;
- adequação e desenvolvimento de soluções técnicas de engenharia para a melhoria da infraestrutura de redes aéreas de cabos em poste, visando o atendimento às necessidades do 5G e 6G, assim como na implantação das cidades inteligentes e sustentáveis;
- estudos de novas tecnologias a serem adotadas nos projetos de infraestrutura de telecomunicações, como topologias de projeto utilizando fibras ocas, sistemas de monitoramento para localização de falhas em redes ópticas, Redes GPON para áreas densas, postes inteligentes etc.;
- sistemas avançados utilizando novas tecnologias e inteligência artificial para planejamento, projetos, cadastramento, compartilhamento, gestão de ativos, implantação, manutenção e fiscalização da infraestrutura de telecomunicações (cabos em postes e na rede subterrânea);
- utilização das atuais redes subterrâneas legadas com a retiradas de cabos metálicos inservíveis, liberando dutos e espaços nas caixas subterrâneas para novas redes, evitando desta forma a implantação de projetos com valas abertas;
- procedimentos a serem adotados para a migração da infraestrutura caótica de infraestrutura aérea para redes subterrâneas legais e ordenadas;
- projetos da infraestrutura de telecomunicações utilizando a tecnologia Building Information Modeling (BIM).
Sem padrão, não tem solução!

Marcius Vitale é CEO da Vitale Consultoria, presidente da Associação dos Diplomados do Inatel (Adinatel) e coordenador do Conselho Assessor de Telecomunicações do SEESP






