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30/04/2021

Maiores bancos do País lucram R$ 79,3 bi durante a pandemia

Dieese

Ilustração: LaerteMesmo em um ano marcado por uma pandemia que atingiu em cheio a economia do País, e a maior queda do PIB brasileiro desde o início da série histórica, em 1996, os maiores bancos brasileiros mantiveram um alto patamar de lucratividade, em 2020, devido à forte incidência de créditos tributários, queda na despesa de pessoal, redução de agências e ampliação da utilização de canais digitais. Juntos, os cinco maiores bancos do país lucram R$ 79,3 bilhões durante o primeiro ano da pandemia. A conclusão é do "Balanço dos bancos 2020" do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), disponível na íntegra no site do Dieese.

Antes de 2020, os resultados financeiros dos maiores bancos do país atingiram níveis históricos e recordes consecutivos. Com isso, o lucro líquido dos cinco bancos (R$ 79,3 bi), representou uma queda média de 25,2% em relação a 2019. Esse resultado deve-se, principalmente, a fatores contábeis, com o maior provisionamento, conforme demonstrado.
No entanto, outros fatores também influenciaram na queda dos lucros dos bancos, tais como o câmbio desvalorizado, que afetou algumas receitas e despesas da intermediação
(receitas com derivativos, as próprias receitas de câmbio e as despesas com empréstimos e repasses), e a redução das exigências de depósitos compulsórios por parte do BC, para incentivar novos empréstimos, levando a queda nas receitas das aplicações compulsórias.

Devido à pandemia causada pelo novo coronavírus, foi preciso impedir sua transmissibilidade a partir de medidas de isolamento social, com interrupção abrupta da atividade econômica. Com o intuito de lidar com os efeitos da crise, o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central do Brasil, prontamente, atuaram na liberação de liquidez e capital para os bancos e, posteriormente, na implantação de alguns programas emergenciais de crédito, prorrogações de prazos de empréstimos e financiamentos para pessoas físicas e jurídicas. Tais prorrogações e renegociações de contratos de crédito contribuíram para que as taxas de inadimplência ficassem abaixo das observadas em 2019.

O levantamento aponta que Os bancos já estavam em um processo intenso de reestruturação com grande volume de investimentos em tecnologias da informação, tendo como objetivo a melhoria de seus índices de eficiência e a expansão dos negócios com menores custos. Com a pandemia, esse processo se aprofundou. Os balanços divulgados mostraram o crescimento significativo das transações financeiras pelos canais digitais, transferências, operações de crédito e investimentos -, bem como a abertura de grande número de contas de clientes 100% digitais.

Além disso, devido às restrições de aglomeração e à necessidade de isolamento social, milhares de bancários(s) foram direcionados ao trabalho em home office. Essa atuação reduziu sobremaneira os custos de operação das instituições e propiciou o fechamento de um número significativo de agências físicas e de escritórios operacionais, com consequente redução de despesas com vigilância, água, luz, telefone, aluguéis, viagens, entre outras. Esse processo foi acompanhado da extinção de quase 13 mil postos de trabalho, somente em 2020, em plena crise sanitária e econômica, à revelia do compromisso dos bancos de não realização de dispensas, formalizado em acordo de abril de 2020, entre os bancos e o Comando Nacional dos Bancários.

As dispensas, no entanto, não se restringiram a 2020. Já no início de 2021, o Banco do Brasil divulgou um plano de “readequação institucional”, visando o fechamento de 361 unidades (112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento), além do lançamento de dois planos de “demissão voluntária” (PAQ e PDE), prevendo o desligamento de 5.533 trabalhadores(as) da ativa. De acordo com o Banco do Brasil, o fechamento das unidades vai resultar em uma redução de gastos de R$ 783 milhões por ano, num total de R$ 2,9 bilhões, até 2025.

A importância da atuação dos bancos públicos ficou evidente na pandemia. Explicitou-se, por exemplo, para a sociedade brasileira, a importância da Caixa Econômica Federal, no
pagamento de R$ 295 bilhões de Auxílio Emergencial para mais de 60 milhões de brasileiros, em todos os cantos do país. Esses bancos públicos possuem maior capilaridade e não se concentram, somente, nos grandes centros urbanos, como a maioria dos bancos privados.

Empresas públicas são fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do país, não somente na distribuição de benefícios sociais, mas também na execução de políticas públicas de incentivo e apoio às pessoas, às famílias e ao setor privado, principalmente, em um momento de crise como o que o país está atravessando.

Ranking

O total de ativos das cinco maiores instituições bancárias do país atingiu, em 31 de dezembro de 2020, R$ 7,9 trilhões, alta média de 17,1% em relação a 2019. Boa parte dos ativos dos bancos corresponde às suas operações/carteiras de crédito, cujo montante totalizou R$ 3,6 trilhões, em 2020, com crescimento de 14,1% em relação ao ano anterior. O patrimônio líquido, que representa o capital próprio dos cinco bancos, atingiu R$ 592,1 bilhões, alta de 10,1% em doze meses.

O Itaú Unibanco permaneceu sendo o maior banco do País. Seus ativos superaram R$ 2 trilhões, em 2020, com alta de 21,5% em doze meses (a maior observada no período entre os cinco bancos). Em segundo lugar ficou o Banco do Brasil, totalizando R$ 1,7 trilhão e alta de 16,5%, seguido do Bradesco, que obteve crescimento de 17,1% em seus ativos, que atingiram R$ 1,6 trilhão, ao final de 2020. Os ativos do Banco Santander registraram um montante de R$ 1,0 trilhão, com alta de 16,9% no período. Por fim, a Caixa Econômica apresentou a menor variação, com aumento nos ativos de 12,1%, totalizando R$ 1,5 trilhão.


Confira a íntegra do estudo neste link.



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