GRCS

Mostrando itens por marcador: inclusão social

O Núcleo Jovem Engenheiro e o setor de Oportunidades e Desenvolvimento do sindicato foram convidados a participar do 1º Fórum de Debate Inclusivo no Mundo do Trabalho, no dia 16 de fevereiro último, na Universidade Nove de Julho (Uninove), na Capital paulista.


Foto: Divulgação
Jovem 16FEV2016 4 
SEESP participa de fórum sobre inclusão social na Uninove
 

Mariles Carvalho, do setor de Oportunidades, falou sobre o papel do sindicato e como esse pode ajudar o profissional na inclusão no mercado de trabalho. Já Marcellie Dessimoni, do núcleo, abordou o tema “Juventude e o mercado de trabalho”, com foco nos desafios encontrados na inclusão, conceitos sobre dados estatísticos e programas governamentais que atendem a essa necessidade social.

O evento foi organizado pela coordenação de Saúde e dos alunos da turma de pós-graduação em Psicologia Organizacional  da universidade.


 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP





Neste ano, mais da metade (51,9%) dos estudantes aprovados no vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) cursaram o ensino médio em escolas públicas. E, desses, 43% são autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI). Com esses números, a universidade supera as metas de inclusão social definidas pelo Conselho Universitário em 2013 e previstas para serem atingidas apenas no ano de 2017. O maior número até então era de 34% oriundos da escola pública. O anúncio desses resultados foi feito pelo reitor José Tadeu Jorge.

A meta definida em 2013 previa que, em 2017, 50% das matrículas na Unicamp seriam de candidatos vindos de escolas públicas do ensino médio e que, destes, 35% seriam estudantes autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. O número de 35% corresponde à proporção de PPIs na população paulista, segundo dados do IBGE.

“A Unicamp tem sempre demonstrado muita preocupação com essa questão de uma inclusão maior do ponto de vista social na universidade”, disse Tadeu. “O PAAIS existe desde 2004, e vem, com bastante cuidado, consolidando uma metodologia de acesso que pudesse contemplar a questão social. Ele surgiu porque a universidade queria criar uma alternativa à simples reserva de vagas, um sistema tradicional de cotas. E buscou-se, então, uma metodologia, estabelecendo-se essa de bonificação”.

A reforma mais recente do PAAIS, realizada no ano passado e aplicada no vestibular 2016, criou uma bonificação, até então inédita, para as provas da primeira fase, concedendo-se 60 pontos para estudantes do sistema público e mais 20 pontos para estudantes do sistema público autodeclarados PPIs. Já na segunda fase, as bonificações passaram a ser de 90 pontos para egressos do ensino médio público e de 30 pontos para egressos de escolas públicas autodeclarados PPIs.

Essa mudança nos bônus foi adotada com base numa série de simulações realizadas com base em dados estatísticos da Comvest.  “Como trabalhamos com bonificação, o programa é ajustável: podemos definir a bonificação de acordo com estudos e simulações que permitam fazer adequações para uma entrada mais significativa tanto de escola publica quanto de PPIs”, disse o reitor.

Cursos e qualidade
Tadeu destacou que as metas de inclusão foram atingidas ou superadas não só na média geral dos cursos da Unicamp, mas também nos cinco cursos de maior demanda, segundo a relação candidato/vaga do vestibular: Medicina, Arquitetura e Urbanismo, Midialogia, Ciências Biológicas e Engenharia Civil terão, todos, mais de 50% de calouros vindos do ensino público neste ano. Dos cinco, apenas Arquitetura e Urbanismo terá menos de 35% de PPIs, tendo atingido uma taxa de 26,9%.

O reitor afirmou que o PAAIs continuará a ser aperfeiçoado. “Uma questão a explorar: por que certos cursos recebem poucas inscrições de alunos provenientes de escola pública? Não conseguimos entender isso perfeitamente, ainda, então talvez tenhamos de estudar para identificar possíveis ações que possam ser feitas em questões desse tipo”, disse. “Alguns cursos têm baixa inscrição de candidatos provenientes do ensino médio público, ou baixa procura por parte de autodeclarados PPIs. E é uma coisa que a gente vê e se pergunta: por quê? Ainda não sabemos, mas a Unicamp encontrará uma resposta."

