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Engenheiros saem em caravana e debatem sustentabilidade da Amazônia e integração continental

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     Profissionais de todo o País, representantes dos sindicatos filiados à FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), inclusive do SEESP (leia artigo com as impressões dos dirigentes), participaram do Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável, realizado entre os dias 7 e 15 de agosto, no Estado do Acre e no Peru. O evento que tinha como tema “Engenharia e meio ambiente no desenvolvimento sustentável da Amazônia sul-americana”, aconteceu em três etapas.
     A maratona começou às 5 horas do dia 7, com a saída de Rio Branco rumo a Cruzeiro do Sul pela BR-364, na visita técnica organizada pelo Deracre (Departamento de Estradas de Rodagem do Acre). A caravana seguiu de ônibus até a cidade de Sena Madureira, a 143km da capital, pelo trecho já asfaltado da rodovia. Lá, os engenheiros transferiram-se para cerca de 20 caminhonetes para vencer os 503km restantes, esses grande parte ainda sem pavimentação. Entre paradas para abastecer, observar os trabalhos em andamento, travessias de rios, almoço e uma palestra sobre a obra, feita pelo diretor geral do Deracre, Marcus Alexandre Aguiar, a viagem levou 17 horas. Operação de guerra
Durante o caminho, em que a poeira da estrada e os sacolejos eram a constante, duas constatações: a necessidade de se pavimentar o trecho que integra dez municípios e 81% da população acreana e as dificuldades em realizar a obra. Atualmente, durante o período de chuva, que vai de outubro a abril, com maior intensidade a partir de janeiro, a estrada fica fechada, impedindo a circulação da população e de mercadorias. As mesmas dificuldades atingem a execução da obra, sujeita a uma logística complexa, solos com baixa capacidade de suporte, relevo ondulado e grandes áreas de inundação.
Os insumos para a BR, à exceção da areia que se origina de Cruzeiro do Sul, são importados de diferentes regiões brasileiras, necessariamente chegando por via fluvial. A brita vai de Rondônia, o aço de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, óleo diesel e cimento do Amazonas e os equipamentos de Goiás e Distrito Federal.
     Essa verdadeira operação de guerra, afirma Aguiar, justifica os altos custos do empreendimento. Apenas o trecho de 224,44km que ligará Sena Madureira, Manuel Urbano e Feijó, em fase de contratação, está orçado em R$ 564,3 milhões. Incluída como obra prioritária no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a estrada ganhou um reforço orçamentário de R$ 700 milhões. Com isso, o diretor do Deracre acredita que todos os 765km, de Acrelândia a Rodrigues Alves, estarão concluídos até dezembro de 2010.

A vez do Acre
     De volta a Rio Branco, no dia 9, o fórum foi aberto oficialmente pelo seu presidente de honra, o ex-governador do Acre, Jorge Viana, e contou com um seminário de dois dias, realizado na Fieac (Federação das Indústrias do Estado do Acre). “É muito importante ter a chance de sediar esse fórum e contar com a presença de profissionais de 17 estados”, declarou. Sebastião Fonseca, presidente do Senge-AC e da ONG Engenheiros Solidários, ligada à FNE e co-promotora do evento, assinalou qual deve ser o correto papel da engenharia. “Não poderá ser a vilã do desenvolvimento.” Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da federação e do SEESP, lembrou que o fórum dá continuidade ao projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e destacou a importância de realizar o evento no Estado do Acre. “É um orgulho para todos nós brasileiros, pelo que se vem realizando aqui”. Na mesma linha, o prefeito de Rio Branco, Raimundo Angeli, comemorou a fase vivida no Estado. “Já houve época em que muitos tinham vergonha de se dizer acreanos, hoje isso passou.” “Esse fórum trará uma contribuição muito grande ao nosso Estado e ao País, pois os engenheiros são aqueles que criam uma vida melhor para a população”, completou o deputado estadual Taumaturgo Lima (PT). Encerrando a cerimônia de abertura, o vice-governador César Messias deu as boas-vindas aos engenheiros.
     A palestra “O Estado do Acre e o desenvolvimento sustentável”, proferida por Jorge Viana, deu o tom de todo o fórum. Segundo ele, duas premissas básicas guiaram o projeto que começou a ser implantado em 1999. Primeiro, o Acre deixou de ser “o fim do Brasil” e passou a ser a porta de várias oportunidades, tendo em vista que o Estado é saída brasileira para o Oceano Pacífico.

Valorizar a floresta
     O segundo ponto é pensar seu desenvolvimento utilizando o potencial de 90% de sua área, em que está a floresta, e não apenas os 10% já devastados. Além disso, a Amazônia deve ser valorizada não pela terra, “mas pelo que está acima e abaixo dela”. O desafio, apontou, é aumentar a participação da região na atividade econômica florestal, que movimenta US$ 190 bilhões no mundo. Na prática, as premissas do ex-governador estão traduzidas em vários projetos de desenvolvimento sustentável em forma de parcerias com a iniciativa privada, ainda incipientes, mas promissores. Entre esses, está a Usina Álcool Verde, que recupera a antiga Alcobrás, construída nos anos 80 e abandonada sem uso. Tendo plantado as primeiras mudas de cana em janeiro de 2006, o início da produção de álcool e açúcar está previsto para 2008, com previsão para 30 milhões de litros e 10 mil sacos por dia, respectivamente. Fazem parte ainda o Complexo Industrial Florestal, que produz o “taco verde”, fruto de manejo florestal, a fábrica de preservativos masculinos e a usina de castanha, todos em Xapuri, além da usina de castanha, abatedouro de frango e agroindústria de polpa de frutas, em Brasiléia, fronteira com a Bolívia.
     Destaque nessa busca de sustentabilidade tem o Projeto Jari, hoje pertencente ao empresário Sérgio Amoroso, dono do Grupo Orsa, que em 2000 assumiu uma dívida de US$ 415 milhões disposto a transformar um estrondoso fracasso em sucesso. Sete anos depois, ele está otimista. “Em dez anos, o Jari será uma empresa de US$ 1 bilhão”, garante.

A caminho dos Andes
     A terceira etapa do fórum e outro projeto de grande importância para o desenvolvimento da região e integração sul-americana é a Rodovia do Pacífico, que sai de Rio Branco e vai até Cusco. Pronta no lado brasileiro, inclusive com a ponte Assis Brasil – Iñapari, inaugurada em 2006, e a alfândega, a obra continua no lado peruano a cargo da construtora Odebrecht, com previsão de término em 2010 e um orçamento de US$ 567 milhões. Para conhecer esse empreendimento, cujo objetivo é abrir mercados à produção brasileira, os engenheiros saíram em nova caravana, desta vez para uma excursão de três dias, que cruzaria a fronteira com o Peru, atravessaria a floresta amazônica e os Andes, atingindo uma altitude de 4.800 metros. Organizada pelo Conirsa, o consórcio que constrói e operará a rodovia quando pronta, a viagem contou com paradas para pernoites em Brasiléia e em Mazuco, antes de chegar a Cusco na terceira noite, após 700km numa trilha de terra tortuosa e à beira da montanha, cruzando rios e precipícios. Para compensar o esforço, uma paisagem exuberante.
     No dia 15, já em Lima, à espera do vôo para retornar a São Paulo e depois aos respectivos estados, os engenheiros encerraram a expedição com um último susto: o terremoto que abalou o Peru e fez centenas de vítimas, especialmente na cidade de Pisco, onde atingiu oito graus na escala Richter.


por Rita Casaro


 

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