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Editorial – É preciso ouvir os trabalhadores

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Após as inúmeras manifestações realizadas ao longo do mês de junho no Brasil, desencadeadas pela luta contra o aumento de tarifas no transporte público, chegou a vez das reivindicações dos trabalhadores, que, em última instância, dizem respeito a todo o povo brasileiro. O Dia Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações, realizado em 11 de julho, levou para as ruas a pauta unificada do movimento sindical, que reúne reivindicações consideradas fundamentais desde a Conferência da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada em 2010, em São Paulo.

As bandeiras que ganharam visibilidade em todo o Brasil são: redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais; melhoria das aposentadorias e fim do fator previdenciário (coeficiente que diminui o valor do benefício levando em conta a expectativa de vida); não à terceirização prevista no Projeto de Lei 4.330; destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação e de 10% do orçamento da União para a saúde; transporte público e de qualidade; reforma agrária; e suspensão dos leilões de petróleo.

Convocado pelas centrais sindicais, o ato teve adesão dos movimentos sociais e participação do conjunto das entidades sindicais, inclusive da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), à qual o SEESP está filiado por meio da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). Assim, a entidade compareceu ao ato na Avenida Paulista, em São Paulo, para demonstrar seu apoio ao Dia Nacional de Lutas, cuja pauta precisa ser ouvida pelo governo e pelo Congresso Nacional.

A redução da jornada de trabalho deve ser tratada como medida prioritária. Ao se propiciar mais tempo livre ao trabalhador, será conquistado verdadeiro avanço social ao Brasil. Isso trará ainda óbvio efeito benéfico sobre a economia ao gerar mais empregos – 2,5 milhões segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).  A medida, sempre bem-vinda, seria ainda mais pertinente no momento em que o País busca retomar o crescimento do PIB e pena com uma tímida expansão econômica que não atende às necessidades nacionais.

Ainda, o fim (ou ao menos a flexibilização) do fator previdenciário é tarefa urgente para eliminar uma das grandes injustiças do País, que pune especialmente aqueles que entraram ainda muito jovens ou mesmo adolescentes no mercado de trabalho, ou seja, os mais pobres. Nada justifica a manutenção de um dispositivo perverso que corrói os ganhos de quem dedicou décadas à labuta e, por consequên­cia, à construção da riqueza nacional, tendo obviamente contribuído devidamente para o sistema de seguridade social.

Considerado bem-sucedido por ter se espalhado por todo o Brasil e mostrado a unidade de ação do movimento sindical, o ato de 11 de julho não encerra essa batalha, pelo contrário, demonstra que o velho jargão dos trabalhadores está mais em voga que nunca: a luta continua.


Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

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