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Chegando aos 40 e se reinventando 

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 Rita Casaro 

 

O Jornal do Engenheiro teve sua primeira edição em janeiro de 1981. Em 2021, completa, portanto, 40 anos. Ao longo dessas décadas, a publicação se manteve viva e foi sendo aprimorada pelas diretorias e equipes de comunicação que se seguiram.

Em 2020, consolidado já há certo tempo, com bons projetos editorial e gráfico, pauta relevante e produção regular e de qualidade, o jornal sofreu uma interrupção de nove meses, causada pela pandemia do novo coronavírus. Após esse período simbólico de gestação, sua publicação é retomada agora com novo projeto editorial e em versão exclusivamente digital.


Esta edição marca a comemoração do seu quadragésimo aniversário e a perspectiva de uma longa vida futura contando a história da engenharia nacional e do movimento sindical de seus profissionais. 

 

   

Capas do JE ilustram a evolução em 40 anos. Vídeo: Jéssica Silva/Arte: Fábio Souza


JOSE: o movimento de renovação dá à luz o jornal do SEESP
JOSECapa 0Nascido na virada de 1980 para 1981, o JOSE – Jornal do Sindicato dos Engenheiros – foi criado para estabelecer um canal de comunicação com a categoria e prestar contas das atividades da entidade, conforme anunciava o número zero em editorial dirigido aos associados. Assim, nesse pré-lançamento, a publicação dava conta do esforço do “Movimento dos engenheiros pró-sindicalização”, que à época elevou o número de associados de 3.500 para 6 mil, visando disputar as eleições para a direção do SEESP. O processo foi exitoso, tendo levado à vitória a diretoria encabeçada por Horácio Ortiz, que representava a renovação do movimento sindical dos engenheiros.

O número zero também denunciava o arrocho que afetava o conjunto dos trabalhadores na forma da política salarial aprovada pelo Congresso e não deixava dúvida quanto à responsabilidade do então ministro Delfim Neto, ilustrado na capa.

 

Um dos grandes anseios do movimento de renovação, a efetiva ação sindical por meio das campanhas salariais, entrou em pauta na edição número 1, lançada em janeiro de 1981, que marca o início oficial do jornal. Também na estreia, o JOSE abordava questão que percorreria a história do jornal, estando presente até os dias de hoje: a luta contra a discriminação feminina, que foi tema do I Encontro de Mulheres Engenheiras e Arquitetas.



Jornal do Engenheiro entra em campo
Em sua 47º edição, que circulou em outubro de 1987, o nome da publicação mudou para Jornal do Engenheiro, título que permanece até hoje. Outra novidade na pauta era o anúncio da criação do Conselho Tecnológico do SEESP, estrutura que segue sendo fundamental para a entidade, responsável pela promoção de debates e produção de estudos sobre diversos temas relevantes para a engenharia, como são hoje a internet das coisas e a mobilidade urbana. Papel fundamental é ainda a escolha das Personalidades da Tecnologia.

MateriaLancConsTec1987


Vem, assim, seguindo a vocação que já se previa na matéria sobre seu lançamento e posse das cerca de 50 personalidades de variadas áreas que o compunham: “O objetivo do Conselho Tecnológico será acompanhar a política e o desenvolvimento tecnológico nacionais, auxiliando o SEESP a analisar as iniciativas governamentais e a propor questões pertinentes em cada setor.”

 

Na esteira dessa iniciativa, a preocupação com a ciência e tecnologia nacionais estaria presente nas edições seguintes do Jornal do Engenheiro de forma frequente e consistente.


A busca do projeto ideal para falar com a categoria
JECapa 77
Em março de 1993, em sua 77ª edição, o Jornal do Engenheiro ganha reforço de peso visando alcançar maior engajamento, a consultoria da Oboré, que tinha como sócios o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto e o jornalista Sérgio Gomes.

 

Nessa dinâmica, o layout é reformulado pelo artista gráfico Gilberto Maringoni, que passa a se encarregar das ilustrações e diagramação. Com capas coloridas, o Jornal do Engenheiro passou a se destacar esteticamente, rumo ao padrão que depois se consolidaria.


O projeto editorial também é revisto e são criadas as seções como “Benefícios”, divulgando os convênios firmados pelo SEESP para garantir descontos aos associados; “Poucas e boas do interior”, com as notícias das delegacias sindicais; e “Ponto a ponto”, com notas curtas. Há ainda empenho para que a periodicidade mensal seja cumprida, evitando-se o "devezenquandário". 

