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Do Jornal da Cidade - Bauru*

A Prefeitura Municipal de Bauru decretou a criação da Comissão de Infraestrutura Aérea Urbana, que terá como meta combater a fiação desordenada nas áreas públicas e agilizar a expansão do serviço de telecomunicações. A ideia partiu do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) e contou com o apoio da Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag). O Jornal da Cidade (JC) também vem noticiando há anos o transtorno que o emaranhado de fios causa na cidade.

Conforme consta no Decreto n. 13.559, datado de 26 de outubro de 2017 e publicado no último dia 2, a comissão será composta por 15 membros, que terão mandato de um ano, permitida a recondução. Carlos Augusto Kirchner, vice-presidente da Delegacia Sindical do Seesp em Bauru, defende que o objetivo da comissão seja discutir soluções que estabeleçam um consenso entre população, Prefeitura e empresas do setor, a ponto de ajudar a combater a "bagunça de fios", como está previsto na Lei Municipal 6.679/2016. A mesma legislação prevê, ainda, a obrigatoriedade de a CPFL Paulista regularizar o emaranhado de fios, bem como notificar as operadoras responsáveis pelos cabos. 

Embora já esteja instalada, a comissão ainda não foi composta. Segundo Kirchner, cabe à Secretaria Municipal de Obras, à qual a iniciativa estará subordinada, realizar o chamamento público aos interessados e, em seguida, a eleição dos membros.

Telecomunicações
Como grande parte dos fios existentes na cidade pertence às empresas de telefonia, TV a cabo e internet, outro objetivo da iniciativa será acelerar o processo de licenciamento para a prestação do serviço de telecomunicações, como está previsto em outra lei, a 13.116/2015, que determina também que o poder público local deve instituir uma comissão de natureza consultiva em municípios acima de 300 mil habitantes. Ainda conforme Kirchner, a forma de suprir a demanda por serviços de telecomunicações e melhorar a sua qualidade é adotar novas tecnologias, com a instalação de antenas e a extensão da rede de fibra óptica. O engenheiro acredita que a agilização de todo esse processo elevaria Bauru à condição de uma entre as dez "Cidades Amigas das Telecomunicações". 

* Reportagem de Cinthia Milanez


>> Leia mais sobre o tema aqui

 

A Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo promove nos dias 26 e 28 de junho curso gratuito sobre cidades inteligentes e sustentáveis. A proposta é debater a necessidade de criação de novos modelos de planejamento e gestão para as cidades, impactadas pelos diversos movimentos que afetam diretamente a vida dos indivíduos como pressão social por democracia, a condição da mulher em diversas regiões da África e da Ásia, a crise dos refugiados na Europa e o paradoxo ética e corrupção em escala global.  

Confira programação:

Curso CidadesInteligentes 210617

 

A atividade acontece no Auditório Prestes Maia (Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista), é aberta ao público com vagas limitadas. Para fazer a inscrição clique aqui.

 

 

 

Publicado por Jéssica Silva
Comunicação SEESP
Com informações de Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo

 

 

 

 

O programa desta semana do Jornal do Engenheiro (JE) na TV traz importante entrevista com o especialista Jurandir Fernandes sobre mobilidade urbana e transporte. Para ele, está colocado o grande desafio às cidades para que elas continuem “andando” e não parem por falta de vias ou excesso de veículos nas suas vias. Já a reportagem traz as novidades em termos de legislação para as próximas eleições municipais, que ocorrem no segundo semestre deste ano.

O presidente do SEESP, Murilo Celso de Campos Pinheiro, no quadro “No Ponto”, aborda a importante participação dos diretores da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) Marcha em Defesa da Saúde, da Seguridade e da Democracia, no dia 7 de julho último, em Brasília.

