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TRABALHO - Reduzir jornada e avançar na pauta sindical

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Soraya Misleh

       Visando assegurar que o Parlamento vote ainda neste segundo semestre a redução da jornada semanal de trabalho de 44h para 40h sem diminuição de salários, o movimento sindical brasileiro vai intensificar sua luta em prol dessa conquista. Além disso, a pretensão é levar outras demandas consideradas prioritárias pelo conjunto, como o fim do fator previdenciário, a questão das práticas antissindicais, a regulamentação da terceirização com garantia de direitos e a ratificação das convenções nos 151 e 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que dispõem respectivamente sobre o direito de negociação do funcionalismo público e a proibição da demissão imotivada. “A ideia é avançar no ano em torno de bandeiras históricas dos trabalhadores no Congresso Nacional. Isso se articula com a dinâmica de campanhas salariais e deve criar melhores condições para sustentar a valorização do salário mínimo”, avalia o cientista político João Guilherme Vargas Netto. 
       Sua opinião se fundamenta na lógica de que tal ação, ao se desenvolver de forma entrosada com grandes segmentos, fortalece a organização sindical também na batalha contra ala que queira lançar ofensiva que implique perdas à classe trabalhadora. “Essas lutas contínuas na linha do tempo do segundo semestre (manifestações unitárias pela pauta sindical no Congresso em Brasília e campanhas salariais motivadas pela conjuntura favorável) darão base para que o movimento unificado, aguerrido e vitorioso impeça que os rentistas, a banca e seus porta-vozes a aliados coloquem em questão o forte reajuste legal do salário mínimo previsto para janeiro de 2012”, ressaltou em artigo de sua autoria intitulado “Linha do tempo”, publicado no site da Força Sindical. “Queremos reafirmar que vamos lutar por aumentos reais de salário e que não compraremos a versão conservadora de que isso vai fazer a inflação disparar”, salienta Artur Henrique, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
       Presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Wagner Gomes lembra que algumas categorias importantes devem participar, como os petroleiros e metalúrgicos, bem como organizações sociais. O deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da Força Sindical, enfatiza que promover essa aliança é a proposta. E indica: “Tivemos uma reunião com nossa bancada em São Paulo e estamos orientando todos os estados a se reunirem com parlamentares locais. Isso já está acontecendo. No Congresso Nacional, temos mantido pelo menos cem dirigentes toda semana, os quais farão panfletagem e visitas a lideranças até o recesso parlamentar.”

 

Agenda de luta
       Além disso, conforme calendário unificado com as diversas centrais, haverá várias manifestações, as quais culminarão em um Dia Nacional de Lutas. “Serão quatro atos até 3 de agosto, quando está programada uma grande mobilização nacional em São Paulo, em que pretendemos colocar cerca de 50 mil pessoas na Av. Paulista”, destaca Gomes. Dirigente nacional da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), Dirceu Travesso destaca a justa luta pela redução da jornada e pelo fim do fator previdenciário. “Vamos participar e quem tiver propostas diferenciadas, como a diminuição para 36 horas semanais, como é o nosso caso, poderá levá-las.” Engrossarão a marcha em 3 de agosto ainda a UGT (União Geral dos Trabalhadores), a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) e a Nova Central.
       Como preparação para este momento, a primeira iniciativa deverá ocorrer em 6 de julho. Haverá mobilizações da CUT, conjuntamente com os movimentos sociais, em diversas partes do País e das demais centrais em Brasília, no Salão Verde. De acordo com Paulinho, nos dia 14, 21 e 28 do mesmo mês, estão previstos atos descentralizados respectivamente em estados do Norte, Nordeste e Sul.
       Para além do Dia Nacional de Lutas, como conclui Vargas Netto em seu artigo, “agosto e setembro serão meses de fortes mobilizações em Brasília.[...] A partir de então, com naturalidade, as lutas serão as das campanhas salariais de datas-bases de grandes categorias que, apesar das pautas diferenciadas, convergem em exigir ganhos reais de salários. A produtividade elevada, a alta lucratividade, os investimentos crescentes e a inflação em baixa garantem, para quem se organiza e se mobiliza, as condições de vitória”.

 

 

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