Nesse período, também foram editados os encartes especiais, que tratavam de temas centrais, como habitação, Engenharia de Segurança do Trabalho, geração de empregos, privatização,  o acordo do Mercosul então em discussão, meio ambiente e ferrovia.


Na edição nº 93, de junho de 1994, mais uma reformulação, agora tendo com mudança principal a marca. Essa seria alterada também em março de 1996, na edição nº 108.  Em agosto de 2000, a publicação passa a ser quinzenal e ganha novo logotipo, este mantido há 21 anos. Também a partir daí, as páginas do jornal foram paulatinamente ganhando cores até que o P&B fosse deixado de lado anos depois, em 2006.

 

LogosJESucessão de reformulações gráficas do JE até o chegar ao logotipo atual, mantido na versão digital.

 

 

 

Conselho Editorial faz a diferença
Segundo o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto, é provável que o SEESP seja a única entidade sindical a manter um Conselho Editorial voltado a pautar e dar os rumos da sua comunicação, especialmente do Jornal do Engenheiro. A ideia foi lançada no início de 1999 e ganhou solidez nos anos seguintes com a autonomia garantida pela direção da entidade a esse fórum composto por dirigentes, colaboradores e profissionais da equipe de Comunicação. Reunindo-se regularmente, o grupo, que tem como coordenadora a engenheira Célia Sapucahy, segue ativo em encontros virtuais devido à necessidade de distanciamento social. 

 ConselhoEditorial 2016Reunião do Conselho Editorial em março de 2016. (Fotos: Renato Becker e Célia Sapucahy)


Contando com essa importante estrutura, a partir do século XXI, o Jornal do Engenheiro também ganhou maturidade e foi cada vez mais se tornando um veículo essencial à categoria, traduzindo em suas páginas o tripé fundamental de atuação do SEESP: ação sindical, serviços e atendimento aos associados e contribuição ao debate sobre o desenvolvimento nacional. Este último ganharia destaque e tornaria o JE mais amplo e relevante a partir de 2006.

 

Desenvolvimento entra na pauta para valer
Num momento de crescimento econômico insuficiente para garantir os avanços necessários ao País e oportunidades aos engenheiros, o SEESP engajou-se fortemente ao projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). 

 

JE 286 2006


Desde então, o tema entrou como pauta permanente do JE, que cobriu todos os eventos da iniciativa e aborda a questão do desenvolvimento em seus diversos aspectos, envolvendo economia, infraestrutura de produção e urbana, ciência e tecnologia e meio ambiente em centenas de abordagens. 

 

Com a produção de matérias de peso dando conta dessas questões, assim como do mundo do trabalho e do mercado profissional do setor, e a cobertura do dia a dia da entidade e da categoria amplamente contemplada pelo portal e redes sociais, em janeiro de 2016, o JE volta a sua periodicidade mensal, mais apropriada à sua dinâmica editorial. 

 

Reinvenção: no caminho, havia uma pandemia 

No início de março de 2020, circulou a edição 537 do JE, dando sequência à série prevista para o ano eleitoral sobre as demandas da cidade de São Paulo. Em meados do mês, a pandemia do novo coronavírus já havia registrado a primeira vítima na Capital, e o distanciamento social se impunha como forma de prevenir a contaminação. Frente a essa situação, a produção da publicação impressa, que demandaria deslocamentos e contato físico, foi considerada inviável, e a direção do SEESP tomou a decisão de suspendê-la temporariamente.

 

Enquanto isso, os esforços da Comunicação da entidade voltaram-se à produção de conteúdos de qualidade, para o portal e redes sociais, que contribuissem com a disseminação de informações corretas sobre o tema que concentrava as atenções de todos. Na pauta, o papel da engenharia, ciência e tecnologia na prevenção, diagnóstico e tratamento da Covid-19 e prestação de serviços de utilidade pública. Profícuo, o empenho rendeu, entre inúmeras matérias, a divulgação do ventilador pulmonar Inspire, desenvolvido na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), e uma série abrangente sobre as vacinas em desenvolvimento e teste no Brasil, publicada em setembro último. 

 SuspensãoJEComunicado informava sobre a suspensão do JE a partir de março de 2020.