O JE na TV é mais um canal de comunicação importante mantido pelo SEESP para levar importantes informações e notícias aos engenheiros e também à sociedade. Assista ao programa que vai ao ar às segundas-feiras, às 19h30, para a cidade de São Paulo, nos canais 9 (NET), 72 (TVA) e 186 (TVA Digital) ou pela internet no mesmo dia e horário neste link. O JE na TV é transmitido para mais 40 municípios paulistas e de outros estados conforme grade variada, confira aqui.


 

Rosângela Ribeiro Gil
Imprensa SEESP






A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e a Fundação Abertis realizam a cerimônia de entrega do 1° Prêmio Cátedra Abertis-USP de Gestão de Infraestruturas de Transportes de Melhor Tese de Doutorado e Melhor Dissertação de Mestrado de 2015 na área de Engenharia de Transportes no Brasil. O evento será realizado no dia 1º de julho, no prédio do Departamento de Engenharia Civil da Poli, no campus da USP no Butantã, em São Paulo.

A Poli-USP foi premiada na categoria Melhor Tese de Doutorado. Sob orientação do professor José Alberto Quintanilha, do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR) da Poli, o pesquisador Luis Augusto Manfré trabalhou no uso de imagens de sensoriamento remoto para identificar e mapear as áreas de deslizamentos associadas a rodovias. Saiba mais aqui

Como melhor dissertação de mestrado foi escolhida uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará. Também serão premiados dois trabalhos na categoria Menção Honrosa, um em doutorado e outro em mestrado. Ambos são da Escola de Engenharia de São Carlos da USP. A premiação é patrocinada pela Chairs Abertis International Network Arteris e tem apoio da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) e da Associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes (Anpet).

 

Fonte: Poli-USP

 

 

 

 

 

 

 

Se utilizadas com critério, as águas subterrâneas podem ser um importante recurso complementar para o enfrentamento da crise hídrica. No entanto, a perfuração indiscriminada de poços e o consumo excessivo estão levando os aquíferos da Região Metropolitana de Recife ao limite de uma salinização irreversível. Ao mesmo tempo, os aquíferos da Região Metropolitana de São Paulo – que poderiam, com baixo investimento e em prazo relativamente curto, proporcionar um aporte adicional de 1 metro cúbico de água boa por segundo – encontram-se subutilizados. O duplo alerta foi feito pelo pesquisador Ricardo Hirata, do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas da Universidade de São Paulo (Cepas-USP) do Instituto de Geociências da instituição.

O estudo sobre a situação de Recife foi coordenado por Hirata em Projeto Temático apoiado pela FAPESP: “Projeto Coqueiral: desafios associados à qualidade da água em Recife: como enfrentar a contaminação e a salinização das águas subterrâneas sob a perspectiva de mudança ambiental global e seu contexto social”.

Já o estudo sobre a situação de São Paulo foi publicado por ele e colaboradores na Revista DAE, mantida pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo): “Água subterrânea para abastecimento público na Região Metropolitana de São Paulo: é possível utilizá-la em larga escala?”.

Aquíferos de Recife
“Na contabilidade oficial, a água subterrânea atende a 13% do abastecimento público da Região Metropolitana de Recife. Mas, quando consideramos os 14 mil poços existentes na região, que cobrem as falhas no fornecimento público, descobrimos que esse número está subestimado. A água subterrânea atende de fato a 28% do consumo”, disse Hirata à Agência FAPESP.

“Milhares de poços foram perfurados sem respeito aos critérios técnicos e sem controle por parte administração pública. Não me refiro apenas poços de pouca profundidade nos bairros pobres, mas também a poços tubulares de mais de 100 metros, os chamados ‘artesianos’, em condomínios ricos como os dos bairros de Boa Viagem e Pina. Em consequência disso, os aquíferos encontram-se agora seriamente ameaçados, com intrusão de água do mar e início de salinização. Se persistir o ritmo atual de bombeamento, os aquíferos poderão estar irremediavelmente perdidos por volta de 2035”, prosseguiu o pesquisador.

