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Opinião - As dispendiosas soluções para os congestionamentos

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João Carlos Pasqualini

      A lógica dos nossos dirigentes políticos tem o nosso bolso sempre como a solução mais viável a qualquer problema. O custo social da falta de mobilidade é hoje da ordem de R$ 7 bilhões por ano, incluindo-se estresse, poluição, desperdícios de horas produtivas e combustível. No entanto, as saídas apresentadas são sempre sinônimo de investimentos em obras faraônicas (pontes, viadutos etc). Jamais se lança mão de medidas coerentes, como estabelecer o maior limite possível de velocidade nas vias principais e derivadas para que se desocupem o mais rápido possível essas artérias.
      Ninguém cogita mais semáforos inteligentes, passagens subterrâneas, orientadores de tráfego. O explorado usuário, quando pode acelerar, encontra uma legião de radares, lombadas eletrônicas para pegá-lo desprevenido, engordando a tal da indústria da multa, medidas que só contribuem para aumentar a lentidão dos deslocamentos diários.
      Assim, a solução óbvia é o transporte público. Porém, nosso metrô é caro demais, os poucos trens operam em baixíssima velocidade, que poderia ser elevada com melhorias na via permanente. Por incrível que pareça, apesar do recente recorde de 255km de congestionamento, foram reduzidos os ônibus em circulação, aumentando o tempo de espera e a lotação dos veículos. Diante desse quadro calamitoso, pergunto-me se algum secretário dos Transportes já ousou ir de ônibus ao trabalho. Acho que jamais entraram em um e desconhecem por completo as agruras dos usuários – gado tem mais conforto que os passageiros paulistanos.
      Para piorar a situação, há as “facilidades” adotadas contra o usuário para privilegiar o automóvel. Quem utiliza o transporte coletivo está nas últimas prioridades do planejamento da Capital, se é que existe algum. O erro principal está no conceito. Transporte, que é direito do cidadão e dever do Estado, é considerado atividade-fim. Isso só piora o circulo vicioso: quem depende de transporte público sonha o tempo todo em ter o seu carro, agravando ainda mais os engarrafamentos. Governantes e planejadores, usem a cabeça e o bom senso e esqueçam nosso bolso.


João Carlos Pasqualini é diretor do SEESP

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