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Construção mantém otimismo e prevê mais investimentos, empregos e salários

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     As notícias para quem atua no setor não poderiam ser melhores. Após fechar 2007 com crescimento de 7,5% – batendo o comemorado PIB (Produto Interno Bruto) que ficou em 5,3% –, a indústria da construção civil projeta incremento de pelo menos 10% para 2008 sobre o ano passado e não se aflige diante das turbulências internacionais. “O que se tem hoje é a confiança de que a economia brasileira tem robustez para passar bem essa fase, o que significa que podemos construir o que já está contratado. Contudo, havendo uma perda de dinamismo na economia mundial, não poderemos repetir o desempenho em 2009”, avalia Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). “Na construção pesada não vejo a menor possibilidade de haver interferência da crise financeira externa. A infra-estrutura precisa ser feita de qualquer forma”, garante, ainda mais otimista, o presidente do Sinicesp (Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo), Marlus Renato Dall’Stella.
     A avaliação dos dois líderes reflete a visão do conjunto dos empresários, conforme demonstrou sondagem realizada pelo Sinduscon e pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) com 238 deles. Esses esperam, em 2008, bom desempenho futuro, com maior volume de negócios e rentabilidade. Além disso, também crêem mais no crescimento econômico do País.
     Essa última expectativa certamente beneficiará o resultado da iniciativa privada em geral e do setor em particular. Conforme Zaidan, a construção, que absorve aproximadamente metade do capital que vai para o mercado produtivo, beneficia-se do aquecimento da economia provocado pelo aumento da taxa de investimento. “Em qualquer área que se invista, tem construção. Se aumentar a procura por um determinado item, o industrial precisa produzir mais. Ele introduz um turno extra, compra máquinas para modernizar etc. Se a demanda continua, precisa ampliar a fábrica e contrata construção”, ilustra. Casa própria e efeito PAC
     Entre os grandes responsáveis pela performance do setor, estão os negócios imobiliários, favorecidos pela redução na taxa de juros, mantida em 11,25% desde setembro, após quedas consecutivas a partir de fevereiro de 2003, quando chegou a 26,5%. Outro fator positivo foi o aumento da renda. Entre 2003 e 2007, segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada em 23 de fevereiro, o rendimento médio real dos trabalhadores cresceu 7,7%. Em janeiro último, a tendência se manteve e esse indicador ficou 3,4% maior que no mesmo período do ano passado. Os recursos para investir em imóveis também vieram da poupança, superando as expectativas dos empreendedores. “Achava-se que alcançaria R$ 12 bilhões em 2007 e acabou dando R$ 18 bi”, destaca Zaidan. Para 2008, as primeiras projeções, segundo a publicação do Sinduscon Conjuntura da Construção, indicam recursos da ordem de R$ 21 bilhões para o financiamento habitacional.
      Ainda não entra nessa conta a enorme demanda por moradia popular, que, segundo estudo encomendado pela entidade à FGV, é de 27,7 milhões de unidades até 2020. “Esse é um assunto que tem sido motivo de muita atenção. Até agora, houve dinamismo muito maior da classe média baixa para cima, a partir de oito salários mínimos. É preciso atender o maior déficit, que está principalmente na faixa abaixo de cinco salários mínimos”, aponta o empresário. Segundo ele, é preciso avançar na questão de uma política habitacional que preveja subsídios, fontes de financiamento, desburocratização e um marco legal que incentive investidores. “A iniciativa privada está começando a se voltar a esse setor, mas há muitas dificuldades, que envolvem questões ambientais, tributárias, de regularização fundiária.”
     Embora a casa própria seja a vedete do momento, o diretor do Sinduscon ressalta a importância de outras áreas: “Há o turismo, que está um pouco mais distante do nosso olho, mas existem construções em todo o litoral brasileiro, não só de hotéis, mas de aeroportos, estrutura turística das cidades. Há ainda investimento público, do governo federal, dos municipais e estaduais.”
     Na avaliação de Dall’Stella, o grande fomentador tem sido o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “Estamos muito otimistas com as oportunidades que estão aparecendo e que se distribuíram pelo Interior do Brasil, em locais como Maranhão, Minas, Pará. Hoje temos uma demanda maior que a oferta de equipamentos, de gente, de pessoas especializadas... Neste ano, serão construídos portos, aeroportos, estradas e hidrelétricas”, comemora. Sem precisar números, ele aposta em resultados bastante favoráveis. “Com certeza, a construção vai crescer mais que o PIB em 2008.”

Emprego e salário
     Em meio a tantas previsões otimistas, o trabalhador do setor também deve ser beneficiado com mais vagas e conseqüente valorização salarial. “Em 2007, geramos 200 mil empregos no Brasil inteiro, talvez dê para criar um pouco mais que isso em 2008. É difícil fazer uma relação direta, mas não inventaram obra sem trabalhador”, analisa Zaidan. Na sua opinião, “todo mundo sai beneficiado, inclusive o engenheiro que hoje é um cara escasso”. “Há cinco anos, sobrava vaga para civil nas faculdades. A moda era fazer produção para trabalhar no mercado financeiro”, compara.
     Dall’Stella também acena com boas novas para quem pega no batente da construção civil. “Há oito meses, cresce o nível de emprego no setor.” Ele garante que a tendência se manterá ao longo do ano, “inclusive para os engenheiros, cujos salários dobraram”.


Rita Casaro

 

 

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