Segundo dados levantados pelo Projeto Coqueiral, 70% dos poços de Recife são ilegais. E a zona sul da região metropolitana, onde reside a população de alta renda, concentra o maior número de poços tubulares privados do país. Houve um aumento dramático da perfuração durante a grande estiagem de 1997/98. A situação é agravada pelo comércio de água por meio de carros-pipa, que se tornou um negócio altamente rentável na cidade. Os proprietários dos veículos enchem os tanques com água de poço e saem vendendo nos condomínios. “Recife vive a típica ‘tragédia dos comuns’, quando a soma das soluções individuais [perfuração de poços] acarreta um problema para todos [superexploração dos aquíferos]”, comentou Hirata.

O bombeamento desmedido ameaça fazer agora aquilo que uma elevação de quatro metros do nível do mar, ocorrida há cerca de 5 mil anos, não conseguiu fazer: salinizar os aquíferos. “Fizemos a datação da água dos aquíferos profundos por meio do teste do carbono 14 [que estabelece a data do material pela proporção entre os isótopos 14 e 12 do carbono presentes na amostra]. E descobrimos que essa água é doce e pura há mais de 18 mil anos. Sabemos que, há cerca de 7 mil anos, o mar começou a subir. E atingiu seu nível máximo, quatro metros acima do atual, por volta de 5 mil anos atrás. Mas o decorrente avanço do oceano para o interior da área continental não foi suficiente para alcançar a área de recarga dos aquíferos. Por isso, eles não foram salinizados”, informou o pesquisador.

Essa área de recarga é uma elevação topográfica, de rochas do embasamento cristalino, existente na região serrana que fica a oeste de Recife. É por ela que as águas das chuvas, que se infiltram no solo, entram nos aquíferos. Se, no último grande avanço, o mar tivesse chegado até essa região, os aquíferos teriam sido salinizados. Mas isso não aconteceu.

De fato, houve uma salinização em época anterior, há cerca de 120 mil anos, quanto o nível do oceano esteve muito mais alto. Mas, com a continuidade do processo de recarga, novas águas doces despejadas pelas chuvas foram se infiltrando nos aquíferos ao longo de milênios, empurrando a água salgada através do aquitarde (rochas de baixa permeabilidade, associadas às formações Paraíso e Estiva), até a área de descarga no fundo do mar.

“Existe um movimento natural de oeste para leste. As águas novas entram nos aquíferos na área de recarga, e saem no mar. Esse mecanismo faz com que a idade das águas subterrâneas seja crescente de oeste para leste. Elas são mais jovens perto da serra e mais velhas perto da costa. Mas esse ciclo está sendo comprometido agora pelo bombeamento excessivo, que diminui as cargas hidráulicas da água doce no interior dos aquíferos e possibilita a intrusão da água salgada”, explicou Hirata.

Projeto Coqueiral
Segundo o pesquisador, conduzir o Projeto Coqueiral foi como montar um grande quebra-cabeças. A pesquisa integrou estudos nas áreas de geologia, hidrogeologia, macrossociologia (urbanização e política institucional de gestão da água), mesossociologia (percepções e participações coletivas no manejo da água) e microssociologia (práticas individuais relativas ao uso da água). Muitas informações sobre o passado remoto, relativas à evolução do nível do mar ou às variações do clima regional, ficaram registradas nas águas subterrâneas. E foram recuperadas por meio de miríades de análises.

