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Jéssica Silva
Comunicação SEESP*

No Dia Internacional da Mulher, tradicionalmente, levantam-se bandeiras por direitos. Essa luta está conectada ao combate atual feito por todos os trabalhadores brasileiros. É sob essa ótica pós-reforma trabalhista que a engenheira civil Eugenia von Paumgartten, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Pará (Senge-PA), fala a respeito do 8 de março em entrevista à FNE. Segundo observa ela, a mulher, que já sofre com jornadas múltiplas, será fortemente atingida com a mudança na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Acredito que seremos nós mulheres, de novo, a retomar essa luta”, expõe, referindo-se à defesa de diretos.

Eugenia é a primeira mulher a ocupar a Presidência do Senge-PA, entidade filiada à federação que tem em torno de 2 mil associados e signatária do movimento “Engenharia Unida”. Em seu terceiro mandato, ela destaca: a mulher tem conquistado cada vez mais seu espaço, tanto na engenharia como no sindicalismo. “Estamos ainda mais presentes, cada vez mais se dedicando à vida profissional e política”, afirma.

Há quanto tempo você atua na engenharia?

Estou há 40 anos na profissão, graduada e pós-graduada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), e há 28 anos atuo no Sindicato dos Engenheiros. No dia a dia, respiro política sindical: datas-bases, elaboração de pautas de reivindicações, negociações, elaboração de ações trabalhistas e audiências, panfletos e jornais etc.. Principalmente agora nesta situação crítica em que se encontra nosso País.

Na sua visão, apesar de considerada ainda uma área majoritariamente masculina, a mulher vem conquistando seu espaço na engenharia? E no sindicalismo?

Sim, estamos conquistando espaço não só na engenharia e no sindicalismo, mas em todas as áreas, ocupando nosso lugar. Estamos acelerando esse processo, estamos ainda mais presentes, cada vez mais nos dedicando à vida profissional e política.

Como você vê o Dia Internacional da Mulher, que nasceu de importantes lutas de trabalhadoras por melhores condições, redução de jornadas, entre outras pautas sindicais, no Brasil pós-reforma trabalhista?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi sancionada em maio de 1943, então o que estamos vivendo agora são 75 anos de retrocesso, e isso atinge mais fortemente a mulher, que já é sacrificada com jornadas múltiplas. Acredito que seremos nós mulheres, de novo, a retomar essa luta (em defesa dos direitos). Acho que a falta de escolaridade e, em consequência, a falta de consciência política são um entrave (para a luta). Mas a indignação está chegando ao povo. Não me vejo diferente de qualquer trabalhador por ser mulher ou engenheira. Se quisermos manter direitos e conquistas e minimizar o desastre causado pela reforma trabalhista, temos que lutar, e será uma luta árdua.

Quais os desafios que mulheres e homens engenheiros têm pela frente no Brasil?

Nossa categoria é uma das mais afetadas pela crise política, moral, institucional, financeira que assola o País. E assim temos, mais do que todas as outras categorias, que estar à frente. O movimento “Engenharia Unida” é coeso e pode realmente alavancar resultados que eu acredito ser a oportunidade de sairmos da crise, de sairmos do buraco em que nossos homens públicos nos meteram. Precisamos de mais coragem para a luta de conscientização política e de valorização da força de trabalho. Temos que ir para a rua!

* Publicado, originalmente, no site da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)

 

Jéssica Silva
Comunicação SEESP*

A engenheira Ana Adalgisa Dias Paulino, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN), abre a série de entrevistas com lideranças femininas ligadas ao movimento “Engenharia Unida”, liderado pela FNE. A iniciativa homenageia o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

A data, reconhecida oficialmente desde 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU), é um marco histórico que tem origem baseada em três grandes fatos: na luta da alemã Clara Zetkin pela criação do dia da operária, em 1907; o trágico incêndio na fábrica americana Triangle Shirtwaist, em 1911, que matou muitas jovens costureiras; e a revolução russa, iniciada por mulheres, em 1917, que acabou por derrubar o regime imperial czarista.

