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Opinião – Engenharia: um desafio que vale a pena

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Na comemoração de mais um Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, gostaria de compartilhar com os leitores do Jornal do Engenheiro um pouco da minha experiência na engenharia, profissão ainda predominantemente masculina, apesar da crescente participação feminina.  Incitante e desafiadora por natureza, a atividade traz para nós, mulheres, obstáculos ainda maiores.

Sou engenheira agrônoma com ênfase em agroecologia pela Universidade Federal de São Carlos e atuo na área de licenciamento ambiental há 15 anos. Quando me formei, em 1997, o País vinha passando por uma afirmação das políticas e legislações relacionadas à preservação da natureza em geral e dos recursos hídricos em particular. Diante desse cenário efervescente das questões ambientais – e dos inúmeros incentivos recebidos do meu tio Walter Becari, também engenheiro agrônomo –, vislumbrei uma oportunidade de atuar como consultora na área de licenciamento ambiental. 

No começo da minha carreira, as adversidades foram inúmeras e, entre elas, não faltaram situações de discriminação, nas quais minha competência técnica era colocada em dúvida na contratação. Recordo claramente de dois episódios. Num deles, o contratante era um produtor rural que me perguntou se eu tinha algum engenheiro para me ajudar a elaborar os trabalhos. Quando disse que não, perdi a oportunidade. Outro foi com uma empresa de engenharia que não tinha em seu corpo técnico (formado exclusivamente por homens) um profissional com a minha especialização e experiência. Um dos proprietários me perguntou: “Mas você sabe realmente projetar barragens e travessias?”

Nesse nicho, ainda há muito mais engenheiros proprietários de empresas de consultoria do que engenheiras. Embora haja uma tendência de aumento na participação das mulheres no quadro dessas organizações, o meio carece de esforços e avanços para que seja reduzida a desigualdade de gênero. Isso sem contar a tarefa de conciliar a vida produtiva com a reprodutiva, o que nos coloca diante de escolhas que invariavelmente farão com que algo seja preterido.

É bem provável que nessa minha trajetória profissional, em uma área de formação predominantemente masculina como o setor rural, eu ainda me depare com muitos desafios relacionados a questões de gênero. Todavia, o balanço que faço de minha vivência profissional na engenharia é positivo. A batalha é gratificante e vale a pena.  Felizmente, há cada vez mais mulheres dispostas a engrossar as fileiras e entrar nesse movimento de quebrar padrões.  Sejam bem-vindas!


Fabiane Ferraz – Diretora da Delegacia Sindical do SEESP em Piracicaba

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