 


Imprensa SEESP
Fonte: Unicamp







Dos mais de 205 milhões de habitantes do País, 22,2% têm algum tipo de deficiên­cia. É o que aponta o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010. A esses cerca de 45,6 milhões de brasileiros, a tecnologia assistiva pode ser uma valiosa porta para inclusão na sociedade. Um exemplo é o projeto de uma cadeira de rodas com comando de voz, a única no Brasil, coordenado por Gustavo Peglow Kuhn, aluno do segundo semestre de Engenharia Elétrica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense (IFSul).

O equipamento começou a ser desenvolvido em 2008, sob a supervisão do professor Rafael Galli, com a implantação do reconhecimento de voz e, em 2015, teve o aprimoramento feito por Kuhn. “O meu trabalho foi tornar o controle vocal rápido e fácil para o usuário, preocupando-me principalmente com a segurança”, conta o estudante. No protótipo, foi utilizado o sistema de leitura TalkBack, do Google, possibilitando que o usuário dê os comandos remotamente por meio de um smartphone com Bluetooth (a uma distância de até 50 metros, sem obstáculos), ou apenas com a fala, estando na cadeira. Segundo Kuhn, o objetivo do reconhecimento de voz é a não necessidade da utilização das mãos, possibilitando o uso nos casos de tetraplegia. O mecanismo, que teve um custo de produção por volta de R$ 275,00, ainda precisa ser adaptado aos padrões do mercado, mas o estudante aposta na venda como “um upgrade para qualquer cadeira de rodas”.


Foto: Arquivo pessoal Gustavo Peglow Kuhn
Acessibilidade editada 
Projeto de uma cadeira de rodas com comando de voz, a única no Brasil, coordenado por Gustavo Peglow Kuhn
 

Para substituir as pranchas de papel usadas por pessoas com paralisia cerebral ou qualquer dificuldade que impossibilite a comunicação oral, a Métodos Soluções Inteligentes desenvolveu o aplicativo “Que Fala!”. Daniel Barbosa, engenheiro eletricista e um dos criadores, viu a oportunidade com a eclosão dos tablets, quando cursava a pós-graduação em tecnologia assistiva. “O que nós possibilitamos é que o paciente utilize algo que fale por ele, sem que o receptor da mensagem tenha que adivinhar, como acontece com as pranchas de papel”, explica.

O “Que Fala!” foi desenvolvido em 2011 e, no ano seguinte, já estava no mercado. O usuário baixa o aplicativo gratuitamente, depois cria uma conta no site da plataforma e paga por pacotes de edição da prancha digital, podendo colocar palavras, frases e imagens como quiser.

Feita a edição, o uso do programa independe do acesso à Internet. Barbosa indica que o ideal é fazer a edição com um profissional de terapia ocupacional ou fonoaudiólogo. Hoje, o aplicativo tem mais de 20 mil downloads e de 6 mil contas no site e acima de 800 pagantes fixos em todo o País.

A ONG Mais Diferenças, focada em educação e culturas inclusivas desde 2005, pensou principalmente na possibilidade de lazer ao criar o WhatsCine, um facilitador com audiodescrição, legenda em libras para acessibilidade em cinemas e teatros. É necessário que a pessoa com deficiência tenha o aplicativo em um smartphone ou tablet e que a sala de cinema transmita o filme com o conversor também desenvolvido pela ONG. O conversor precisa apenas de um notebook e um roteador de sinal para sincronizar o filme com as janelas do software.

Para Luis Henrique Mauch, coordenador da instituição, a estrutura do aplicativo é simples, “mas o resultado na vida do usuário é imensurável”.