Por exemplo, o conhecimento de que houve uma intrusão de água salgada no passado remoto foi possível porque se sabe que, nos processos de salinização e dessalinização, muito frequentes em aquíferos, existe uma troca de cátions, que fica registrada na água. Foi esse registro que permitiu constatar a ocorrência de uma salinização do aquífero e de uma posterior “lavagem” (freshening) com água doce. “Como a última grande ingressão do mar no continente capaz de causar tal salinização aconteceu há 120 mil anos, acreditamos que, desde então, o aquífero está sendo dessalinizado. E, como as águas atuais são doces, e foram datadas pelo carbono 14 com idades variando de 8 a 18 mil anos – portanto, muito anteriores à época da mais recente elevação do nível do mar –, pudemos deduzir que, nessa segunda ocorrência, não houve salinização. Isso é consistente com outro dado, que é o fato de que uma elevação de quatro metros não é suficiente para que o avanço do mar terra adentro chegue até a área de recarga”, detalhou Hirata.

 

 

 

Fonte: Agência Fapesp

 

 

 

 

 

 

A diretoria da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), reunida nesta terça-feira (16/02), em Brasília, discutiu, entre outros temas, a nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, cujo tema será “Cidades”. A ideia é fazer um diagnóstico dos problemas comuns às médias e grandes cidades brasileiras pertinentes à Engenharia.


Foto: Rita Casaro
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Diretoria da FNE está empenhada em apresentar propostas para resolver problemas das cidades brasileiras
 

Com a colaboração de especialistas nos diversos temas e o debate a ser realizado em vários locais, serão elaboradas propostas para melhorar a vida das pessoas nas cidades, assim como para o desenvolvimento local.

A primeira mesa-redonda com dirigentes da entidade e consultores que colaborarão com a iniciativa acontece no dia 1º de março próximo, em São Paulo.

O material deve estar pronto até julho para que seja debatido com a sociedade e os candidatos a prefeito nas eleições deste ano.

 

Imprensa SEESP
Informações de Rita Casaro








O livro “40 anos de Regiões Metropolitanas no Brasil”, primeiro de uma série do projeto Governança Metropolitana no Brasil, lançado em agosto pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), traz informações e análises sobre a gestão das 15 principais RMs, um tema que também mobilizou os engenheiros da FNE  nos últimos anos, através do movimento Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento.

O estudo de IPEA identifica que 60% dessas regiões têm sistema de gestão incipiente ou não consolidado. E 60% delas apresentam um grau fraco de articulações institucionais para governança. Um componente que a obra analisa é a participação da sociedade civil no esforço de apontar caminhos para solução dos grandes problemas das regiões. O envolvimento dos engenheiros é diretamente citado no trabalho sobre o Maranhão, que em 2008 foi sede de um dos vários seminários promovidos pelo Cresce Brasil em grandes RMs, reunindo profissionais, gestores, autoridades e lideranças.

O Instituto aponta em seu livro que, "em 2008, o Sindicato dos Engenheiros do Maranhão (Senge-MA), auxiliado pelo Programa Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento, organizado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), realizou algumas atividades relacionadas ao assunto, como o Seminário Cresce Brasil – Debatendo a Grande São Luís, realizado em maio de 2008, o qual apresentou, além de outros temas, o da metropolização de São Luís; e o Seminário Região Metropolitana da Grande São Luís, ocorrido em setembro do mesmo ano, apresentando o tema Como fornecer serviços públicos adequados à população da Região Metropolitana de São Luís e integrá-la". O seminário aconteceu em dois dos cinco municípios integrantes da RMGSL: São José de Ribamar e Paço do Lumiar, nos quais houve a participação de autoridades e de diversas entidades representativas locais.

Também consta do livro um trecho da Carta Metropolitana da Grande São Luís, lançada em outubro daquele ano, como resultado da movimentação liderada pelos engenheiros na região, "que entre outros itens sugeriu a criação do Fórum Metropolitano da Grande São Luís,com o intuito de propor uma “gestão metropolitana compartilhada e democrática, composta por representantes do poder público e da sociedade civil nos debates, decisões e monitoramento das políticas públicas  regionais” (Senge-MA, 2012, p. 3).

