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Editorial – Construir uma São Paulo viável

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No final do mês de junho, após longas e difíceis negociações e forte mobilização por parte do movimento de moradia, foi aprovado o Plano Diretor da Capital, que determina os rumos da cidade pelos próximos 16 anos. Como era de se prever, o resultado final do texto, embora tenha recebido votos favoráveis de ampla maioria na Câmara Municipal (44 contra oito e três abstenções), não é unanimidade entre especialistas, conforme demonstra reportagem publicada neste Jornal do Engenheiro.

Longe de representar problema grave em si, as polêmicas que permanecem em torno da chamada “Política de Desenvolvimento Urbano e o Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo” remetem à necessidade de se continuar a debater a organização urbana, visando aprimoramentos. É extremamente positivo que tal discussão, que durou nove meses e mereceu 114 audiências públicas, torne-se permanente e cada vez mais participativa.

Problemas graves de mobilidade, concentração das oportunidades de emprego, serviços e equipamentos públicos nas áreas centrais e carência de moradia têm aproximado a cidade de 12 milhões de habitantes de uma situação caótica. É tarefa do poder público buscar soluções para esse quadro que torna extremamente difícil a vida no município, sobretudo para a população mais pobre, mas isso precisa ser feito de forma democrática, transparente e com a real contribuição dos cidadãos.

É urgente que saber técnico, poder político e vontade do povo estejam afinados para projetar uma capital viável para o futuro. Nessa equação, a Prefeitura, a Câmara Municipal e a sociedade civil organizada têm como tarefa importante garantir que seja assegurado o interesse público, que envolve o bem-estar da maioria da população e a preservação ambiental. Lobbies costumeiramente poderosos devem ser combatidos em nome do bem coletivo. Uma cidade bem planejada e voltada à qualidade de vida das pessoas não está necessariamente em contradição com oportunidades de negócios e iniciativas empreendedoras. É necessário apenas que esses se adequem ao modelo escolhido pela cidadania e contribuam com ele, em vez de combatê-lo.

Temos muito ainda o que avançar. Além da infraestrutura física necessária, é preciso transformar a Capital numa cidade inteligente, que lance mão da tecnologia da informação para facilitar o cotidiano. Portanto, o Plano Diretor que passa a ser implementado agora deve ser utilizado como importante ferramenta de planejamento, mas também visto com ponto de partida, não de chegada, ao esforço de construir a metrópole que almejamos.

Copa 2014 – O projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), desde 2011 dedicou-se a acompanhar os preparativos à Copa 2014 e o legado que esses poderiam deixar às cidades-sede e ao País de um modo geral. Terminado o mundial, está em elaboração um balanço da sua realização, à luz do projeto, para ser apresentado pela entidade. O documento deve estar pronto neste mês de agosto, trazendo dados que consigam demonstrar os resultados obtidos.


Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

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