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Editorial - Governo paulista à beira de um grande equívoco

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    Conforme divulgado pela imprensa no início do mês, a Secretaria da Fazenda desenha, a pedido do governador José Serra, um plano para privatizar a Cesp Paraná, única geradora que sobrou ao Estado após o desmonte dos anos 90. Depois de, em setembro último, anunciar que venderia apenas ações que excedessem o controle sobre as diversas empresas estaduais, agora o Governo pretende se desfazer totalmente da companhia, avaliada – a parte que pertence ao Estado – em R$ 5 bilhões. O argumento apresentado para tal decisão não é novo: não há necessidade de ter uma geradora de energia. Os que pretendem levar a leilão a empresa também consideram apropriado o momento de risco de apagão para vendê-la.
      Difícil saber em que parte do raciocínio reside o maior equívoco. Em primeiro lugar, ao abrir mão da geradora, ainda uma das maiores do País embora tenha sido fatiada em três, o Governo paulista desiste também de um importante instrumento de indução do desenvolvimento. Como se sabe, geração de energia não é qualquer atividade econômica e trata-se, sim, de interesse de Estado com importantes repercussões na vida da população, na atividade industrial e na economia em geral. 
      Além disso, chega a surpreender que a iminência de escassez de energia pareça apropriada para que São Paulo abra mão de qualquer possibilidade de intervir no planejamento do setor elétrico e de contribuir para tentar evitar o problema. Imagina-se que o cálculo seja com relação à arrecadação, que pode ser maior já que energia será um bom negócio. A atitude revela uma visão pautada pela especulação e longe de ser estratégica, o que a torna nada apropriada ao gestor público e francamente lamentável. A decisão chama ainda a atenção tendo em vista que o Governo do Estado havia desistido da privatização da Cesp em 2001, exatamente quando houve o racionamento de energia, causado, como se sabe, pelo processo de desestatização que trouxe aumento de tarifas, queda na qualidade dos serviços e desobrigação de expandir o sistema.
     Já autorizado por lei a vender a companhia, o Governo precisa ser convencido politicamente pela sociedade civil que está à beira de cometer um grande equívoco. Também de acordo com as notícias divulgadas, a idéia é realizar a venda no início de 2008. Nesse curto período, é preciso unir forças e reverter tal projeto, que, como se viu no passado e por todos os motivos da conjuntura atual, tende a ser extremamente danoso ao povo paulista.

 

 

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