logo seesp ap 22

 

BannerAssocie se

Luta por desenvolvimento sustentável e nova confederação marcam VIII Cetic

Avalie este item
(0 votos)

     Dois grandes projetos dos engenheiros deram a tônica do VIII Cetic (Congresso Estadual Trabalho-Integração-Com­promisso), realizado nos dias 30 e 31 de maio, na cidade de Barra Bonita: o “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolv­i­mento” e a CNTU (Confederação Nacional dos Trabalhadores Universi­tários), criada oficialmente em 4 de junho.
      Já na abertura solene, feita pelo pre­sidente do SEESP, Murilo Celso de Cam­pos Pinheiro, entrou em pauta a batalha pela volta do crescimento econômico que vem sendo travada pelos engenheiros. A iniciativa mereceu elogios das autoridades locais, dirigentes do SEESP, da FNE (Fe­deração Nacional dos Engenheiros) e de outras entidades que prestigiaram o evento. “Demos um passo fundamental, que foi sair da discussão meramente sa­larial para a que contempla a construção de um pro­jeto nacional”, resumiu o presidente do Senge-AC (Sindicato dos Engenheiros do Acre), Sebastião Fonseca.
       O tema também foi abordado pelo con­sultor sindical João Guilherme Vargas Netto em sua palestra, que deu início aos trabalhos no segundo dia do congresso. Destacando a conjuntura positiva e o mo­mento favorável ao movimento sindical, ele comemorou a inserção dos engenheiros nessa dinâmica e o acerto do “Cresce Bra­sil”. “A mobilização pela redução da jor­nada do dia 28 de maio  só houve porque o Brasil está cres­cendo e isso acontece porque nós ajudamos com a nossa discussão”, afirmou.
       Vargas Netto lembrou ainda que a ex­pansão proposta pelos engenheiros visa um modelo que não repita os erros do pas­sado. “Agora queremos que isso venha com distribuição de renda, respeito ao meio ambiente, reorganização urbana e dem­ocracia”, salientou.

Histórico
       Lançado em 2006, o “Cresce Brasil” par­te exatamente dessas premissas, afirmou o coordenador do projeto, Fernando Pal­mezan Neto, que apresentou um histórico da iniciativa. “Quando começamos, estáva­mos diante da seguinte situação: cresci­mento pífio, grande concentração de ren­da, falta de planejamento e de propostas. Então, pensamos como nós poderíamos interferir positivamente nessa situação”, lembrou. Segundo ele, traçou-se assim o cenário desejado: um crescimento de 6% ao ano. Para tanto, seria necessário investi­mento produtivo, estatal e privado, de 25% do PIB (Produto Interno Bruto), o que exi­giria redução da taxa de juros. O objetivo último seria gerar os postos de trabalho necessários.
      Assim, relatou Palmezan, foram eleitos os te­mas considerados essenciais ao desen­vol­vimento – energia, comunicações, trans­portes, ciência e tecnologia, sanea­mento, meio ambiente e recursos hídricos e agri­cultura. Como método de trabalho, a partir de uma nota técnica elaborada por um especialista, realizaram-se 14 seminá­rios em cidades paulistas e capitais brasilei­ras das cinco regiões, com a participação de milhares de profissionais. Após essa etapa, um manifesto final foi aprovado du­rante o VI Conse (Congresso Nacional dos En­genheiros) e passou a ser o instrumento de debate com a sociedade e convenci­men­to da necessidade e possibilidade de mudar o quadro socioeconômico brasileiro. “Esse documento foi entregue a todos os candi­datos ao governo federal, inclusive o presi­dente Lula, e a inúmeros que disputavam o governo em vários estados”, concluiu.
      Segundo Palmezan, o primeiro sinal de que o “Cresce Brasil” encontrara eco na sociedade foi o lançamento do PAC (Pro­grama de Aceleração do Crescimento), que trouxe inúmeras propostas convergentes com as dos engenheiros. “Nosso próximo passo foi elaborar uma análise comparativa e sugerir aprimoramentos ao plano governamental”, contou. Entre os bons resulta­dos desse esforço, ele contabiliza o lançamento do PAC da C&T e a inclusão da Usi­na Nuclear Angra 3 no programa.
      “Se fizermos um levantamento do que está acontecendo em termos de realização de projetos, o nosso esforço é vitorioso”, corroborou o coordenador técnico do “Cresce Brasil”, Carlos Monte. Ele citou como exemplos as hidrelétricas previstas para o Rio Madeira e os avanços da Pe­trobras com a descoberta de novos poços, que representam importante contribuição ao setor energético brasileiro.
      Na etapa atual, informou Palmezan, o Cresce Brasil voltou-se às questões das re­giões metropolitanas e já realizou debates em São Paulo, Florianópolis, Palmas, Maceió, Teresina e São Luís. Como resul­tado das dis­cussões realizadas na Capital paulista, produ­ziu a publicação “Desenvol­ver a metrópole e garantir qualidade de vida”.