Para Adalgisa, todo dia é dia de recordar as lutas das mulheres: “Todos os dias nós temos que ‘matar um leão’ para abrir nosso caminho, mostrar quem somos e sermos cada vez mais respeitadas. Porque se tivéssemos o respeito merecido, não sofreríamos com diferenças salariais, assédio ou violência.”

Formada em Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Adalgisa está há 25 anos na engenharia. Cursou mestrado em Engenharia de Produção, na Universidade Federal de Santa Catarina e, retornando à região Nordeste, tornou-se diretora executiva do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RN). Foi professora na UFRN e na Universidade de Potiguar e é doutora em Ciência e Engenharia de Petróleo. Ocupou ainda o cargo de vice-presidente do Clube de Engenharia (RN). Eleita em 2017 com quase 54% dos votos dos profissionais do Estado, é a terceira mulher a presidir o Crea-RN.

Para a senhora, como é ser mulher e engenheira?
Eu particularmente nunca sofri nenhum preconceito, mesmo trabalhando em obras e nas entidades em que atuei, e acredito que a mulher tem conquistado espaço em várias outras profissões assim como na engenharia. Agora temos que ampliar a representatividade nas lideranças para que ainda mais mulheres se sintam bem-vindas na área. Elas precisam ocupar cargos de representatividade, isso incentiva e faz com que a participação feminina cresça. Que mais mulheres procurem entrar no Crea, procurem entrar na política, procurem entrar em outras áreas que ela já atua, mas em que falte representatividade.

Como a senhora vê a comemoração do Dia Internacional da Mulher, que nasceu de lutas históricas, na atual conjuntura?
A gente tem que ter todos os dias um dia internacional da mulher, porque, infelizmente, todo dia a gente tem que mostrar nossa capacidade por vivermos ainda num mundo muito machista. Em pleno século XXI, nós mulheres ainda ganhamos menores salários que os homens trabalhando da mesma forma,ainda sofremos violência doméstica, assédio. Isso porque já tivemos mulher na presidência da República, nos governos dos estados, em cargos altos. Então, cada vez mais nós temos que demarcar nosso território e mostrar a nossa importância, lutar cada dia mais pelos nossos direitos. Todos os dias nós temos que ‘matar um leão’ para abrir nosso caminho, mostrar quem somos e sermos cada vez mais respeitadas. Porque se tivéssemos o respeito merecido, não sofreríamos com diferenças salariais, assédio ou violência.

Qual é a importância de uma mulher presidir o Crea e participar de um movimento como o Engenharia Unida, da FNE?
Para mim é uma honra presidir o meu conselho e um orgulho participar de um projeto em que acredito. A engenharia só vai retomar o seu papel de destaque na sociedade como protagonista de desenvolvimento econômico, geradora de emprego e de tecnologia se for unida. Temos que nos unir em prol da própria engenharia, em prol do nosso protagonismo, em prol do desenvolvimento, dos profissionais e do Brasil. Acredito que o caminho da retomada do desenvolvimento econômico passa pela engenharia. Por isso, temos que estar unidos.

Quais os desafios que mulheres e homens engenheiros têm pela frente, no Brasil?
Temos que estar atentos à defesa da nossa profissão. A valorização profissional tem que ser uma bandeira do dia a dia. Não podemos deixar que, por exemplo, prefeituras do interior do Brasil, como é o caso do meu estado, paguem salários inferiores a engenheiros, dando poucas condições de trabalho. Temos que mostrar cada vez mais nossa competência, a nossa importância. Precisamos nos valorizar e cobrar a nossa valorização, em defesa do pagamento do piso salarial e em defesa da engenharia.

