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26/10/2021

Para além da morte, Covid-19 intensifica casos de demência

Carlos Magno Corrêa Dias*

 

Por volta do ano de 1800 o número de habitantes na Terra chegava a um bilhão de pessoas. Em torno de 1960 a população mundial somava aproximadamente 3 bilhões de seres humanos. Foram necessários quase 120 anos para triplicar o número de pessoas no planeta. Todavia, outros cerca de 3 bilhões a mais de indivíduos foram contados, surpreendentemente, apenas após passados 40 anos, pois em 2000 o mundo contava com pouco mais de 6,1 bilhões de habitantes. 

 

Atualmente estima-se que a Terra tenha 7,8 bilhões de habitantes. Antes da pandemia de Covid-19, a previsão era que até 2050 o mundo teria uma população de 10 bilhões de pessoas; o que geraria um aumento de quase 4 bilhões de pessoas em 50 anos desde 2000.

 

Todavia, a pandemia de Covid-19 está obrigando rever estes 10 bilhões de habitantes para 2050, existindo estudos que dão conta que talvez semelhante número de pessoas possa ser atingido apenas em 2100; sendo mais provável que o mundo consiga uma população entre 8,5 e 9 bilhões até 2050.

 

Está sendo admitido que os impactos da pandemia de Covid-19 no crescimento demográfico envolverão tanto a redução na expectativa de vida das pessoas de 2 a 3 anos a partir dos 60 anos quanto possibilitará a diminuição nas taxas de natalidade entre 15% e 20%.

 

Embora estas previsões quanto à redução do número de habitantes no planeta venham sendo consolidadas não se tem ao certo valores definitivos dado que muitas consequências vão sendo descobertas a cada dia na medida que a pandemia de Covid-19 continua se desenvolvendo. 

 

Consenso há, entretanto, que a população mundial não aumentará no ritmo antes previsto e será menos fértil a partir da segunda metade do atual século causando mudanças significativas as quais alterarão a realidade global de forma determinante. 

 

Some-se à questão precedente as previsões que por volta de 2020 o número de pessoas com 60 anos ou mais deverá facilmente ultrapassar o número de crianças com menos de cinco anos. 

 

No Brasil, estudos têm mostrado, por exemplo, que daqui a 40 anos a população de idosos vai triplicar e que por volta de 2040 a população brasileira começará a diminuir uma vez que o total de crianças que nascerão será cada vez menor.

 

Mas, registos evidenciam que a redução rápida do número de filhos no Brasil começou na década de 1980 quando a taxa de fecundidade passou para 4,35 filhos por mulher. Esta taxa decresceu para 2,39 em 2000 e para 1,7 em 2014; estando a atual taxa de fecundidade, desde 2010, abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,1 filhos por mulher. 

 

Pondere-se que a reposição populacional somente se mantém assegurada desde que a taxa de fecundidade não seja inferior a 2,1 filhos por mulher, pois (numa lógica bem simples) as duas crianças nascidas devem substituir os seus pais. A fração 0,1 se impõe necessária para “compensar” o número de indivíduos que venham a morrer antes de se atingir a idade reprodutiva.

 

Mas, sejam quais forem as previsões sobre o número de pessoas no mundo, há um problema ainda maior a se considerar quanto às variações populacionais futuras no planeta quando são focadas, em particular, as doenças que acometerão os habitantes da Terra, principalmente, no campo da Demência.

 

Distintos Institutos de Métricas e Avaliação de Saúde espalhados pelo mundo são unânimes em afirmar que até 2050 o número de pessoas que sofrerão algum tipo de Demência deverá triplicar; supondo-se que, ao redor do ano de 2050, as pessoas com mais de 60 anos portadoras de Demência poderão formar um contingente de cerca de 17% a 20% da população mundial. 

 

Antes da pandemia de Covid-19 já se prospectavam sérias dificuldades para a sobrevivência das pessoas mais velhas em futuro próximo, principalmente, quando à manutenção da saúde. A pandemia de Covid-19 atingiu violentamente os mais idosos e pôs em evidência o quão urgente é estabelecer novos paradigmas para melhor cuidar, em particular, das pessoas mais velhas e, principalmente, daquelas portadoras de Demência. 

 

A Demência é caracterizada pelo desenvolvimento de anomalias que causam declínio progressivo do indivíduo tais como perda de memória, diminuição da capacidade intelectual, comprometimento do raciocínio, diminuição das competências sociais, bem como alterações significativas das reações emocionais e psicológicas.

