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Sessenta anos de inovação em tecnologia agrícola

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       No ano em que se comemora o centenário da imigração japonesa, uma indústria de máquinas agrícolas criada por um dos que vieram para tentar a sorte no Brasil celebra 60 anos de atividades: a Máquinas Agrícolas Jacto. Segundo conta seu diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Fernando Gonçalves Neto, o pontapé inicial deu-se com o desenvolvimento da primeira polvilhadeira nacional por seu fundador, Shunji Nishimura, a qual foi patenteada em 1948.
       Dez anos antes, esse imigrante – que havia se estabelecido na Capital paulista em 1932 – mudou-se para a cidade de Pompéia, no Interior. Lá, colocou uma placa na porta de sua casa com os dizeres: “Conserta-se tudo.” No contato com seus clientes, muitos deles agricultores, observou que as máquinas polvilhadeiras existentes exigiam muita manutenção e as peças importadas eram caras. Percebeu ali um nicho e decidiu aproveitar. Na esteira do sucesso que obteve ao lançar o produto pioneiro no Brasil, nasceu a Jacto. Atualmente o grupo conta com outras empresas e também investe em educação – área à qual Nishimura, hoje com 98 anos de idade, passou a se dedicar nos anos 80. A fundação que leva seu nome mantém a Escola Técnica Agrícola de Pompéia, entre outras.

Equipamentos inteligentes
      Na área de tecnologia, a Máquinas Agrícolas Jacto visa, conforme o diretor, a simplicidade e robustez nos equipamentos, de forma a facilitar o manuseio aos usuários. Ele acrescenta: “Cada vez mais buscam-se máquinas inteligentes, de modo a garantir precisão na colheita de determinada cultura e aplicação de defensivos agrícolas ou adubos.” Como enfatiza Gonçalves, alguns equipamentos já contam com piloto automático “para guiá-los no campo, por GPS, em grandes linhas”.
       De acordo com sua afirmação, além disso, a alta dos preços do petróleo – cujo barril já supera os US$ 100 – reflete na elevação dos custos operacionais na agricultura. “Daí temos que trabalhar produtos com menor peso e otimizar a operação para diminuir o custo do combustível.” Os adubos também estão bem mais caros, o que levou a Jacto a vislumbrar “maior eficiência nas tecnologias de mapeamento do solo para aplicar taxa variável na lavoura, ou seja, a quantidade correta no local certo”.
      Na parte de pulverização, o objetivo é diminuir o impacto de produtos químicos ao meio ambiente. “Temos o vortex, sistema dedicado de controle dinâmico, por software, que conta com cortina de ar que faz com que haja maior deposição do produto na planta.” Ao lançar sua linha de colhedoras, a meta é vencer a carência de mão-de-obra alegada pelos produtores. Foi o que levou a Jacto, por exemplo, a apresentar no ano de 2007 – em caráter inédito no Brasil, salienta o diretor – uma específica para laranja.
      Até chegar aí, foram inúmeros lançamentos. Depois da polvilhadeira pioneira – com novidades, como consta no site da empresa, no mecanismo para bombear o pó e na maneira como o aparelho manual era fixado, às costas do operador –, foi a vez do primeiro pulverizador montado em trator, em 1958, destinado a culturas maiores. Na década de 70, a Jacto inovou nos materiais adotados na fabricação desse equipamento, ao colocar no mercado o modelo PJ 600, com tanque de plástico. “Até então, era usada fibra de vidro.” Gonçalves explica que a mudança conferiu maior qualidade ao produto e confiabilidade, além de possibilitar o processo em escala industrial. Já em 1979, o passo foi ainda maior, ao lançar uma novidade mundial: uma colhedora de café automotriz. Dois anos depois, novamente modernizou sua linha de pulverizadores, com o Columbia A-17, puxado por trator, “com barra totalmente hidráulica”. Em 1984, apresentou o Uniport 3000 4x4, “o primeiro pulverizador automotriz do Brasil, com comandos computadorizados”. Nos anos seguintes, incrementou a gama de equipamentos e em 1997 uma nova atualização desse produto, o Uniport 2000, garantiu-lhe a liderança no mercado nacional.
      Como explica o diretor, a Jacto conta com 125 pessoas trabalhando exclusivamente com pesquisa e desenvolvimento, das quais 45 engenheiros. A essas áreas, investe anualmente 3,5% do seu faturamento. Para este ano, o orçamento previsto é de R$ 21 milhões. Entre os projetos, colhedoras de café e azeitona – a essa última já dispõe de lote-piloto em teste na Argentina. Outro mercado provável é o europeu. No total, destina à exportação 40% de sua produção, atendendo 106 países.


Soraya Misleh

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