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OPINIÃO - Clima: receios e esperanças

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Geraldo Hernandes Domingues e Leonídio Francisco Ribeiro Filho

       A ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, deu nota 7,5 ao acordo obtido ao término da reunião da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o clima, realizada em Cancún, ao final do ano passado. Porém, o esperado pacto acabou não sendo firmado, repetindo-se o que aconteceu nos encontros anteriores. Ou seja, a esperança de se chegar a algo próximo a um tratado internacional que dê início a um processo de efetivo combate às mudanças climáticas ficou para a próxima rodada, que será realizada em Durban, na África do Sul, ao final de 2011.
        A nota, na realidade, reflete o otimismo gerado por, na última hora, ter se conseguido ao menos lançar as fundações para o futuro tratado. No entanto, é pouco. Não se registrou avanço nas questões mais difíceis, como a responsabilização dos poluidores, a criação de mecanismos de indenização aos países que sofram perdas permanentes e de proteção de recursos naturais e suas fontes de financiamento, assim como o controle da emissão de carbono pelas nações mais ricas. Tudo isso ficou para depois.
        Novamente, a recusa dos países mais desenvolvidos, sobretudo dos Estados Unidos, de enfrentar as consequências econômicas que resultariam de medidas mais efetivas leva ao adiamento da discussão dos temas mais significativos. Hoje, pode-se dizer que essa questão é o único óbice, uma vez que a engenharia, a ciência e a tecnologia já garantiram as soluções adequadas, restando apenas colocá-las em prática. Para tanto, falta disposição política para encarar as resistências do grande capital.
Uma ponta de esperança de que haja uma transformação vem do exemplo dado durante o evento Mangrove 2003, em Salvador, Bahia, no qual foi discutida a preservação dos mangues. Para surpresa geral, participava um representante do Estado da Baviera, da Alemanha. Perguntado sobre o porquê do interesse pelo tema, ele afirmou que, apesar de não haver mangues na Baviera, o problema era também deles, tendo em vista ser o meio ambiente global. Declarou inclusive a disposição de despender recursos com tal objetivo e que não achava válido exigir que outros países, com menos recursos, tivessem que arcar com esse gasto.
         O encontro de Cancún traz, a um só tempo, receio e esperança. O primeiro vem da visão que temos do mundo: uma grande teia, com aranhas grandes e pequenas, que representam os países. Quando a maior se mexe, toda a teia balança. Hoje, antevê-se não mais uma, mas duas grandes aranhas na teia, além de outras que começam a crescer. Será que a segunda seguirá os passos da primeira no que diz respeito ao trato das questões ambientais? Ao mesmo tempo, abre-se a esperança. Afinal, se há países ricos que já dão um tratamento adequado ao assunto, como nos demonstrou a Alemanha, talvez não esteja tão distante assim o dia em que os líderes das nações mais desenvolvidas finalmente resolvam encarar a questão com a decisão e o respeito que ela merece.
        Até que isso ocorra e obtenhamos um ponto de virada, o papel da sociedade civil organizada é fundamental para que, exercendo sua influência junto às lideranças políticas, se consiga alterar o rumo das coisas. Afinal, só há um poder que os políticos, ao menos nas nações com democracia institucionalizada, temem mais que o econômico: aquele que reside nas urnas. Vamos, pois, fazer a nossa parte. E que o espírito da Baviera nos contamine a todos!

 

Geraldo Hernandes Domingues e Leonídio Francisco Ribeiro Filho são diretores do SEESP e participaram do encontro de Cancún

 

 

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