Conselho Tecnológico
      Outra ação é a implantação de conselhos tecnológicos, formados por representantes dos profissionais e da sociedade civil, do setor produtivo, da academia e dos poderes públicos, que trabalhem para implantar as pro­postas do “Cresce Brasil” em cada re­gião do País. “Trata-se da formatação de uma aliança com lideranças das cidades”, explicou Allen Habert, que coordena a criação desses fóruns. A idéia é que essas lideranças montem uma agenda para dis­cutir os problemas regionais e buscar so­luções a eles, mobilizando a sociedade e persuadindo Executivo e Le­gislativo a tomar as providências cabíveis. Para orga­nizar o trabalho, a proposta é que seja divi­dido em sete comitês: emprego e relacio­namento universidade-empresa; qualifica­ção e requalificação profissional; inovação e produtividade; urbano e da memória da engenharia e arquitetura; energia, trans­portes e comunicações; saneamento, meio ambiente e mudanças climáticas; e agri­cultura e soberania alimentar.
      “Cada sindicato da FNE deve lançar o seu conselho”, enfatizou Habert, lembran­do que já existem no Piauí, no Acre e em Santa Catarina. Em São Paulo, são 18 im­planta­dos em cidades do Interior em que o SEESP tem Delegacias Sindicais e esse nú­mero deve chegar a 25.

CNTU e Portaria 186
      O segundo grande destaque do VIII Ce­tic ficou por conta da participação do se­cretário Nacional das Relações do Traba­lho, Luiz Antonio de Medeiros Neto, que anun­ciou a criação da CNTU. “A aprova­ção da nossa confederação é um marco. Essa é uma vitória de todos nós”, come­mo­rou o presidente do SEESP, Murilo Pinhei­ro. “Recebi um convite quase com­pulsório para estar aqui e fazer esse comu­nicado”, declarou Medeiros, lembrando o empenho do dirigente para que a nova entidade re­cebesse a aprovação do Minis­tério do Tra­balho. “Vocês estão muito bem represen­tados. É uma satisfação estar com pessoas que querem trabalhar e têm von­tade”, completou.
       Instituída pelas federações dos econo­mistas, nutricionistas e engenheiros, a nova entidade deverá abrigar muitas outras cate­gorias de nível superior. Nasce com o objetivo de aprimorar a luta pelos interes­ses dos profissionais e garantir a partici­pação efetiva das entidades ligadas a ela para que tenham oportunidade real de atuação em defesa de seus representados.
      Medeiros aproveitou ainda a oportu­nida­de para conclamar os participantes a defenderem a Portaria 186, editada em 10 de abril último pelo governo e que torna mais objetivas as regras para registro de entidades. “Era preciso melhorar, deixan­do claro quais os passos necessários. O objetivo é que sindicatos, federações e confederações sejam representativos, até porque não há democracia sem sindica­lis­mo forte”, afirmou ele. A CNTU, lem­brou Medeiros, é a primeira organi­zação a ser instituída seguindo os novos crité­rios. Ao final de sua fala, os partici­pantes do VIII Cetic aprovaram por aclamação uma mo­ção de apoio à portaria.

Por uma metrópole boa de viver
      Durante o VIII Cetic (Congresso Estadual Tra­balho-Integração-Compromisso) foi lançada a nova publicação do projeto “Cresce Brasil + En­genharia + Desenvolvimento”. Intitulada “De­senvolver a metrópole e garantir qualidade de vida”, a revista traz as conclusões do seminário que discutiu a Região Metropolitana de São Paulo, realizado em 24 de março, com as pro­postas para a reorganização urbana das cidades que a integram. Tem ainda o manifesto “Por uma metrópole desenvolvida e boa de viver”, no qual estão as medidas que os engenheiros consideram urgentes.
      O documento está disponível para download no site da FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), no seguinte endereço: http://fne.org.br/fne/index.php/fne/participe/projetos_e_campanhas/cresce_brasil_rmsp


Rita Casaro

 

 

Adicionar comentário

Receba o SEESP Notícias *

agenda