 

De forma muito geral pode-se dizer que a Demência ocorre devido à perda de funções do cérebro que pode ser gerada por determinadas doenças e chegam a afetar gravemente diversas funções do cérebro as quais em contínuo e progressivo declínio comprometem habilidades mentais e vão se agravando com o passar do tempo de forma irreversível.

 

Embora a Demência possa ser considerada, também, uma síndrome que se caracteriza pela deterioração progressiva das funções cognitivas a ponto de interferir seriamente na vida dos pacientes (levando à morte, invariavelmente) não é, efetivamente, uma doença em si. Na verdade, a Demência constitui um conjunto de sinais e sintomas neurológicos que podem ser provocados por diversas doenças neurodegenerativas diferentes ou em conjunto.

 

A Demência é causada por danos às células cerebrais, impedindo a comunicação entre elas. Quando os neurônios não conseguem se comunicar normalmente, o pensamento, o comportamento e os sentimentos passam a ser afetados violentamente.

 

O cérebro humano (constituído das chamadas células cerebrais) é dividido em distintas regiões as quais são responsáveis por diferentes funções. A Demência é gerada quando estas células cerebrais são danificadas e não conseguem mais se comunicar entre si causando descontrole (mal funcionamento) de todo o organismo.

 

Pode-se dizer, também, que a Demência surge sempre que se instala um processo degenerativo dos neurônios que venha impedir a normal comunicação entre as células cerebrais as quais vão causando a atrofia e a morte dos tecidos do cérebro.

 

Existem muitas questões não respondidas sobre como a degeneração provocada pela Demência se instala e evolui. Todavia, é constatado que a Demência se apresenta de forma mais comum à medida que as pessoas envelhecem. Mas, em absoluto, pode ser afirmado, categoricamente, que a Demência é algo comum (normal) do envelhecimento haja vista que os idosos podem viver muito bem sem quaisquer sinais de Demência até o final de suas vidas. Assim sendo, não é correto supor que Demência seja uma condição da idade avançada.

 

Qualquer indivíduo com menos de 60 anos pode, também, desenvolver a Demência e vir a falecer em decorrência das sérias consequências geradas. Todavia, há de se ressaltar que a Demência não surge de uma hora para outra podendo levar décadas se desenvolvendo até que atinja níveis perceptíveis. Então, é bem provável que uma pessoa de seus 35 ou 40 anos (aparentemente saudável) já tenha iniciado o desenvolvimento de um quadro de Demência grave futura que o levará à morte sem, entretanto, manifestar visivelmente os correspondentes distúrbios.   


Porém, não se deve deixar de observar que antes da pandemia de Covid-19 as estimativas sobre o número de pessoas com Demência no mundo já eram elevadas e que, possivelmente, mais de 50% dos indivíduos com mais de 85 anos teriam em desenvolvimento algum grau de Demência postulando-se, também, que cerca de 5% da população das pessoas com mais de 60 anos poderia ser facilmente diagnosticada como detentora de Demência.

 

A partir do final do ano de 2020 começou-se a evidenciar um aumento significativo no número de novos casos de Demência precoce mês após mês e, atualmente, é observada uma aceleração de doenças ligadas à Demência pelo mundo de forma a ser possível afirmar que a multiplicação da Demência pelo planeta começa a ser vista já como uma questão importante de saúde pública provocada efetivamente pela Covid-19. 

 

Organizações importantes passam a afirmar que a pandemia de Covid-19 deverá promover pelo menos a triplicação dos casos anuais de Demência entre as populações e há quem afirme que este percentual poderá quadruplicar até 2050.

 

Conquanto várias formas de Demência já sejam diagnosticadas muito facilmente algumas outras sequer são descobertas uma vez que os sintomas se confundem com o de outras doenças. Os principais tipos de Demência já conhecidos são: Demência (ou Doença) de Alzheimer, Demência Vascular, Demência com Corpos de Lewy, Demência Frontotemporal (Doença de Pick), Doença ou Mal de Parkinson, Demência por Recorrentes Traumatismos Cranianos, Demência gerada pelo Alcoolismo (Síndrome de Korsakoff), Doença de Huntington, Doença de Creutzfeldt-Jakob, além de outros tipos menos frequentes.

 

A Doença de Alzheimer, cujas causas não são todas conhecidas, é uma forma de distúrbio mental progressivo grave e que vai degenerando de forma irreversível o cérebro fazendo com que funções e capacidades do paciente sejam perdidas definitivamente. A Doença de Alzheimer é, dentre os tipos de Demência, aquela responsável por até 60% a 80% dos casos existentes.   