O trecho da carta propõe "que seja constituído o Fórum Metropolitano da Grande São Luís, com a finalidade de desenvolver debates, estudos e proposições, junto ao poder público e às comunidades de todos os municípios componentes da Grande São Luís, no sentido de mobilizar a sociedade, aprofundar o conhecimento da realidade e efetivar a gestão democrática da Região Metropolitana da Grande São Luís (Carta..., 2008).

O projeto Cresce Brasil promoveu seminários nas RMs de São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Teresina e São Luis. O livro “40 anos de Regiões Metropolitanas no Brasil” faz uma avaliação inédita da gestão metropolitana nas seguintes RMs: Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo, Vitória e na RIDE do Distrito Federal. A pesquisa tem coordenação nacional do Ipea e a participação de 15 instituições responsáveis pela coordenação nas regiões metropolitanas. As análises convergem para um cenário de fragilidade da gestão nas metrópoles, num momento em que o crescimento econômico impulsiona um processo de reterritorialização dos espaços metropolitanos. (FNE)

Para o download acesse o link do livro “40 anos de Regiões Metropolitanas no Brasil”.

 

Fonte: CNTU

Durante muito tempo, o uso de bicicletas esteve muito mais ligado ao lazer, em especial infantil, do que ao transporte. É difícil apontar alguma criança que nunca tenha se aventurado em cima de uma magrela; por outro lado, há décadas as condições para a utilização das bicicletas como meio de locomoção nas cidades se mostram precárias, o que faz com que o uso delas para esse fim não seja tão difundido em nosso país. Felizmente, algumas iniciativas recentes têm mostrado que não é preciso muito para incentivar a cultura da bike no Brasil.

Uma dessas iniciativas é a marca Respeite um carro a menos, que está ganhando espaço principalmente nas ruas do Rio de Janeiro. A empresa desenvolve placas de material pet reciclado que podem ser colocadas em bicicletas e outros meios de transporte, e que mostram mensagens de apoio ao transporte alternativo.

Para adquirir uma plaquinha, basta a pessoa entrar no site da empresa e montar sua placa com as centenas de modelos, cores e ilustrações. As plaquinhas custam em torno de 25 reais, e, nos primeiros 12 meses do projeto, mais de três mil já foram vendidas, sendo que mais de 800 foram para fora do estado do Rio de Janeiro.

Segundo Fred Sampaio, um dos idealizadores da iniciativa, há toda uma ideologia por trás da criação e da utilização das plaquinhas de representar e estimular a mobilidade sustentável, principalmente a bicicleta.

“A educação e o hábito para o uso da bicicleta são pontos fundamentais para a evolução da mobilidade na cidade e decidimos começar essa aventura através de uma plaquinha feita em material reciclado e que tem um incrível poder de segurança, sinalização e o melhor, de despertar sorrisos no meio do estresse do trânsito”, coloca Sampaio.

O criador explica que a ideia surgiu da vontade de encontrar uma solução que pudesse compartilhar entre ciclistas, motoristas e pedestres a necessidade de respeito com as leis de trânsito, principalmente entre esses três principais agentes do trânsito urbano. No início, eram 20 opções de placas; atualmente são mais de 350.

A ideia deu tão certo que, com aproximadamente um ano, a marca já é economicamente sustentável, e aumentou ainda mais as opções para os clientes, oferecendo também camisetas com as mensagens. Além disso, o projeto também tem a participação expressiva do público nas redes sociais: a página do Respeite no Facebook já tem mais de 12 mil ‘curtidas’.

E os idealizadores acreditam que a iniciativa de fato incentiva o uso da bicicleta e de outros transportes alternativos, e que além disso é uma oportunidade de negócios. “A bicicleta é um meio de transporte que já foi adotado pelas pessoas e carece apenas de dois importantes aspectos: estrutura e educação. Todo tipo de iniciativa que possa influenciar positivamente nesse contexto é bem-vinda e representa não só uma oportunidade de contribuir com a população, mas também de se desenvolver profissionalmente.”


