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29/07/2013

Uso da cidade como forma de exclusão e desigualdade social

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Pesquisa em andamento intitulada 'O outro na cidade: deficiência, acessibilidade e saúde em Presidente Prudente-SP', da doutoranda Natália Cristina Alves, sob orientação de Raul B. Guimarães, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente, parte do princípio que o acesso aos serviços de saúde pode ser visto como uma forma de compreensão dos processos de produção e reprodução dos espaços urbanos contemporâneos, especialmente, por que o uso e apropriação da cidade podem revelar inúmeras formas de exclusão e desigualdade social.

Tal situação seria ainda mais perceptível quando se trata de pessoas com algum tipo de deficiência, que precisam se locomover em busca da saúde pelo espaço urbano. O objetivo da pesquisa é entender como se concretiza a mobilidade e a acessibilidade do portador de deficiência ao sistema de saúde de Presidente Prudente, de forma a captar as estratégias e os contextos geográficos desses sujeitos.

Para tanto, pretende-se discutir e analisar a deficiência do ponto de vista geográfico, além de basear o trabalho através da pesquisa qualitativa a respeito do acesso e acessibilidade tomando como referência a vida cotidiana das pessoas com deficiência(s) moradoras de Presidente Prudente.

Ao se fazer esse recorte temático, pretende-se demonstrar, portanto, que é possível uma compreensão mais clara das desigualdades de saúde-doença no espaço urbano, uma vez que os sujeitos representam e concebem tal espaço, de forma singular.

Publicações do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), com dados preliminares da amostra do Censo 2010, revelam que o Brasil conta com um índice de 23,9% de pessoas com deficiência, aproximadamente 45,6 milhões de pessoas. Em Presidente Prudente-SP, o número da população residente que possui alguma deficiência visual, auditiva, motora ou mental/intelectual investigadas, é de 21.4% de seus 207.610 habitantes.

Ao fazer o mapeamento das deficiências para Presidente Prudente, constata-se a existência de um maior contingente desta população nas áreas periféricas e longe dos estabelecimentos de saúde da cidade. Tais indicadores, junto ao mapeamento feito com dados do Censo 2010 Georeferenciados à base cartográfica da cidade de Presidente Prudente no Programa MapInfo Professional 10.0 fizeram perceber que o acesso pode influenciar na apropriação dos espaços da saúde. Esse debate remete à articulação entre o que o sistema de saúde oferece aos sujeitos e como os sujeitos respondem por esta oferta.

Assim, foi possível detectar algumas características da distribuição geográfica da população de pessoas com deficiência, além de ser possível perceber que existem diferenças espaciais que refletem na acessibilidade aos serviços de saúde.

'Dessa forma, podemos considerar a acessibilidade uma característica importante no uso do território pelos transeuntes, o que explica as condições de desigualdade no uso de serviços de saúde de grupos populacionais específicos', afirmam os pesquisadores.

'Conclui-se daí que somente verificando as condições sócio espaciais pode-se compreender a situação de vida das pessoas, ou seja, as capacidades das pessoas podem ser apreciadas conforme as condições de facilitação ou de limitação relacionadas às suas práticas sócio espaciais no espaço urbano. Esses fatores possibilitam, portanto, práticas sociais múltiplas, que determinaram peculiarmente a representação do processo saúde-doença, sua manifestação sintomática, e sua reprodução objetiva e subjetiva', dizem.
 

Fonte: Unesp




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