* Entrevista publicada, originalmente, no site da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)

 

Do site da CNTU

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), por meio do seu Departamento das Trabalhadoras Universitárias, iniciou, no dia 1º de março, a sua comemoração do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Entre outras ações, a iniciativa contará, ao longo do mês, com mensagens em vídeos das lideranças ligadas à entidade que abordarão os diversos aspectos da luta por igualdade de gênero e plena emancipação feminina.

No primeiro da série, a engenheira e coordenadora do Departamento Jovem Profissional da CNTU, Marcellie Dessimoni, fala dos seus anseios em relação ao tema. “Eu, enquanto jovem mulher trabalhadora, quero ser ouvida no meu ambiente profissional; quero ser respeitada e reconhecida pela bagagem de conhecimento que carrego, não pela saia ou vestido que eu esteja usando.”

Confira abaixo mensagem de Marcellie na íntegra e acompanhe os vídeos na página no Facebook da CNTU ou na TV CNTU.

https://www.youtube.com/watch?v=XzwtiNtAskk

Luta contra retrocessos em pauta
No próximo dia 27 de março, a partir das 14h, a CNTU realiza, em São Paulo, o debate “As mulheres e os impactos das reformas trabalhista e previdenciária”. Conjugando a luta por igualdade e plena emancipação à pauta do movimento sindical brasileiro, a ideia é discutir como tais retrocessos afetam especialmente as mulheres e como fortalecer a resistência a eles.

Confira a programação e participe!

 

João Guilherme Vargas Netto*

Um dos mais ativos organizadores da proclamação da República foi o grupo dos positivistas. Influíram na conspiração republicana, influíram na composição do novo governo e influíram nas ideias e símbolos mobilizadores.

Desenharam a nova bandeira do Brasil mantendo as duas cores imperiais (o verde e o amarelo) e acrescentando na faixa central os dizeres: Ordem e Progresso, depois de autorizados pela Igreja Positivista a eliminar o primeiro dos conceitos-síntese da seita, o Amor. O golpe republicano seria uma medida tática que aplicada abriria caminho para a plena realização da utopia positivista, com a tríade Amor, Ordem e Progresso.

Ficamos, pois com a bandeira onde se inscreve o lema positivista incompleto, mas taxativo.

Atualmente, dada à situação nacional, estou inclinado a sugerir que querem substituir o positivismo da Ordem e Progresso pelo negativismo de um novo lema: Desordem e Retrocesso.

É o que estamos vivendo e testemunhando com a tentativa de desmanche das relações do trabalho e dos sindicatos, misturado com muitas outras agressões à soberania nacional, ao meio ambiente, à vontade popular e ao direito.

A artificialidade do impeachment e a grosseria na aplicação acelerada das deformas criam uma situação em que a passividade geral se completa com espasmos periódicos que alimentam as mídias e reforçam em todos o descrédito na política.

As próprias eleições de 2018 passam a ficar sob o risco de serem desfiguradas e pervertidas.

O movimento sindical dos trabalhadores, um dos poucos a sofrer as agressões e procurar responder a elas com unidade, mobilização e eficácia, lutando por garantir direitos e avançar para a retomada do crescimento econômico, merece atenção e convoca apoios.

É importante destacar que hoje, segunda-feira, dia 11, três dos maiores jornais brasileiros publicam grandes matérias que dizem respeito à ação sindical e a seus resultados.

A pauta fundamental dos sindicatos não é apenas a pauta de sua sobrevivência, o que já seria muito. É a pauta para eliminar a desordem e barrar o retrocesso, revalidando os dizeres tradicionais de nossa bandeira. 



* Consultor sindical

 

 

 

O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) lançou, no dia 8 último, durante aula do Curso Vito Giannotti de Comunicação Popular, no Rio de Janeiro, a reedição da cartilha "1º de Maio – dois séculos de lutas operárias". A publicação conta a história de luta dos trabalhadores pela jornada de 8 horas.

