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Opinião – A alegria da bola

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Aldo Rebelo


A Copa do Brasil foi perseguida pelo legado que deveria deixar na forma de melhorias diversas para o povo brasileiro: serviços e obras públicas, aumento do Produto Interno Bruto (PIB), dinamismo de negócios, criação de empregos, projeção geopolítica, atração turística e outros numerosos fatores que um megaevento desse porte impacta nas entranhas do país anfitrião. Tudo isso foi conquistado a mancheias. Mas parece que muitos se surpreenderam com a característica lúdica do torneio, que entre nós ganhou uma exuberância jamais vista nas 19 copas até então realizadas. 

A imprensa, as delegações e os turistas estrangeiros foram os primeiros a reconhecer que lugar de Copa do Mundo é no Brasil. Todas deveriam acontecer aqui, disse o ex-craque e hoje integrante da Comissão Técnica da Holanda Pierre Van Hooijdonk, resumindo um sentimento que se generalizou entre as multidões que participaram ou acompanharam o torneio durante um mês.

Já não cabe lembrar os profetas do caos, as cassandras de predições catastróficas, os grupos tangidos por interesses político-eleitorais disfarçados de crítica ou pessimismo – pois não era de pessimismo que se tratava, e sim de um vendaval corrosivo que procurava minar a Copa para atingir o governo que tanto trabalhou por ela. Esses foram soterrados pelo sucesso do empreendimento.

Cabe-nos mais celebrar o engajamento festivo de um país que, em sua torcida, combinava a tensão da disputa com a alegria do encontro. Os estrangeiros foram recebidos como irmãos e sentiram-se em casa, em tal confraternização que, nos 64 jogos, não se registrou um só incidente digno de nota.

A adesão popular foi tamanha que, apesar do mau desempenho da seleção brasileira, a alegria continuou nos estádios e nas ruas mesmo depois da derrota para a Alemanha. Nem se sucedeu o ambiente fúnebre da campanha de 1950.

Neste espaço, impõe-se uma homenagem à engenharia nacional. Os projetos e obras de execução de reforma e construção de estádios, aeroportos e equipamentos de transporte público nas 12 cidades-sedes foram bem-sucedidos. As arenas, principalmente, erguem-se como testemunho da capacidade realizadora do Brasil. Belas, modernas, confortáveis, ficaram prontas a tempo e funcionaram a contento como palcos da mais alegre das Copas. Algumas já receberam certificados de excelência ambiental.

Infelizmente vai demorar, mas todo o universo do futebol deixou claro que gostaria que outra Copa logo se realizasse sob o manto da alegria e competência verde-amarelas.


Aldo Rebelo é ministro do Esporte.
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