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Engenharia a serviço da vida

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       Regenerar ossos, pele e cartilagem, reparar músculos lesados, garantir biomateriais mais leves e resistentes para órteses e próteses, um ventrículo artificial infantil, um marca-passo brasileiro e um braço robótico para cirurgias cardíacas minimamente invasivas. Essas são algumas das inúmeras pesquisas em andamento em instituições brasileiras. Segundo Cecília Amélia de Carvalho Zavaglia, professora titular da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a grande novidade mundial é a ainda incipiente engenharia de tecidos, que vai revolucionar a medicina.
       Ela exemplifica: “Estamos estudando novos biomateriais para aplicar em defeitos crânio faciais. Vamos supor que está faltando um pedacinho de osso triangular na testa. Faço um molde daquele defeito e preencho com uma cerâmica ou polímero biocompatível poroso, daí, junto com o pessoal da biologia e da medicina, coloco células ósseas da própria pessoa num ambientador, a 37 graus, junto àquele polímero poroso, que é biorreabsorvível. Ele vai desmanchando e o osso vai crescendo, é o tecido natural se regenerando. Dá para utilizar células-tronco também.”
       A idéia básica da engenharia de tecidos, como explica Silvio Eduardo Duailibi, professor de cirurgia plástica e um dos coordenadores do laboratório de engenharia de tecidos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) – ao lado da também professora Monica Talarico Duailibi –, é acrescentar células em biopolímeros dando nova orientação em 3D, seja em escala micro ou nanotecnológica. Para tanto, utilizam-se os recursos da tecnologia da informação. Atualmente, a busca nessa instituição é por desenvolver um dente biológico. “No futuro, será possível se obturar um dente ou canal com a própria polpa do paciente, tendo a restauração biológica com o esmalte, e células-tronco adultas do mesmo indivíduo.” Todavia, para ele, é prematuro pensar no uso em humanos. “Há necessidade de certeza de que o tecido é biologicamente estável. Não adianta regenerar a falange de um dedo e esse se transformar em um tumor depois.”

Outras pesquisas
       Se na engenharia de tecidos o mundo está dando os primeiros passos, em outras áreas as pesquisas estão mais avançadas. No Incor (Instituto do Coração), que conta com o ventrículo artificial adulto e já o utiliza clinicamente como auxiliar na espera por um doador de coração, agora está em desenvolvimento o modelo infantil. Já em fase de experimentação animal e com a expectativa de que comece a ser utilizado ainda em 2009, conforme Marcelo Mazzetto, engenheiro eletrônico e pesquisador dessa instituição, auxiliará desde recém-nascidos a crianças de até 18 quilos. “O processo é semelhante (ao para adultos). É um dispositivo pneumático, só que com volume de deslocamento bem menor. Temos bombas de 11ml a 15ml, a depender do peso.” Também no Incor está em desenvolvimento o primeiro marca-passo brasileiro, que, segundo Mazzetto, reduzirá os custos com a importação do material ao SUS (Sistema Único de Saúde) em cerca de R$ 170 milhões/ano. “Por enquanto, é um protótipo. Numa segunda fase, o objetivo é miniaturizar para poder implantar. Será um dispositivo comercial, com microeletrônica e revestido com titânio.” Outra novidade é o braço robótico para cirurgias cardíacas, hoje também importado. “Será controlado por voz e essa parte de software já está pronta. Estamos agora projetando a parte mecânica e depois será a vez da cinemática.”
        Na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), de acordo com o engenheiro eletrônico e seu gerente de bioengenharia, Alexandre Rossite, há várias pesquisas de novos materiais para tornar próteses e órteses mais leves, resistentes e flexíveis, todas em fase pré-clínica. Entre elas, um novo modelo de articulação de joelhos para órteses em material microfundido de aço inox. Atualmente, o produto é em inox comum, “só que estampado”. “Tem algumas deficiências, como o problema de quebra por cisalhamento.”
        Na área ortopédica, a USP (Universidade de São Paulo) em São Carlos tem uma gama de trabalhos sendo feitos. Entre eles, um visa o aprimoramento do diagnóstico de osteoporose, utilizando microtomografia 3D por raio-X. Outra pesquisa é de estimulação ultrassônica de baixa intensidade para regeneração óssea. “O que se observa é uma redução de 38% no tempo de consolidação de uma fratura”, salienta José Marcos Alves, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Escola de Engenharia da instituição e orientador no Programa de Pós-graduação Interunidades em Bioengenharia, Ainda nesse campo, vai ser iniciada pesquisa na área ortodôntica e em implantodontia, diz Alves.
        Reabilitação de tetraplégicos com estimulação elétrica neuromuscular foi a pesquisa desenvolvida por Maria Cláudia Ferrari de Castro, professora-doutora de engenharia elétrica da FEI (Fundação Educacional Inaciana). Além desse, há vários outros projetos em andamento na escola de estimuladores, cujo acionamento seria por voz ou microcontrolado. O objetivo é restaurar movimentos após uma lesão muscular. Na instituição, alunos apresentaram ainda projetos em bioengenharia focados em deficiência visual, auditiva e na área hospitalar. Entre eles, um robô para transportar soro que acompanha o paciente e um mouse controlado pelo movimento dos olhos.


Soraya Misleh

 

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