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OPINIÃO - A usina do Pará e o futuro do País

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Marco Aurélio Cabral Pinto

       O debate sobre o leilão da usina de Belo Monte foi contaminado emocionalmente pela conjuntura eleitoral, colocando-se em relação de oposição interesses que, em outros momentos do ciclo político, possivelmente estivessem juntos defendendo a realização do projeto. Por um lado, cumpre observar que hidrelétricas se constituem em fonte renovável de energia, com grandes benefícios ambientais sobre alternativas viáveis.
       E aqui não entram nem eólica, nem fotovoltaica, nem eficiência energética, dados os montantes requeridos. Entre as alternativas consideráveis, estariam as termelétricas, que, à exceção das termonucleares, possuem baixo impacto na obra, mas pesadas consequências ambientais na operação, via emissões atmosféricas. Em síntese, os custos por unidade de energia gerada e transmitida, necessários para equacionamento dos passivos socioambientais decorrentes, são provavelmente menores em hidrelétricas, mesmo para aquelas situadas na Amazônia.
       Outra premissa importante é que a engenharia nacional dispõe de competência tecnológica suficiente para equacionar quaisquer impactos decorrentes do projeto, seja através de prevenção, remediação ou monitoramento de passivos. Dito isso, coube à sociedade fixar democraticamente os níveis de excelência exigidos para o projeto, ainda que se reconheça que a dimensão do empreendimento exige estudos mais amplos e profundos a título de prevenção.
       Dado que a estratégia brasileira para os próximos anos parece ser a de dobrar apostas no crescimento pela via da industrialização, e dado que a oferta de energia é fundamental para o sucesso dessa estratégia, o Estado brasileiro assume a corresponsabilidade pelo êxito do empreendimento. Será possivelmente cobrado pela administração dos impactos esperados e não esperados sobre as populações e sobre a floresta, transformando, no melhor cenário, ameaças alarmistas em paradigma de melhores práticas para o resto do mundo.
       Ainda assim, mesmo que as melhores expectativas não se realizem, a estratégia adotada parece melhor para os brasileiros que a aposta na interrupção do processo de crescimento para os próximos anos, quando Belo Monte seria relativamente menos urgente e importante. Essa visão sustenta que o Brasil não conseguirá construir trajetória própria e independente de industrialização sustentável enquanto países centrais, incluindo os Estados Unidos, enfrentam grandes dificuldades. Esperamos sinceramente que essa sombria profecia não se realize.


Marco Aurélio Cabral Pinto é consultor em Ciência & Tecnologia do projeto
“Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e professor da
UFF (Universidade Federal Fluminense)

 

 

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