GRCS

27/11/2009

III Eco SP debate créditos de carbono e resíduos sólidos

       Alternativas para reduzir as emissões no mundo, tanto pela participação no mercado dos créditos de carbono quanto pelas tecnologias para tratamento térmico e transformação e resíduos em energia foram debatidas da terceira sessão.
      Consultor em sustentabilidade, Marcelo Theoto Rocha abriu a terceira sessão plenária da tarde desta quinta-feira (26), falando sobre o mercado de créditos de carbono nos dias de hoje e suas perspectivas para o futuro.
       Conforme relatou, o regime climático atual dispõe de dois tratados importantes, a “Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima”, que visa a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera e o “Protocolo de Quioto”, que estabelece que os países desenvolvidos reduzam as emissões dos GEE(gases do efeito estufa) em pelo menos de 5% em relação a 1990 no período de compromisso de 2008 a 2012. Através desse último, surgiu o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) para assistir os países que precisam cumprir seus compromissos quantificados de limitação e redução de emissões.
       Segundo Rocha, existe uma demanda muito grande por créditos de carbono. Somente em 2008, o mercado movimentou US$ 126 bilhões. “O mercado que interessa ao Brasil é o de MDL que movimentou no ano passado US$ 6,5 bilhões. Hoje detemos 3% das vendas desse mercado, mas esse número pode aumentar. Temos muitas empresas preparadas para fazer esse trabalho.”
       Ao todo, são 4.734 projetos de MDL no mundo, sendo que 350 são do Brasil e 23% são executados em São Paulo. “Não importa a quantidade de iniciativas e sim quanto elas podem gerar de créditos de carbono”, opinou.
       Outro ponto tratado na palestra foi o mercado voluntário criado por Governos e empresas que mesmo sem a obrigação de diminuir a emissão de poluentes, se propõem a criar alternativas para tal propósito.
       Discursando sobre as alternativas tecnológicas para tratamento técnico de resíduos, Sérgio Frates, da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) contou que em 2004 que o governo de São Paulo fez um acordo de cooperação técnica com a Alemanha para estudar as soluções empregadas no gerenciamento de resíduos sólidos municipais, especialmente em Regiões Metropolitanas. A partir daí, a Emae passou a fazer visitas técnicas numa usina que utiliza o método de incineração “Mass burning”, para futuramente empregá-lo no País. O método consiste na incineração de resíduos, na forma em que são recebidos, sem necessidade de triagem ou beneficiamento prévio. “O calor resultante é aproveitado para geração de energia elétrica ou vapor para processos industriais” explicou Frates.

 


       Segundo ele, o Brasil gera hoje 141 mil toneladas de resíduos por dia, desse total, 27.630 mil t são produzidos por São Paulo. “Precisamos de novas tecnologias para diminuir esse número.”
       Para Frates, é necessário recuperar os resíduos antes de serem aterrados através do tratamento térmico que gera energia, como é feito na Alemanha. “Se implantarmos esse sistema teremos muitas vantagens, como a redução de 90% no volume, controle e abatimento de emissões a padrões internacionais, redução de odores, produção de energia, arquitetura atraente, prolongamento da vida útil dos aterros, além de otimização do transporte e minimização de passivos ambientais”, enumerou.
       Entre as ações para viabilizar a instalação da UTTR (Unidade de tratamento térmico de resíduos) com geração de energia em São Paulo, está a redução do valor do investimento incluindo a utilização de tecnologias nacionais, linhas de financiamento especiais, desoneração tributária e isenção de impostos, obtenção de créditos de carbono, incremento no nível do preço do serviço de queima e preço de energia elétrica incentivada. “Está cada vez mais difícil encontrarmos aterros, por isso é primordial encontramos alternativas para o lixo, como o projeto da Alemanha que poderá resolver o problema do acúmulo e da produção de lixo e ainda gerar energia”, finalizou.

 

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