 

Sem que o País conseguisse controlar o alastramento da Covid-19, os períodos de quarentena e restrições às diversas atividades foram se sucedendo, adiando o retorno do Jornal do Engenheiro nos moldes antigos. Simultaneamente, a dinâmica digital foi acelerada e passou a se impor também para a ideia de retomada da publicação, que reestreia nesta edição 538, em formato exclusivamente eletrônico. Assim, o JE está de volta, reinventado e pronto a seguir na jornada iniciada há 40 anos. 

 


Manchetes e fotos que marcaram a história do JE


Soraya Misleh

 

Em quatro décadas, reúne-se uma coleção de manchetes e fotos que não deixam dúvidas quanto ao trabalho qualificado e profissional desenvolvido. A luta travada pelo SEESP em defesa dos direitos de seus representados, por exemplo ao cumprimento do salário mínimo profissional (Lei 4.950-A/66), vem de longe, como evidenciam diversas manchetes.

 

Também o engajamento em temas de interesse da sociedade, como a busca por soluções de problemas estruturais que já afligiam os paulistanos há 40 anos. É o caso das enchentes. O registro mostra que propostas técnicas factíveis e viáveis para essa e outras questões fundamentais à qualidade de vida não são novas.

 

Entre as muitas manchetes que traçam a trajetória atuante do sindicato seguem dez que se destacam:

 

“Engenheiros da Sabesp vão fazer a onça beber água” (JOSE no. 11, abril de 1982)

 

“O tombo dos salários na cascata do governo” (JOSE no.24, novembro de 1983)

 

“Embraer quer voar” (Jornal do Engenheiro no 78, abril de 1993)

 

“Elas são poucas, mas fazem barulho” (Jornal do Engenheiro no 101, março/abril de 1995).

 

“Clima: entre a vida no planeta e Wall Street” (Jornal do Engenheiro no 193,16 a 31 de julho de 2002)

 

“Privatização da Cesp: tenebrosas transações” (Jornal do Engenheiro no 281,16 a 31 de julho de 2006)

 

“Irmãos Rebouças: engenharia e abolicionismo” (Jornal do Engenheiro no 342,1o a 15 de maio de 2009)

 

 “No Carnaval paulista, samba, suor e tecnologia” (Jornal do Engenheiro no 358,16 de janeiro a 15 de fevereiro de 2010)

 

“Mariana: Quando a falta de engenharia torna-se tragédia” (Jornal do Engenheiro no 488, fevereiro de 2016)

 

 “A engenharia que tornou o Masp possível” (Jornal do Engenheiro no 522, dezembro de 2018)

 

O registro fotográfico também retrata mobilizações em prol dos engenheiros e a participação em lutas históricas que ocorreram no Estado e no País. Assim como ações para contribuir à garantia de habitação à população de baixa renda - como o Programa de Moradia Econômica (Promore), lançado pelo SEESP em Bauru no ano de 1988 e que já garantiu mais de 9 mil projetos no Interior do Estado. Também propostas para evitar desastres como o que ocorreu em Mariana (MG), entre muitas outras iniciativas. Clique aqui e confira as imagens escolhidas.

 


Quem fez ao longo da história

 

Muitos profissionais atuaram na comunicação do SEESP ao longo desses 40 anos e são parte dessa trajetória. A jornalista responsável pela edição do JOSE no. 1 era Sandra Balbi, que, ao lado do diagramador Cid Marcondes de Oliveira, deu vida ao projeto do jornal do sindicato. Sob a presidência de Horácio Ortiz (1980-1983) e coordenação de seu vice, Cid Barbosa Lima Jr., a publicação contava com a colaboração de vários engenheiros, bem como de distintos fotógrafos e ilustradores.

 

Oliveira deixou a comunicação do sindicato poucos meses depois, dando lugar a Juarez de Souza como diagramador e, em setembro de 82 (edição no.15), a Bosco Brandão, o qual assumiu a tarefa até 1987, quando o sindicato tinha no comando Allen Habert (1986-1989).

 

Sandra esteve no comando do JOSE até a edição no. 32, de agosto de 1985 – em meio à gestão de Antonio Octaviano (1983-1986), ano em que a redação já contava mais dois jornalistas, Jurema Souza e Osvaldo Higa, além de Michele Mifano na fotografia. No período, ainda, a equipe passou a contar com Sergio Palmiro nas ilustrações. Sandra infelizmente faleceu em 2019, mas seu legado segue vivo.