Necessidade de avanços
Apesar dos vários bons projetos, a demanda por inovações que propiciem inclusão ainda está longe de ser atendida. Estudo realizado em 2013 pelo Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil) apontou as instituições acadêmicas como as principais responsáveis (81,7%) pelo desenvolvimento de tecnologia assistiva, cuja oferta ainda é muito reduzida. Nos anos de 2007 e 2008, havia apenas110 projetos do gênero em todo o País e concentrados nos estados do Rio Grande do Sul (33%), São Paulo (24,8%) e Rio de Janeiro (15,6%).

Com base nesses dados, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) tem como programa de pesquisa de iniciativas na área o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Tecnologia Assistiva (Dtita), que conta com uma equipe desenvolvedora de projetos patrocinados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Uma das ideias geradas pelo incentivo é o estudo de uma lousa digital com caneta sensor com resposta motora, que tem o objetivo de possibilitar a escrita e leitura por pessoas com deficiência visual pela sensação tátil.

Em vigor desde 2 de janeiro último, o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146/2015) deve trazer estímulos às tecnologias para acessibilidade, já que determina sua obrigatoriedade e também estabelece incentivos à contratação pelas empresas de funcionários com deficiência. “Com a lei, o deficiente terá auxílio financeiro, ingressando no mercado de trabalho, um dinheiro que é utilizado na compra de cadeiras motorizadas, próteses ou qualquer outra solução tecnológica que ajude na vida dele”, aposta a deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP).

Para Barbosa, que desenvolveu o “Que Fala!”, a nova legislação significa investimento para mais projetos e pesquisas, o que é mais que necessário. “No Brasil, a pessoa que quiser uma cadeira motorizada tem que estar disposta a pagar até R$ 12 mil ou aguardar (doação) em uma fila de uma instituição”, critica.

O professor Galli, do IFSul, aponta também a necessidade de reduzir os entraves burocráticos para que haja avanços e as novas ideias cheguem ao mercado. “O projeto chega a ficar um ano esperando pela patente. Há uma demora excessiva para entrar em processo de testes também”, atesta.

 

* Por Jéssica Silva. Matéria, originalmente, publicada no jornal Engenheiro, da FNE, nº 165, de fevereiro de 2016

 

 

 

 

 

 

Apesar do crescimento, a internet ainda não pode ser vista como um instrumento de inclusão social e digital. De acordo com números apresentados pelo Cetic (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação) durante a 7a edição do evento “Desafios e Oportunidades para os Provedores de Internet SVA e SCM”, realizado entre os dias 16 e 17 de maio, em São Paulo, os acessos e os provedores brasileiros ainda estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste.

De acordo com o gerente do Cetic, Alexandre Barbosa, a medição iniciada pelo órgão em 2005, em parceria com o IBGE, mostra que a concentração continua. Os dados apresentados nesta quinta-feira, 16, são ainda de 2011, mas o especialista afirmou que as tendências apontadas não estão muito longe dos dados de 2012, que serão divulgados em junho.

“A internet reflete a concentração econômica do País. Hoje, 43% dos cerca de dois mil provedores de internet brasileiros estão concentrados na região Sudeste”, disse. Na outra ponta, a região Norte responde pela menor concentração, com apenas 120 provedores.

A mesma discrepância, ressaltou Barbosa, se reflete nas tendências de acesso: 49% dos domicílios brasileiros conectados à internet estão na região Sudeste, sendo a grande maioria já com banda larga. Os percentuais altos continuam na região Sul (45%) e Centro-Oeste (39%). Mais uma vez, as regiões Norte e Nordeste respondem por 22% e 21%, respectivamente.

“E a concentração não é apenas geográfica. Ela também existe nas classes sociais”, ressaltou. Não por acaso, 96% da classe A brasileira tem acesso à internet. Na B, esse índice é de 76%, e na C, 35%. Mais uma vez, as classes D e E surgem distantes, com 5% de seus membros com acesso à internet. “O custo é a principal barreira apontada por esses usuários. É algo sobre o que precisamos pensar nos próximos anos”, disse Barbosa.

 

Fonte: Convergência Digital - por Fabio Barros - 16/05/2013




agenda