Nesse mesmo sentido, o projeto Bike Anjo também oferece uma alternativa simples e eficaz para impulsionar o uso da magrela como transporte: ciclistas mais experientes se oferecem para ajudar pessoas que desejam se locomover com bike através de noções de segurança no trânsito, conhecimento sobre todos os itens das bicicletas e também na escolha de trajetos de mais seguros.

A iniciativa surgiu em São Paulo em dezembro de 2010, fundada pelo ciclista João Paulo Amaral, e hoje já está presente em mais de 40 cidades no Brasil e também em alguns outros países. O auxílio compreende todas as etapas do processo de utilização da bicicleta como transporte: desde ensinar a pedalar até se comportar no trânsito, passando também pela compra de uma bicicleta.

O trabalho é voluntário e, de acordo com Guilherme Lima, bike anjo em Florianópolis (SC), qualquer pessoa ou empresa que se identifique com o projeto é bem-vindo a ajudar. Lima afirma que, depois que muitos ‘protegidos’ aprenderam com eles a andar de bike, passaram a usar mais a bicicleta e até a participar de movimentos ciclísticos.

“Não só acreditamos que temos ajudado a estimular as pessoas a andarem mais de bicicleta, como já comprovamos isso na prática. Diversas pessoas que aprenderam conosco hoje são parceiras de pedaladas e também dos movimentos ciclísticos de Florianópolis, como a Bicicletada Floripa”, declarou o bike anjo.

Também preocupada em melhorar as condições de mobilidade dos usuários de bicicleta, a ONG Via Ciclo é mais um dos atores que participam da busca por uma maior participação das bikes como uma das alternativas para o transporte urbano.

A ONG, que também atua em Florianópolis, foi fundada em maio de 2001 por um grupo de ciclistas para suprir a falta de uma entidade da sociedade civil que pautasse a questão da democratização da mobilidade urbana.

Desde então, a Via Ciclo promove algumas atividades, principalmente passeios ciclísticos, para chamar a atenção do governo e da sociedade civil para os problemas da mobilidade urbana, em especial com relação ao uso das bicicletas.

Daniel Costa, atual presidente da ONG, acredita que muitos ciclistas apoiam as ações e conquistas da Via Ciclo, mas que ainda falta estímulo à cultura da bicicleta como meio de transporte, principalmente por ser a utilização do automóvel tão mais estimulada.

“As maiores dificuldades ainda estão no paradigma e cultura do automóvel, promovida pelo marketing sobre a população, o que acarreta na priorização de investimentos e utilização maciça do transporte individual motorizado”, alerta Costa.

O resultado é que, com a falta de investimentos para o desenvolvimento de infraestrutura para outros tipos de transporte, como ciclovias, no caso das bicicletas, a maioria da população acaba não utilizando essa opção, até por considerar arriscado. Costa também ressalta a falta de integração da bicicleta com outros modais, como os ônibus, o que também contribui para que o transporte ciclístico não seja incentivado.

“[Florianópolis] tem uma demanda reprimida de 74% das pessoas que gostariam e querem utilizar a bicicleta em seus deslocamentos urbanos, e que não fazem uso desse veículo pela insegurança com a falta de infraestrutura, e principalmente pela falta de respeito ao Código de Trânsito Brasileiro, sendo que as elevadas velocidades permitidas aos motorizados de transitar nas vias urbanas são fator preponderante nos sinistros de trânsito. Uma frase exemplifica essa triste realidade: ‘Andar de bicicleta não é perigoso, perigoso é como se permite conduzir motorizado em nossas ruas’”, lamenta o presidente da Via Ciclo.

