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Entrevista – Sem limitação de gênero para os cargos, defende primeira diretora da Poli

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Eleita com 200 de 217 votos válidos e empossada em 21 de março último, Liedi Légi Bariani Bernucci é a primeira mulher a assumir a diretoria da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Formada em Engenharia Civil, mestre em Engenharia Geotécnica, doutora em Engenharia de Transporte e docente no Departamento da área na Poli, ela fica feliz em ser exemplo às mulheres engenheiras. “Não há limite de gênero para os cargos, estes estão aí para serem ocupados pela competência, pelo talento, pelo preparo”, defende. A Poli tem hoje 5.241 alunos de graduação, sendo 19% mulheres (1.018), 17 cursos e 445 docentes, afora os de pós-graduação e extensão. Na sua ótica, é missão dessa estrutura e de todas as escolas de engenharia do País “preparar recursos humanos motivados à transformação do nosso futuro”. Vice-diretora na gestão anterior, Bernucci é realista quanto aos desafios a serem enfrentados nessa direção, como explicita nesta entrevista ao Jornal do Engenheiro.

 

 

Quais são os objetivos da nova diretoria da Poli

Vamos pesar sucesso e possíveis problemas da nova estrutura curricular (EC-3inserir link), implantada há cinco anos na graduação. Estamos com a turma no último ano, então é o momento propício a uma avaliação crítica e a um aperfeiçoamento da grade. Em pós-graduação, queremos aprimorar os cursos que têm notas menores, embora não ruins, na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Visamos, ainda, incentivar programas de bolsas e mentoria, como o desenvolvido pela Associação dos Engenheiros Politécnicos de auxílio aos alunos com vulnerabilidades financeiras. Também pretendemos incentivar ao máximo os grupos de pesquisas. Temos um, por exemplo, em gás natural, composto por mais de 60 docentes, sendo 40 da Poli, com parcerias privadas e governamentais.

 

 

E quais são os atuais desafios da escola?

Temos que enfrentar a crise nacional, que atinge duramente a engenharia. Temos a concorrência externa e, ao mesmo tempo, as grandes empreiteiras passando por problemas de corrupção, de ética. Paralelamente, a universidade enfrenta uma crise interna, e há tempos precisa cortar gastos. Temos restrições orçamentárias de fato. Essa é nossa maior dificuldade, precisamos ser criativos e buscar diferentes soluções para financiar tudo o que a Poli faz. É muita coisa ao mesmo tempo. A engenharia brasileira precisa se reestruturar.

 

 

Como a Poli, que é referência no País, pode ajudar nesse sentido?

Podemos colaborar à reconstrução necessária da imagem da engenharia, com projetos e pesquisas que contribuem diretamente ao desenvolvimento e à possibilidade de aumento de riqueza (da sociedade). Outra parte é na formação sólida, com oferta de experiência no exterior. Não somente a Poli, mas as escolas de engenharia de modo geral, têm a missão de preparar recursos humanos motivados à transformação do nosso futuro.

 

 

Com esse objetivo, o SEESP criou o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), com uma linha de ensino voltada à prática, e oferece a graduação em Engenharia de Inovação. Qual sua opinião sobre iniciativas como essa?

São iniciativas importantes, que apontam para uma melhoria do profissional do futuro. A gente precisa reerguer a engenharia, e vai ser por meio desses jovens, desse novo recurso humano. A nova imagem da engenharia vai ser consequência do trabalho deles. Mas nada no ensino muda a curto prazo. E não somente na engenharia, mas toda a educação no País tem que ser bem fundamentada. Sem essa educação muito bem baseada, eu não acredito no crescimento econômico do Brasil, nem em melhoria de vida da população.

 

 

O que significa ser a primeira mulher na direção da Poli?

Eu fico muito feliz de abrir mais uma porta para o gênero feminino. Espero dar um exemplo positivo às mulheres, de que elas podem ocupar qualquer cargo da engenharia. Não há limite de gênero para os cargos, estes estão aí para serem ocupados pela competência, pelo talento, pelo preparo. A engenharia ainda é uma área mais masculina, mas do meu tempo de graduação para hoje vejo que está mudando. E a gente precisa realmente combater o preconceito, porque ele é inimigo para se melhorar, aperfeiçoar e progredir.

 

 

Nesse esforço, em 2017, alunas e professoras da Poli produziram um vídeo de denúncias de casos de machismo e violência contra a mulher na universidade, que teve a sua participação. São ações como essa que combatem o preconceito?

Sim. Hoje a juventude está alerta, e as mulheres denunciam, não se calam e não devem mesmo. Isso é muito positivo. Na minha época não tínhamos a quem reclamar. Algumas pessoas falam que a vida está chata, porque comentários preconceituosos que antes eram vistos como piadas são totalmente condenados. Não acho chato coisa nenhuma, é chato para quem estava acostumado a mandar em tudo. Para quem sofria preconceito, essa mudança é muito boa.

 

Por Jéssica Silva

Comentários   

# Engenheira civilMaida Ferreira 18-10-2018 11:48
Parabéns. Você é inspiração.
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