 

A partir da edição do JOSE no.35, de novembro de 1985, assume a comunicação, como jornalista responsável, Sydnei Monteiro. Um ano depois, notam-se mudanças na equipe. Passam pela redação no período e nos anos subsequentes nomes como Luiz M. Carvalho, J. C. Quintino, Orly Andrezzo, Ricardo do Nascimento Júlio, Marina Makiyama, Marcos Cripa, Maria José Basso. E na diagramação, Vinícius Garcia, Fúlvia Ducca, Edmundo de Moraes e Argeu Godoy (este último a partir de julho de 1988 até agosto de 1992). Na fotografia, Ronaldo Entler e Paulo Capocci também deixam seus registros.

 

À edição no.60, de julho de 1989, já como Jornal do Engenheiro, Jamila Natour assume a edição. Sob a gestão de Rutênio Gurgel Bastos (1989-1992), passam pela redação João Nunes, Cláudia Maria Garrido, Tito L. Caruso Bernardo e Denise Santiago. Em outubro de 1991, a partir da edição no.71, a equipe ganha o reforço da jornalista Lourdes Silva, que – já aposentada – permanece até 2020. O período marca também o início da colaboração com o jornal a partir das delegacias regionais. Nas fotos, Mônica Zanon e depois, Richard Romancini.

 

À gestão de Esdras Magalhães dos Santos (1992-1995), a publicação passa a contar na editoração gráfica com Angela A. de Azevedo e Ana Portes, bem como com projeto gráfico de Maringoni – o qual se mantém na equipe. E a partir de março de 1993, com as fotos de José Pinto. Um mês depois, a partir da edição no. 73, um novo salto com a jornalista Cátia Lassalvia e em maio do mesmo ano, Rita Casaro, que fica até 1995. O corpo da comunicação passa a contar também com o atual designer, Eliel Almeida dos Santos. Na função, ainda, deixam sua marca André Araújo e Tarcízio Sávio da Silva.

 

Na presidência de Ubirajara Tannuri Felix (1995-1998), a coordenação da comunicação é assumida por Fabíola de Souza Silva, que depois deixa o cargo para cuidar da assessoria de imprensa. Como apoio à redação, a equipe conta com Edmilson Rodrigues. Em 1996, Rita Casaro retorna como editora-chefe, função que exerce até a atualidade, e outra repórter se soma à equipe, Soraya Misleh – hoje editora-assistente e revisora.

 

Em 1997, a diagramação se consolida com a equipe atual, com a adição de Francisco Fábio de Souza. E na fotografia, Beatriz Arruda.

 

As bases para o Conselho Editorial nascem durante a gestão de Paulo Tromboni de Souza Nascimento (1998-2001), quando o JE passa de mensal a quinzenal. A diretora responsável é Célia Sapucahy.

 

A partir de 2001, com Murilo Pinheiro à frente, a equipe ganha adições importantes. O jornalista Kleber Gutierrez passa a atuar como free lancer para produção da coluna “Engenheiro XXI” até 2009.

 

Inicia-se outra etapa importante: oferecer oportunidades a estudantes de jornalismo. Vários estagiários passam pela redação, entre eles Cyro Soares, Matheus Santos Conceição, Luís Henrique Costa, Mauricio Hermann, Priscila Desidério e Monique Alves.

 

Lucélia Barbosa ingressa como estudante em 2004 e depois é contratada como jornalista – cargo que exerce até 2013, quando deixa enlutada a comunicação, após batalha contra o câncer.

 

Em 2012, a jornalista Rosângela Ribeiro Gil, que atuava na Delegacia Sindical do SEESP na Baixada Santista, vem somar à equipe do JE. Hoje exerce a função junto à área Oportunidades na Engenharia.

 

A partir de 2014, novos acréscimos, que se somam à equipe atual, comandada por Rita Casaro: as jornalistas Deborah Moreira e Jéssica Silva. Um ano depois, no apoio à redação, Pedro Henrique Santana.

 

Além das equipes que atuaram na redação do JE, a produção e distribuição do jornal sempre contou com o apoio das demais áreas do SEESP e seus profissionais. Entre esses, Antonio Valentim Hernandes, gerente de Ação Sindical, responsável pela contratação gráfica, e os integrantes da Expedição.

 

A todas essas mãos e cérebros que deram sua contribuição para que o JE chegasse aos 40 anos, o justo reconhecimento.

 

 

 

 

 

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