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13/08/2020

Pesquisa relaciona transporte público e mortes por covid-19

Comunicação SEESP*

transporte pandemia freepikUm estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que usar o transporte público, trabalhar como profissional autônomo e ser dona de casa, são as três variáveis que mais influenciam nas mortes pela covid-19 na cidade de São Paulo. O levantamento foi conduzido pelo professor Anderson Kazuo Nakano, do Instituto de Cidades da universidade, que cruzou dados da Pesquisa Origem-Destino 2017 com o Sistema de Informações sobre Mortalidade da Secretaria Municipal de Saúde da prefeitura da capital.


A partir de um modelo estatístico, foram identificadas a relação de influência entre as mortes causadas por covid-19 nos 96 distritos do município com as variáveis da pesquisa - modos de viagem, vínculos empregatícios e condições de trabalho. Com isso, os pesquisadores elaboraram um coeficiente, chamado de R², que varia de 0 a 1.

Se o resultado foi mais próximo de 1 significa que há uma maior influência dessa variável no número de óbitos por covid-19 nos bairros da capital. Já o inverso, mais próximo de 0, há uma menor influência da variável nas mortes.


Os resultados mostraram que a variável “número de viagens por transporte coletivo” está em 0,808, um valor considerado alto dentro dos critérios adotados. Ou seja, nos bairros com maior número de usuários de transporte público, 80% dos óbitos pela covid-19 podem ser explicados por conta da necessidade de deslocamento de ônibus, trem e metrô.

Outra variável que teve um resultado relevante foi o de deslocamento a pé, com índice de 0,7897 nos bairros que tem o maior registro desse tipo de prática e óbitos por covid-19. para o coordenador da pesquisa,  Anderson Kazuo Nakano, o resultado significa que as pessoas estão circulando em seus bairros e que as medidas para contenção da doença não têm sido eficazes.


Os resultados do estudo mostraram que em dez bairros da capital com mais mortes pela doença, nove também lideram no número de viagens por transporte público, como o Grajaú, bairro do extremo sul, que é o que mais faz viagens de coletivo por dia (384 mil) e o terceiro em número de mortes causadas pelo novo coronavírus (360 vítimas).

“Isso prova que para conter a propagação da covid-19, os gestores públicos precisam desenvolver uma combinação de estratégias, que una condições de moradia, apoio de renda, apoio para trabalhadores, informações para quem está em casa, entre outras”, avalia Nakano.


* Com agências



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