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Cresce Brasil – Engenharia de manutenção para evitar desastres

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“É preciso abandonar a precariedade e o improviso e, decididamente, implantar uma política de inspeção, conservação e manutenção permanentes no País.” A afirmação do presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) e do SEESP, Murilo Pinheiro, consta da apresentação da nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, iniciativa que vem sendo atualizada desde 2006.

 

Intitulada “Engenharia de Manutenção”, a publicação foi lançada oficialmente com o apoio da Mútua – Caixa de Assistência aos Profissionais do Crea em 17 de junho último, na sede do SEESP, na Capital. Em 75 páginas, reúne textos técnicos e análises de obras de artes, estruturas de barragens e a conservação das cidades, apresentando propostas factíveis para a melhoria dos serviços e prevenção de acidentes.

 

Dentre elas está a criação de uma Secretaria de Engenharia de Manutenção, ou órgão responsável pela área, em todas as esferas de governo. “Com inspeção periódica gastaríamos 5% do que foi utilizado na interdição do viaduto na Dutra”, exemplificou Murilo, mencionando a recente obra de reparo emergencial na estrutura que constitui o principal acesso da Marginal Tietê para a Rodovia Presidente Dutra, na cidade de São Paulo. Ele sugeriu que a nova edição do “Cresce Brasil” seja lançada em cada Estado do País, por meio dos sindicatos filiados à FNE e à Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), representada no ensejo pelo seu vice-presidente, Ubiratan Felix Pereira dos Santos, o Bira. “Vamos discutir com os secretários, prefeitos e governadores (...) Vamos mostrar que é possível fazer um trabalho mais eficiente e eficaz”, complementou Murilo.

 

Como informou o consultor Artur Araújo, a ideia da nova edição surgiu a partir de discussão sobre colapsos recentes de grandes obras, como as barragens que romperam em Mariana e Brumadinho (MG), além da queda de prédios e pontes na Capital. De seminário realizado pelo SEESP em abril último, com a presença de especialistas, constatou-se a carência de manutenção preventiva. As palestras embasaram a publicação, para Araújo, “a principal contribuição técnica e de divulgação dos engenheiros de um grave problema que assola não só o Brasil”.

 

Em nota técnica para a edição, ele aponta que a falta de manutenção nas obras de todo o mundo está relacionada à política de “contração expansiva”, em que há corte exacerbado de verbas públicas e, como consequência, o abandono em inspeções e reparos. Tal quadro demonstra, como ressaltou o coordenador do “Cresce Brasil”, Fernando Palmezan Neto, a importância do Estado como indutor de investimentos. “E temos que cobrar participação maior da engenharia nesse processo”, salientou.

 

 

Retomar protagonismo

Na visão da presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Distrito Federal (Crea-DF), Maria de Fátima Ribeiro Có, abordar engenharia de manutenção é proteger a sociedade. “No artigo primeiro da Lei 5.194/66 está que a profissão do engenheiro é caracterizada pelo interesse social e humano. Temos que nos lembrar disso”, frisou.

 

Carlos Saboia Monte, coordenador da consultoria técnica do projeto, colocou em questão as muitas obras paradas no País, que “também carecem de manutenção”. Contribui ao problema ainda, como observou, o fato de equipes técnicas estarem cada vez mais desfalcadas, sem profissionais qualificados.

 

“Faço parte de um grupo de pouco menos de 500 engenheiros e apenas em torno de 80 trabalham com manutenção na cidade de São Paulo”, contou Carlos Eduardo de Lacerda e Silva, consultor do “Cresce Brasil” e servidor da Prefeitura Municipal há aproximadamente 30 anos. Para Carlos Eduardo de Vilhena Paiva, representante do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), a engenharia está sendo deixada de lado em todos os atuais programas de governos. “Temos que lutar pela carreira de Estado”, ressaltou, citando o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 13/2013, que atende essa demanda da categoria. Retomar esse protagonismo em prol da sociedade está no centro do “Cresce Brasil”.

 

Nessa direção, Paulo Guimarães, diretor-presidente da Mútua, parabenizou a iniciativa e reforçou a importância de se apoiar projetos como esse, estimulando a engenharia de manutenção para que a profissão “como um todo seja respeitada”.

 

Participaram também do lançamento Antonio Florentino de Souza Filho, vice-presidente da FNE; Modesto Ferreira dos Santos Filho e Marcos Camoeiras Marques,  conselheiros federais do Confea e diretores da FNE; Paulo José Galli, secretário executivo dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, representando o titular da pasta, Alexandre Baldy de Sant´Anna Braga; além dos consultores da nova edição do “Cresce Brasil” Ciro Araújo, chefe da Seção de Engenharia de Estruturas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT); e Fernando Mentone, presidente da regional São Paulo do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco).

 

Confira a publicação em http://bit.ly/CrBR_EngManutencao

 

 

 

 

Por Jéssica Silva

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