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Sindical - Entidades em defesa do emprego na Usiminas

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Rosângela Ribeiro Gil

Desde 31 de maio último, a manutenção do emprego na Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), nas unidades paulistas de Cubatão e São Paulo, é uma preocupação da Delegacia Sindical do SEESP na Baixada Santista. Isso porque, a partir dessa data, a empresa, cuja matriz está em Ipatinga (MG), desligou um dos seus dois altos-fornos – equipamento de uma das etapas da produção do aço, em que é fundido o minério de ferro a fim de transformá-lo em ferro-gusa. Na usina mineira também foi abafado um alto-forno.

“Vivemos uma situação de insegurança total”, adverte o presidente da delegacia, Newton Güenaga Filho, explicando que a companhia, em mesa de negociação para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho 2015, apresentou proposta de redução da jornada de trabalho e de salário. A justificativa patronal é que houve uma queda da produção em razão de problemas relacionados ao mercado nacional e às exportações. “A Usiminas pede o sacrifício do empregado, mas não lhe dá garantia de emprego”, critica.

O efetivo atual no polo industrial cubatense é de cerca de 10 mil empregados – sendo 4.800 diretos e quase 6 mil de empreiteiras, segundo a assessoria de comunicação da companhia. Pela proposta, válida por três meses, prorrogável por igual período, o empregado da área administrativa não trabalhará às sextas-feiras e poderá ter uma redução salarial de até 15%, informa Güenaga. O SEESP defende que se garanta a estabilidade.

Para o presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista (Stismmmec), Florêncio Resende de Sá, a Usiminas se utiliza do momento político de instabilidade para fazer ajustes necessários à manutenção da taxa de lucro futuro. E critica: “A proposta nada mais é do que fazer caixa para pagar rescisões de parte do grupo já que, além de não propor estabilidade, a empresa ainda prevê demissões.” O dirigente informa que as dispensas já estão ocorrendo, atingindo, no momento, os terceirizados. Ele não concorda com o argumento da siderúrgica de perda de mercado e prejuízos.

A questão já extrapolou a companhia e tem motivado reuniões na Prefeitura Municipal de Cubatão com diversos sindicatos de trabalhadores, como a realizada no dia 19 de junho último. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Santos (Sintracomos), Macaé Marcos Braz de Oliveira, que representa os terceirizados, receia que a medida signifique a demissão de mais de 3 mil trabalhadores nos próximos meses, entre diretos e indiretos. Segundo ele, a siderúrgica de Cubatão avisou às terceirizadas que os contratos não serão reajustados e terão 30% de redução – a empresa não confirmou a informação. “Tudo isso vai cair nas costas do trabalhador, porque o patrão não abre mão de nenhum lucro”, lamenta.

Para o secretário municipal de Emprego e Desenvolvimento Sustentável de Cubatão, Carlos Alberto Benincasa, é necessário ampliar a discussão sobre a situação da Usiminas com as prefeituras da Região Metropolitana da Baixada Santista, formada por nove cidades, e chamar as empresas, inclusive o Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), de Cubatão. O abafamento do equipamento teve reflexos imediatos, explicou Benincasa, no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) da cidade – órgão ligado à Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert). “As vagas sumiram do posto, chegaram a zero praticamente.” A Usiminas é responsável por 38,5% dos empregos do parque industrial local.

Novo encontro para tratar da situação estava marcado para ocorrer no dia 26 de junho, na Prefeitura cubatense. Güenaga informa que estão sendo cogitadas ações mais abrangentes, como formar uma comissão para levar o problema ao governo federal, em Brasília. “O que acontece na Usiminas não pode ser tratado de forma isolada. Se é um reflexo da política econômica do País, devemos levar nossa reivindicação de garantia de emprego a todas as instâncias governamentais”, defende.

Levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a partir de dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), relaciona 19 acordos coletivos firmados, neste ano, com redução salarial que variou de 68,9% (caso único de um estabelecimento farmacêutico) a 5%, sendo que a maior parte deles se deu em indústrias metalúrgicas.

Perda de mercado
Em nota oficial enviada ao Jornal do Engenheiro, a Usiminas alega buscar medidas para preservação da equipe diante da crise no mercado de aço. Diz o comunicado: “A empresa está optando pela redução da jornada de trabalho para as áreas administrativas em todas as suas unidades. A efetivação da medida, voltada à preservação da equipe, está condicionada às negociações com os sindicatos nos próximos dias e à aprovação por parte da categoria.”
A siderúrgica apresenta estimativa do Instituto Aço Brasil (IABr) de queda no consumo aparente de aços planos no País em 2015 de 6%, porque “setores consumidores importantes, como o automotivo, de infraestrutura e de distribuição, estão operando com baixa atividade”. O documento informa que o desligamento temporário dos altos-fornos de Cubatão e de Ipatinga reduzirá a produção de ferro-gusa em aproximadamente 120 mil toneladas por mês.

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