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Mercado – De 2003 para cá, cresce emprego para engenheiros

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Após dez anos de estagnação e declínio, o volume de postos de trabalho formal voltou a crescer no Estado e no País, sobretudo a partir de 2003. A engenharia, profissão do desenvolvimento por excelência, foi especialmente favorecida por uma conjuntura mais favorável. É o que aponta estudo intitulado “Perfil ocupacional dos profissionais de engenharia no Estado de São Paulo”.

A pesquisa encomendada ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio­econômicos (Dieese) pelo SEESP foi lançada no dia 11 de dezembro – Dia do Engenheiro – durante celebração à data promovida por esse sindicato. Com recorte temporal de 2003 a 2013, demonstra, conforme salientou no ensejo o presidente da entidade, Murilo Celso de Campos Pinheiro, “a expansão de 80% do mercado de trabalho formal do engenheiro no Estado”. O resultado é expressivo, já que São Paulo reúne, como informa a economista do Dieese, Ana Clara Bellan, um terço dos engenheiros brasileiros. “Os centros de formação e tecnológicos, bem como as empresas ainda se concentram na região Sudeste, em especial neste Estado.” Segundo ela, regionalmente, “a distribuição da engenharia manteve-se absolutamente igual ao período anterior, de 1995 a 2005. O que pode ser destacado é uma pequena migração para o interior e litoral, como Baixada Santista, com a questão do petróleo. Na Região Metropolitana de São Paulo, estavam 70% do emprego e agora, 60%”, como consequência da fixação de empresas em outras localidades.

Entre 1995 e 2005, período do estudo anterior, como informa Bellan, foram 8 mil postos de trabalho a esses profissionais no Estado; já no último período analisado, 40 mil. “O pessoal formado na metade da década de 1990 desistia da carreira e ia para o setor financeiro ou montar um negócio próprio. Os meninos formados em 2003-2004, por sua vez, pegaram esse processo crescente, então havia demanda ao final da faculdade. Conversei com alguns jovens de 30, 35 anos que disseram: ‘a gente é procurado pelo mercado e tem até uma disputa pelas melhores formações. Teve muito investimento público, mas também privado nas áreas petrolífera, química-farmacêutica, de telecomunicações, cujas empresas têm maior porte e remuneram melhor seus funcionários. Aí que se deu a expansão.”

Bellan destaca que se percebe tal ascensão nitidamente a partir de 2005-2006. “Com o crescimento da economia, investimentos em infraestrutura, pesquisa e tecnologia, a construção civil sendo alavanca importante ao desenvolvimento, a incorporação dos engenheiros foi maior até do que o emprego total gerado no País e no Estado.” Na sua concepção, “implica que eles têm um papel importante para dinamizar a economia”. Assim, observa: “Mesmo no período de uma recessãozinha em 2009, o emprego dos engenheiros se manteve, cresceu até.”


Mais mulheres no mercado

Baseando-se em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, como explica Bellan, a análise foi produzida em dois meses. Além de indicar elevação geral nos postos de trabalho para a categoria, apontou maior participação feminina na área que tradicionalmente tem predominância masculina. Em 1995, no Estado, as mulheres perfaziam 11%; no último período, saltaram para quase 20%. “O crescimento foi de 128%, superando em termos relativos o dos homens (72%).” Das 40 mil ocupações, 10 mil foram de mulheres. “Eles são ainda maioria, mas o processo de entrada da mulher nesse mercado já vinha desde 1995 e permanece.” A economista reconhece que em algumas áreas, elas ainda são poucas; representam menos de 10%, “mas na engenharia mecânica, elétrica, já estão com papel importante”. Ela pondera: “Tem se ampliado o mercado de trabalho para as mulheres em áreas que antes não ocupavam, até mesmo na construção civil, mas ainda são progressos muito sutis, não há uma revolução.”


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Quanto ao rendimento, recebem na média 82% do salário pago aos homens, mas em algumas modalidades, como mecatrônica, praticamente a equivalência foi alcançada. Um resultado melhor do que a média das profissões universitárias (62%). Independentemente de gênero, a remuneração se elevou, com destaque para engenharia civil, de computação e mecatrônica.

A avaliação é, ainda de acordo com a economista, que essa década de 2000 teve uma sequência nesse sentido, mesmo numa época de baixa. “Com as obras da Copa, civis, portuárias, de transporte, telecomunicações”, constata Bellan, “houve um boom dessa área”. Já a partir de 2013, a velocidade do crescimento tem diminuído. “Não sabemos ainda se daqui em diante isso permanece ou se teremos um 2015 mais recessivo como foi em 2009, mas a ideia é que o pessoal empregado continue dando seguimento a esses projetos já iniciados”, acrescenta. E conclui: “Esperamos que este ano seja só um soluço. O movimento sindical e o Dieese estão trabalhando juntos sobre o que fazer para não se perder todo esse investimento feito, para que a demanda interna se estabilize e cresça.”

Confira o estudo do Dieese na íntegra.



Por Soraya Misleh

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