 

Existindo grande possibilidade de ser gerada por influência genética a Doença de Alzheimer ocorre por motivos dos mais diversos e faz com que sejam produzidas nos neurônios a formação e aglomeração de placas da proteína beta-amiloide e emaranhados fibrosos da proteína tau as quais danificam sobremaneira os neurônios saudáveis, bem como desfazem as correspondentes conexões. Pela impossibilidade de comunicação dentro do cérebro devido ao dano nas conexões existentes entre as células cerebrais estas acabam morrendo o que gera a incapacidade de recordar ou assimilar a informação.  

 

Até hoje não se descobriu medicação alguma que possa curar a Demência de Alzheimer ou impedir definitivamente o correspondente avanço da doença. O máximo que alguma medicação pode realizar é retardar a evolução da doença, melhorando em alguma medida a qualidade de vida do paciente. Mas, invariavelmente, as capacidades do paciente vão se reduzindo até a morte uma vez que sendo uma doença neurodegenerativa a Doença de Alzheimer vai matando as células do cérebro e com o passar do tempo irá afetar todos os sistemas responsáveis que mantém o ser humano vivo. Geralmente, o paciente acaba por falecer devido ao agravamento de problemas respiratórios ou cardíacos.

 

O segundo tipo de Demência mais frequente é a Demência Vascular a qual se caracteriza por lesão neurológica gerada por múltiplos e pequenos infartos cerebrais. A Demência Vascular geralmente vem acompanhada de outro tipo de Demência sendo a de Alzheimer aquela que mais está associada. Existem distintos tipos de Demência Vascular. Entretanto, as formas mais comuns são a Demência por Multienfartes Cerebrais e a Doença de Binswanger (ou Demência Vascular Subcortical). 

 

Enquanto o primeiro tipo de Demência Vascular (o mais comum) é causado por vários pequenos enfartes cerebrais ou acidentes isquêmicos transitórios o segundo tipo é gerado por enfartes associados à hipertensão arterial, estreitamento das artérias ou por uma circulação sanguínea deficitária.

É importante destacar que a Demência Vascular e AVC (Acidente Vascular Cerebral) não guardam entre si necessária relação haja vista que o AVC ocorre quando da obstrução de importantes vasos cerebrais e a Demência Vascular é um processo progressivo de ocorrência de pequenos infartos em cadeia ao longo do tempo os quais são gerados pela obstrução de pequenos vasos.

 

Outra das Demências provocadas pela presença de estruturas proteicas anormais que causam a degeneração e morte das células cerebrais é a chamadas Demência com Corpos de Lewy, sendo os denominados Corpos de Lewy (estruturas esféricas anormais) formados dentro das células do cérebro. Esta Demência, em muitas vezes, pode ocorrer em conjunto com a Demência de Alzheimer ou com a Demência Vascular, além de provocar sérias alterações cognitivas é responsável por provocar alucinações visuais, sérios distúrbios do sono, bem como tremores, rigidez e dificuldades para se mover.

 

Os sintomas da Demência de Corpos de Lewy, porém, podem ocorrer de forma a oscilar muito rapidamente de maneira que de uma hora para a outra se intensificam ou se abrandam. A Demência de Corpos de Lewy é mais frequente em pacientes acima dos 75 anos de idade.

 

No grupo da Demência Frontotemporal (DFT), conhecida, também, como Doença de Pick, são incluídas as Demências que provocam degeneração de neurônios de um ou de ambos os lobos cerebrais frontal ou temporais do cérebro. Também nesta Demência ocorrem depósitos de proteínas anormais. 

 

A DFT por envolver áreas do cérebro responsáveis pelo comportamento, personalidade e linguagem geram sintomas iniciais como desinibição, perda de capacidade de julgamento, impulsividade, distração, retraimento social, comportamento estereotipado e alterações no discurso.

 

O fator hereditário é determinante na DFT uma vez que cerca de 50% dos pacientes acometidos de DFT têm história familiar da doença. Em geral os pacientes com DFT apresentam uma mutação no gene da proteína tau, no cromossoma 17, o que leva à produção de uma proteína tau anormal.

 

Já a Doença de Parkinson que compromete os neurônios que controlam o movimento é capaz de afetar, progressivamente, também, áreas relacionadas à cognição e se transformar em grave Demência compatível com a de Alzheimer. O Mal de Parkinson atinge o sistema nervoso central e se caracteriza, invariavelmente, por gerar tremores, rigidez nos membros e articulações, bem como por comprometer gravemente os movimentos e a fala. 

