GRCS

20/05/2020

Artigo - Guerra na ocupação do subsolo urbano

Marcius Vitale*

Falta de planejamento integrado entre os atores envolvidos nas obras. O problema da infraestrutura apresenta uma grande complexidade de difícil solução.

Uma guerra está ocorrendo no subsolo urbano de muitas cidades brasileiras. Trata-se de uma disputa pela ocupação dos escassos espaços para instalação da infraestrutura de telecomunicações, energia, gás, água, esgoto e outros setores, que deveriam demandar um conhecimento do que existe no subsolo.

 

Observamos com frequência cones e grades de sinalização, isolando trechos de movimentadas avenidas para a proteção de trabalhadores, veículos e população, impactando a mobilidade ao redor das obras.


Um número incalculável de reclamações dos moradores e transeuntes é formalizado no dia a dia. Para minimizar e eliminar o problema de maneira contundente, alguns procedimentos técnicos devem ser adotados.


Pela inexistência de um planejamento integrado entre os atores envolvidos nas obras, durante décadas, o problema da infraestrutura apresenta uma grande complexidade de difícil solução. Os diversos ocupantes do subsolo constroem e ampliam suas redes, muitas vezes deixando os cadastros dos ativos implantados incompletos e desatualizados.


Sem diretrizes claras dos elementos que devem compor o contexto da infraestrutura subterrânea urbana, a serem inseridos nos planos diretores municipais, somados com políticas públicas bem elaboradas e uma gestão eficiente do espaço público, os projetos de ordenamento sempre deixarão a desejar.


Frequentemente os executores das obras não possuem conhecimento do subsolo, fato este que impõe a necessidade de mapeamento do que está enterrado, utilizando um equipamento denominado georradar, para assegurar que o enterramento de novos dutos seja realizado com sucesso.


Sem essa avaliação a ser realizada por empresas especializadas em mapeamento do subsolo, corremos o risco de provocar acidentes, como por exemplo o rompimento de tubulações de gás, água e redes ópticas, interrompendo operações de grandes corporações, causando enormes transtornos à população e acidentes fatais com perda de vidas humanas.


As empresas contratantes dos serviços deveriam assumir a responsabilidade pelo mapeamento, tornando a construção de redes um processo menos complicado do ponto de vista das garantias e seguros.


Em outros países o mapeamento é exigido para se evitar que a empresa responsável pelo projeto tenha que arcar com pesadas indenizações quando da ocorrência de acidentes.

 

Pelo exposto, é recomendado que nenhum projeto de ocupação do subsolo urbano deva ser iniciado sem antes realizarmos um detalhado levantamento das condições do que existe no ambiente.


marcius boneco

* Engenheiro, consultor, CEO da Vitale Consultoria, presidente da Associação dos Diplomados do Inatel (Adinatel) 

 

 


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