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EDITORIAL - Apesar e além de Copenhague

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        A conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP-15, realizada em Copenhague no final de 2009, entre 7 e 18 de dezembro, terminou em frustração. O encontro foi encerrado com uma vaga declaração de intenções, sem força de lei, em meio a protestos dos ambientalistas e com uma nova reunião marcada para junho, na Alemanha. O desfecho decepcionante impediu que este início de 2010 trouxesse grandes perspectivas em termos de ações efetivas contra as mudanças climáticas, sobretudo por parte dos países desenvolvidos, tanto mais capazes economicamente quanto mais responsáveis pela situação atual.
       Apesar disso, todos os que estão realmente comprometidos com a necessidade de conter a degradação ambiental, seja em escala global ou de impacto local, continuam obrigados a tomar providências. O Brasil, que em meio ao fracasso de Copenhague conseguiu brilhar por meio de propostas concretas de redução das emissões, deve envidar todos os esforços, de forma séria, para levar a cabo um projeto de desenvolvimento sustentável.
       É preciso não só continuar e ampliar os investimentos em energias limpas, nosso grande trunfo, mas também estender nosso bom desempenho para outras áreas, como o combate ao desmatamento ilegal, ainda gravíssimo, não só na Amazônia, mas também no Cerrado e na Mata Atlântica.
       Também é urgente que se tomem as medidas necessárias para evitar as já conhecidas tragédias que marcam o réveillon brasileiro, sobretudo nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Na entrada de 2010, mais uma vez dividiam espaço no noticiário com as grandes festas de Copacabana e da Avenida Paulista enchentes, soterramentos e mortes causadas pelas chuvas de início e final de ano. O problema das ocupações irregulares deve ser tratado com a seriedade devida e, neste caso, não há espaço para demagogia.
       Não é mais possível adiar uma solução para as famílias que moram nas encostas de morros ou várzeas de rios e que penam, ano após ano, com as chuvas de verão, correndo o risco de perder tudo o que possuem e as próprias vidas. Em primeiro lugar, é obrigação do Estado preservar essas áreas, que não podem ser habitadas por razões ambientais e de segurança. Havendo já o problema, continua a ser sua responsabilidade resolvê-lo com planejamento e racionalidade, mas também levando em conta as questões sociais envolvidas. Certamente, não é tarefa fácil, mas aqueles que disputam eleições o fazem exatamente para lidar com dificuldades.

Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

 

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