 “As bicicletas são a resposta de grande parte do problema de mobilidade urbana nas cidades. Todos os principais especialistas mundiais em mobilidade urbana ressaltam isso. No entanto, enquanto ainda tivermos prefeitos e governadores que apenas pensem a cidade para carros (e que continuem investindo dinheiro público somente em elevados, alargamentos e duplicações de vias, sem priorizar o transporte público e sua integração com bicicletas), e não para as pessoas, ainda passaremos um bom tempo fazendo mais do mesmo. Para todas as pessoas que não compactuam com esse modelo ineficiente do século passado e querem um modo permanente de qualidade de vida, não só nas férias e não só para lazer, mas diariamente, nós estaremos sempre ao lado para ajudar”, conclui o bike anjo Guilherme Lima.
 


Fonte: Instituto Carbono Brasil




Pesquisa em andamento intitulada 'O outro na cidade: deficiência, acessibilidade e saúde em Presidente Prudente-SP', da doutoranda Natália Cristina Alves, sob orientação de Raul B. Guimarães, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente, parte do princípio que o acesso aos serviços de saúde pode ser visto como uma forma de compreensão dos processos de produção e reprodução dos espaços urbanos contemporâneos, especialmente, por que o uso e apropriação da cidade podem revelar inúmeras formas de exclusão e desigualdade social.

Tal situação seria ainda mais perceptível quando se trata de pessoas com algum tipo de deficiência, que precisam se locomover em busca da saúde pelo espaço urbano. O objetivo da pesquisa é entender como se concretiza a mobilidade e a acessibilidade do portador de deficiência ao sistema de saúde de Presidente Prudente, de forma a captar as estratégias e os contextos geográficos desses sujeitos.

Para tanto, pretende-se discutir e analisar a deficiência do ponto de vista geográfico, além de basear o trabalho através da pesquisa qualitativa a respeito do acesso e acessibilidade tomando como referência a vida cotidiana das pessoas com deficiência(s) moradoras de Presidente Prudente.

Ao se fazer esse recorte temático, pretende-se demonstrar, portanto, que é possível uma compreensão mais clara das desigualdades de saúde-doença no espaço urbano, uma vez que os sujeitos representam e concebem tal espaço, de forma singular.

Publicações do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), com dados preliminares da amostra do Censo 2010, revelam que o Brasil conta com um índice de 23,9% de pessoas com deficiência, aproximadamente 45,6 milhões de pessoas. Em Presidente Prudente-SP, o número da população residente que possui alguma deficiência visual, auditiva, motora ou mental/intelectual investigadas, é de 21.4% de seus 207.610 habitantes.

Ao fazer o mapeamento das deficiências para Presidente Prudente, constata-se a existência de um maior contingente desta população nas áreas periféricas e longe dos estabelecimentos de saúde da cidade. Tais indicadores, junto ao mapeamento feito com dados do Censo 2010 Georeferenciados à base cartográfica da cidade de Presidente Prudente no Programa MapInfo Professional 10.0 fizeram perceber que o acesso pode influenciar na apropriação dos espaços da saúde. Esse debate remete à articulação entre o que o sistema de saúde oferece aos sujeitos e como os sujeitos respondem por esta oferta.

Assim, foi possível detectar algumas características da distribuição geográfica da população de pessoas com deficiência, além de ser possível perceber que existem diferenças espaciais que refletem na acessibilidade aos serviços de saúde.

'Dessa forma, podemos considerar a acessibilidade uma característica importante no uso do território pelos transeuntes, o que explica as condições de desigualdade no uso de serviços de saúde de grupos populacionais específicos', afirmam os pesquisadores.

'Conclui-se daí que somente verificando as condições sócio espaciais pode-se compreender a situação de vida das pessoas, ou seja, as capacidades das pessoas podem ser apreciadas conforme as condições de facilitação ou de limitação relacionadas às suas práticas sócio espaciais no espaço urbano. Esses fatores possibilitam, portanto, práticas sociais múltiplas, que determinaram peculiarmente a representação do processo saúde-doença, sua manifestação sintomática, e sua reprodução objetiva e subjetiva', dizem.
 

Fonte: Unesp




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