 

Como no Mal de Parkinson ocorre redução das células que produzem a dopamina (neurotransmissor que atua no envio de mensagens para as partes do cérebro que controlam os movimentos e a coordenação) a medicação Levodopa vem apresentando resultados significativos no controle da doença. Entretanto, embora tal medicação produza uma melhora na sintomatologia física aumentando a dopamina e bloqueando o glutamato (que ajuda a não piorar ou a bloquear as discinesias) os pacientes podem ter efeitos secundários adversos tais como alucinações, delírios, movimentos anormais e até um considerável aumento temporário de confusão mental (podendo desenvolver outras Demências).

 

Quanto aos Recorrentes Traumatismos Cranianos que são lesões cerebrais periódicas no crânio estas aumentam o risco de perturbações cognitivas e de distúrbios cerebrais graves, pois vão criando um quadro de encefalopatia traumática crônica. Sua grande incidência é devida às constantes quedas dos pacientes que já possuam Demência. O Mal de Parkinson quando em conjunto com outras Demências geram as denominadas Demências Mistas que são muito mais difíceis de serem acompanhadas.

 

Outra Demência hereditária e, também, fortemente degenerativa, é a Doença de Huntington a qual tanto afeta o cérebro quanto o corpo e é caracterizada por gerar forte declínio intelectual e por produzir movimentos irregulares involuntários dos membros ou dos músculos faciais. 

 

Sem qualquer tipo de tratamento efetivo que venha impedir o avanço dos sintomas para a Doença de Huntington existe apenas medicação paliativa para tentar controlar as perturbações do movimento e os sintomas psiquiátricos. A Doença de Huntington provoca alterações de personalidade, diminuição da memória, altera a fala e compromete a capacidade de discernimento, provocando, também, graves problemas psiquiátricos. 

 

A Síndrome de Korsakoff ou Demência provocada pelo excesso de ingestão de álcool está associada à grave deficiência de tiamina (vitamina B1) e pode levar a danos cerebrais bem complicados e irreversíveis. Todavia, a Síndrome de Korsakoff pode até ser atenuada em alguns casos quando há cessação do consumo de álcool em tempo.

 

A Demência provocada pelo álcool atinge regiões cerebrais tais como aquelas que lidam com memória, planeamento, organização e discernimento, competências sociais e equilíbrio, provocando comprometimento mais intenso da memória recente ou gerando grande apatia. Tomar doses elevadas de vitamina B1 parece estar ajudado um pouco.

 

Por sua vez a Doença de Creutzfeldt-Jacob embora mais rara é sempre fatal e de rápida evolução uma vez que é gerada pelo agente infeccioso composto por proteínas com forma aberrante denominado Príon ou Prião. Este agente infeccioso não possui ácidos nucleicos ao contrário dos demais agentes infecciosos conhecidos. Um Prião é formado exclusivamente por proteína e não tem qualquer material genético dado que continua ativo mesmo após a exposição a radiações ionizantes e ultravioletas e, também, mesmo após incubação em presença de nucleases (enzimas que fazem a degradação dos ácidos nucleicos). 

 

A Doença de Creutzfeldt-Jacob ataca o sistema nervoso central e provoca sérias anormalidades nos movimentos uma vez que gera sérios danos nos tecidos correspondentes do cérebro. Na medida que a doença vai progredindo surgem movimentos involuntários, falta de coordenação, alterações drásticas no comportamento e grande fraqueza nos membros.

A Doença de Creutzfeldt-Jakob pode surgir de hora para outra sem explicação, pode ser hereditária ou há casos de transmissão por contato com o tecido infectado (no caso de transplantes ou ao se comer carne contaminada, por exemplo). Perda de memória abrupta e mudanças na personalidade repentinas são sinais iniciais da doença que vão evoluindo rapidamente em alguns meses passando antes por quadros de ansiedade, depressão, cegueira e coma (em muitos dos casos). Como a maioria das Demências não tem, também, cura.

 

Da breve exposição sobre os principais tipos de Demência é natural ficar assustado e ainda mais quando se tem algum dos sintomas descritos. Entretanto, sintomas semelhantes aos da Demência não querem significar que se esteja a desenvolver alguma das formas possíveis. Depressão, carência de algumas vitaminas, reações adversas geradas pela interação medicamentosa, superdosagem de medicamentos, alteração nas quantidades de determinados hormônios, infecções ou inflamações diversas, dentre outras tantas condições, podem levar a se pensar em Demência. Mas, geralmente quando tais condições são devidamente tratadas os sintomas, certamente, desaparecerão; o que, infelizmente, não ocorrerá com os quadros de Demência.

