logo seesp ap 22

 

BannerAssocie se

Cultura da cana ganha Presidente Prudente

Avalie este item
(0 votos)

    Com áreas disponíveis à expansão do plantio no Estado, solo e clima propícios, como afirma o professor-doutor em tecnologia de cana, açúcar e álcool da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), Tadeu Alcides Marques, o município, assim como toda a região, tem despertado o interesse dos produtores de cana-de-açúcar.
     Segundo estima Fernando Rodrigues Carballal, diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em Presidente Prudente, de três anos para cá, oito usinas foram instaladas ali ou encontram-se em vias de. E a projeção é que esse número cresça substancialmente. “Foi anunciada a implantação de até 35 nos próximos dois ou três anos”, informa ele.
     Outro atrativo ao produtor se estabelecer no Oeste Paulista é o custo baixo da terra. Marques explica o porquê: “A região veio a ter sua formação agrícola na época do Império e tem muitas terras devolutas no Pontal do Paranapanema. Além disso, tem problemas climáticos, chegando a ficar até 40 dias sem chuva, e solo arenoso e fraco. E gramíneas como a cana suportam essas condições, que fazem com que a terra valha muito pouco.” De acordo com ele, em Presidente Prudente, o hectare custa em média R$ 2 mil, 10% do valor de Ribeirão Preto. “Isso faz com que os custos de produção diminuam muito, propiciando rentabilidade maior.” Soma-se ainda entre os fatores favoráveis à expansão da cana em Presidente Prudente e entorno, na sua análise, o fato de a pecuária, predominante na região, estar “passando por uma crise”.
     Luiz Bonifácio Urel, diretor da regional Presidente Prudente do Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), vê com bons olhos o aproveitamento da área para o plantio da cana, o que pode gerar trabalho e renda. Carballal dá um indicador dessa tendência: “De um ano para cá a gente percebe o crescimento no número de empregos em nível industrial, que chegou a 10% somente em 2007. Acreditamos que 7% a 8% venham da expansão dessa cultura.” Ele é enfático: “Vejo isso como solução do desenvolvimento ou retomada da nossa independência econômica.” Para ele, toda uma cadeia pode ser movimentada.

Distribuição e ambiente
     Na sua opinião, nesse sentido, a linha férrea que liga Presidente Prudente a Presidente Epitácio, desativada em função da baixa demanda, pode vir a ser reativada, uma vez que deve se ampliar o fluxo de exportação e importação de insumos que precisam ser trazidos para a região. Essa seria, indica Carballal, também a saída para o problema de distribuição da produção oriunda do Oeste paulista, última fronteira agrícola do Estado. “Poderia levá-la aos grandes centros consumidores.” Bonifácio afirma que alternativa à distribuição seria ainda criar um alcoolduto.
     O secretário municipal do Meio Ambiente de Presidente Prudente, Fernando Luizari Gomes, reconhece as vantagens da expansão da cana e acredita, inclusive, que sua chegada vai repercutir na profissionalização do produtor rural, o qual “vai ter que melhorar suas técnicas”. Para ele, contudo, é necessário haver equilíbrio entre a necessidade de investimentos no setor e de preservação ambiental. Além do cumprimento à legislação no que concerne às queimadas, Gomes salienta que “as usinas precisam dispor de 20% de áreas para reserva legal e respeitar as APAs (Áreas de Proteção Ambiental)”. Atento a essa questão, o promotor de Justiça regional do Meio Ambiente do Pontal do Paranapanema, Nelson Roberto Bugalho, tem movido ações para impedir a degradação do meio. Segundo sua informação, na região, os principais problemas em função da expansão da cana são o “desmatamento, supressão de matas, florestas e áreas isoladas. Muitas vezes isso é feito à noite e árvores são enterradas em valas”. Lançamento de vinhaça nos cursos d´água, plantio de cana em APAs e efetivação da queima a distâncias inferiores a mil metros do perímetro urbano são outros efeitos.
     Bonifácio e Carballal concordam que a questão socioambiental tem que ser levada em conta, assim como o risco da monocultura. Como forma de fazer frente a isso, José Francisco Galindo Medina, presidente da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), subseção Presidente Prudente, aponta a necessidade de se estabelecer política agrícola regional, com diretrizes para o setor traçadas em comum acordo pelos municípios.


Soraya Misleh



 

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar



Receba o SEESP Notícias

E-mail:

agenda