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João Guilherme Vargas Netto*

Tenho recomendado aos dirigentes sindicais que estão preocupados com a sobrevivência de suas entidades realizarem fortes campanhas de sindicalização.

Estas campanhas, na conjuntura atual, devem ser empreendidas junto com as eventuais campanhas salariais ou dissociadas delas e têm inúmeros objetivos, táticos e estratégicos, que se completam.

O primeiro deles é o de estar junto com as bases, organizando a resistência às deformas e, em particular, aos desarranjos provocados pela deforma trabalhista. Sindicalizaremos porque os trabalhadores verão nas nossas demandas por novos associados o fortalecimento de suas próprias condições de resistência.

A sindicalização também reforçará o papel do sindicato, renovando o seu quadro de ativistas e dando resposta coletiva às preocupações e temores individuais dos trabalhadores.

A melhor maneira de valorizar o sindicato agora é a busca de associados e a melhor resposta ao indesejado enfraquecimento sindical é a adesão renovada dos trabalhadores.

Na representação sindical não deve haver uma muralha da China entre associados e não associados, mas um esforço tempestivo de engrossar as fileiras dos sindicalizados.

Mas é preciso que as direções saibam que encontrarão um clima de incompreensão e mesmo de antipatia a sua ação em suas próprias bases. Ambas, a incompreensão e a antipatia, são decorrentes da própria crise, do medo e da desorientação provocados por ela e da poderosa campanha antissindical desencadeada pela mídia (televisão, rádio, jornais e mídias sociais) que ecoa a estratégia da deforma trabalhista: o individualismo e o salve-se quem puder. O fim do imposto sindical, como é apresentado e valorizado por essas mensagens neoliberais, confunde o trabalhador já acossado pelo desemprego, arrocho salarial e suas dificuldades momentâneas.

Recomendo, com ênfase, que ao planejar a campanha de sindicalização as direções associem-na à oferta de produtos e serviços vantajosos e necessários aos trabalhadores, de tal forma que o apelo “ideológico” seja associado ao atendimento de “interesses” legítimos.

As grandes campanhas de sindicalização não podem ser apenas campanhas de esclarecimento e mobilização; devem ser também campanhas que ofereçam e produzam resultados imediatos para as categorias e agreguem valor à ação sindical.

 


* Consultor sindical

 

 

 

 

 

João Guilherme MAI2015 dentroEm meus escritos semanais quase sempre evito fazer comentários abertamente políticos, ou sobre política partidária, a menos que possam ser relacionados à ação e às preocupações sindicais.

Não vou abrir, portanto, nenhuma exceção ao comentar a recente eleição da presidência da Câmara dos Deputados, já que tal fato tem implicações fortes no desenvolvimento de pautas congressuais que interessam ao movimento sindical.

Certa vez perguntaram a Stalin o que era pior, se o esquerdismo ou se o direitismo. Ele respondeu com um paradoxo, que se tornou clássico: - Ambos são piores.

É o que se poderia dizer sobre a escolha do presidente da Câmara, em segundo escrutínio.

Se um dos candidatos era representante declarado do “Centrão” e defensor do famigerado Eduardo Cunha, o outro, o eleito com maioria esmagadora dos deputados, é bem mais coerente em se tratando de uma pauta adversa aos trabalhadores e ao movimento sindical, sem prejuízo dos cálculos eminentemente políticos e partidários que o levaram à vitória e derrotaram o outro.

Com a nova presidência-tampão, ao mesmo tempo em que haverá pressa em pautar, discutir e aprovar propostas relacionadas à previdência e aos direitos trabalhistas e sindicais de maneira contrária às posições unitárias das centrais, a janela de oportunidades que estava aberta (decorrente das contradições entre a equipe econômica e a base “parlamentarista” do governo Temer) se fechou. Tudo o que é ideológico se petrifica.

Com este viés de analise podemos compreender que, no fim das contas e de uma maneira torta, Henrique Meirelles ganhou, derrotando o governo Temer e suas composições partidárias artificiais, desequilibradas e fisiológicas, mas que poderiam oferecer melhores condições de resistência para o movimento sindical.

Acredito, por exemplo, que o projeto que legaliza os recursos sindicais negociados subiu definitivamente no telhado. 

 

 

* João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical

 

 

 

 

 

 

 

JG editadaEm meu último artigo chamei a atenção dos dirigentes sindicais para a nossa experiência de luta no ano de 1983.

Ainda imperava a ditadura militar, mas o governo Figueiredo já dava mostras de esgotamento. Os trabalhadores, submetidos a uma severa recessão, sofriam também com a divisão das direções sindicais que se prolongava desde que a nova Conclat (prevista pela Conclat da Praia Grande de 1981) não pôde ser realizada em 1982.

Em 25 de janeiro de 1983, o governo enviou ao Congresso Nacional (durante o recesso) o decreto-lei 2012 que arrochava ainda mais os salários, já arrochados pela lei salarial então vigente.

Quando o Congresso retomou os trabalhos legislativos, o PMDB (maior partido da oposição) orientou sua estratégia anual na luta pela abertura de CPIs, visando com isso desgastar o governo e não levou em conta o caráter negativo da agressão salarial aos trabalhadores e seu potencial mobilizador.

A resistência ao arrocho apresentava então, pelo menos, três dificuldades de monta: a recessão e o desemprego, a divisão sindical e a incompreensão do maior partido oposicionista.

Em 10 de fevereiro começa efetivamente a resistência com a histórica reunião das federações sindicais paulistas na Oboré que traçou os rumos da luta e “importou” de Santa Catarina o deputado federal peemedebista Luiz Henrique para ser o seu porta-voz na Câmara dos Deputados e conduzir a luta contra o decreto-lei, assessorado de perto pelo Dieese.

A partir daí os fatos se precipitam com uma sucessão de manifestações, mobilizações, viagens de delegações à Brasília e com as trocas, pelo governo, dos decretos-lei.

Em 21 de julho acontece a grande greve geral unitária que foi efetiva em São Paulo e em muitos outros grandes centros industriais.

A resistência efetiva ao arrocho e a disposição de luta dos trabalhadores abriram caminho à unidade de ação sindical (concretizada pela greve geral e simbolizada pelo balanço conjunto de sua realização feito na Assembleia Legislativa de São Paulo por Joaquim dos Santos Andrade e Jair Meneguelli, respectivamente presidentes dos Sindicatos de Metalúrgicos de São Paulo e São Bernardo) e à incorporação, pelo PMDB, da pauta trabalhista.

Em 21 de setembro a nova encarnação do arrocho, o decreto-lei 2045 (o pior da série) foi rejeitado pela Câmara, tendo sido o primeiro decreto-lei derrotado na ditadura.

Isto é história.

 

* João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical

 

 

 

 

 

 

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