 

Não se deve, porém, perder de vista o fato que muitas doenças ou condições clínicas anormais podem sim levar à Demência. Doenças autoimunes, infeções do sistema nervoso central, esclerose múltipla, consumo de drogas, intoxicação por metais pesados, alterações metabólicas, perda progressiva da visão ou da audição, hipotiroidismo, sífilis, AIDS, depressão, hidrocefalia, dentre outras possibilidades, podem derivar facilmente para Demências mesmo sendo tratadas adequadamente.

 

Se sintomas parecidos com os da Demência surgirem, é urgente procurar ajuda médica especializada de forma a distinguir se as condições observadas são tratáveis ou se um quadro de Demência começa a se instalar. Embora, atualmente, Demência não tenha cura sempre há alguma medicação que pode contribuir para ou retardar ou para amenizar os desastrosos efeitos da Demência.

 

Não existem, também, procedimentos que possam ao menos prevenir o surgimento da Demência e a cada dia novas situações estão promovendo e agravando o surgimento de mais e mais casos de Demência como são aqueles que parecem estão se multiplicando em consequência da pandemia de Covid-19. 

 

Com a possibilidade de se dobrar ou triplicar a população de idosos no mundo nas próximas décadas, o aumento do tempo de vida dos idosos e a grande incidência de Demência relacionada ao envelhecimento natural, mesmo antes da pandemia de Covid-19, já havia acentuada preocupação com as previsões sobre a ampliação dos casos de Demência.

 

Seguidos estudos já estavam demonstrando que a partir dos 65 anos a incidência de Demência já era crescente em pacientes fumantes, com depressão, inativos fisicamente, com diabetes ou que se obrigavam ao “isolamento social”.

 

Avaliações mais recentes, porém, têm evidenciado alterações cerebrais profundas no cérebro de pacientes que morreram devido à Covid-19. Nos correspondentes estudos moleculares dos cérebros destes pacientes encontram-se "assinaturas” que o coronavírus da Covid-19 deixou pondo em evidência um forte processo inflamatório, bem como alterações danosas dos circuitos cerebrais. O mais impressionante é que tais “assinaturas” são em muito semelhantes àquelas evidenciadas nos cérebros de pacientes falecidos que eram portadores da Demência de Alzheimer (principalmente).

 

Na medida que os estudos vão avançando começa-se a estimar, também, que cerca de um terço das pessoas infectadas com o coronavírus da Covid-19 poderão apresentar sintomas neurodegenerativos em algo parecidos com a sintomatologia inicial de outras Demências além daqueles próprios da Doença de Alzheimer. Preocupante, também, é o fato que em muitos casos os correspondentes sinais estão a se manter mesmo depois de, aparentemente, as pessoas infectadas se recuperarem da Covid-19. Há de se ponderar, ainda, que existem muitas indefinições significativas quanto aos diagnósticos apresentados. 

 

Diante do número crescente de indivíduos com sinais inflamatórios em regiões do cérebro e a constatação do aumento de degeneração neural crônica verificada em sobreviventes de Covid-19 os cientistas começam, entretanto, a acreditar que, possivelmente, um surto ainda maior de Demência do que aquele previsto antes do surgimento da Covid-19 vai atingir a humanidade até 2050. Especulação ou não é situação que exigirá ser fortemente investigada.

 

Mas, não se pode esquecer que, em paralelo, as pesquisas se intensificam no sentido do estabelecimento de procedimentos efetivos que possam detectar a Demência muito antes que sintomas ou sinais cerebrais sejam percebidos. 

 

Já existe um importante Sistema de Inteligência Artificial (em aprimoramento constante) que poderá, em futuro bem próximo, diagnosticar (com precisão) a Demência após uma simples Tomografia do cérebro. Tal sistema ainda será capaz de prever por quanto tempo o paciente com Demência manterá a condição estável ou quais seriam os procedimentos necessários para tratar mais adequadamente dos pacientes acometidos de Demência; sem contar, é claro, dos contínuos e constantes estudos para se desenvolver fármacos que venham curar a Demência.

 

 

 

 

 

 

*Carlos Magno Corrêa Dias é professor, pesquisador, conselheiro efetivo do Conselho das Mil Cabeças da CNTU, conselheiro sênior do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep, líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria (GPDTCEI), líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC), personalidade empreendedora do Estado do Paraná pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep). 

 

 

 

 

 

 

 

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