Muito mais do que recordar a origem da data, o texto nos ajuda a entender o que está em jogo no presente e nos mostra a força da classe trabalhadora organizada.
Reviver a história é pensar na responsabilidade que temos no presente. Algo importante, principalmente neste ano de 2017, em que governo federal e Congresso Nacional tentam criar uma nova legislação trabalhista, que é um duro golpe nos direitos dos trabalhadores.

O material pode ser adquirido diretamente pela Livraria Antonio Gramsci (Rua Alcindo Guanabara, 17 – Térreo, Cinelândia, Rio de Janeiro). Mas também pode ser enviado para todo o Brasil caso sejam feitas encomendas. Para contato, enviar mensagem de solicitação de compra para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Mais informação sobre valores e encomendas pelo telefone (21) 2220-4623. 


Publicado por Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação SEESP
Com informações do NPC

 

 

 

 

Cada peça traz uma personalidade. Em cada personalidade, está um pouco da história da matemática no Brasil. Encorajar as mulheres interessadas em atuar nesse campo de pesquisa é o objetivo da exposição "Elas: expressões de matemáticas brasileiras". Inaugurada nesta quarta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a exposição é gratuita e fica em cartaz até dia 31 deste mês na biblioteca Achille Bassi do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos. 

“Esperamos que, em pouco tempo, atitudes como as das mulheres que fazem parte dessa exposição sirvam para promover oportunidades e tratamento iguais para as mulheres na ciência”, diz Thaís Jordão, professora do ICMC e curadora da exposição. Entre os perfis apresentados nos painéis estão os de três ganhadoras do prêmio Para Mulheres na Ciência: Adriana Neumann, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Cecília Salgado, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e Carolina de Araújo, professora do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Completam a exposição peças com os relatos das professoras Maria José Pacífico e Walcy Santos, ambas da UFRJ; Keti Tenenblat, da Universidade de Brasilia (UnB); Ketty de Rezende, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); e Maria Aparecida Ruas, do ICMC. Aposentada, esta última é professora sênior no instituto, onde começou a dar aulas em 1981. Ela foi a primeira mulher a chefiar o Departamento de Matemática.

Reprodução ICMC
“Apenas cerca de 10% da comunidade matemática brasileira é formada por mulheres.
Mudar este panorama é um dos nossos desafios”, diz a professora Maria Aparecida Ruas.
 
Segundo Maria Aparecida, a presença das mulheres na matemática ainda é pequena e seria interessante pensar de que maneira é possível aumentar a inserção feminina na área. “Muitas mulheres possuem aptidão em matemática e acabam não seguindo na área por diferentes motivos. Em qualquer segmento, seja na política, na ciência ou em empresas, se há equilíbrio de gênero, isso reflete melhor o que acontece na sociedade. Além disso, o equilíbrio traria uma maior diversidade de pensamentos”, analisa a professora (leia a entrevista completa).

Reprodução do ICMC
Carolina de Araújo, a única mulher que faz parte do corpo científico do Impa, vê a matemática como uma arte.
 
Cada peça da exposição tem como pano de fundo uma lista com os nomes de 500 matemáticas brasileiras. “Fizemos uma busca por currículos de profissionais de matemática cadastrados na plataforma Lattes, a qual gerou um total de 5.920 nomes. Desses, 500 eram de mulheres”, revela Thaís.
 
Segundo a curadora, o idealizador da iniciativa foi o professor Ali Tahzibi, do ICMC. Em visita ao Centre International de Rencontres Mathématiques (CIRM), localizado em Marseille, na França, ele viu a exposição Women of Mathematics throughout Europe. Inspirado nessa mostra, teve a ideia de fazer um projeto similar no Brasil e apresentou a proposta a Thaís. Coube a ela fazer o convite para que algumas matemáticas brasileiras compartilhassem seus perfis na exposição, que tem o apoio da Comissão de Cultura e Extensão Universitária do instituto.
 
 
Comunicação SEESP
Reprodução editada de texto de Denise Casatti – Assessoria de Comunicação do ICMC/USP
 
 
 
 
 

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