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OPINIÃO: Mão-de-obra qualificada: a Fênix rediviva

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André Luís Fassa Garcia e Leonides da Silva Justiniano

        A febre dos biocombustíveis transformou uma região conhecida nacionalmente como bacia leiteira e, depois, como encampando a terra do “boi gordo”, em um mar verde. O plantio de cana-de-açúcar transformou todo um panorama físico, com conseqüências no cenário social e econômico. Os efeitos incidem, ainda, sobre o perfil profissional. Se o contingente de migrantes que atua no corte de cana modifica o panorama social (até sob o ponto de vista imobiliário, inflacionado), o trabalho em si, que envolve o ciclo produtivo da cana, também exige alterações.
       O contexto mais amplo, de um mundo globalizado, tem suas implicações, entre as quais o avanço e a penetração da tecnologia em todos os setores da vida. Essa tecnologia, gradativamente, vai impondo uma substituição da mão-de-obra no exercício de muitas funções. Essa substituição resgata o conceito do “fim dos empregos”, de Rifkin, uma vez que a tecnologia vai, sim, fazer com que muitos postos, tais quais os conhecemos, deixem de existir. O uso do facão, no corte de cana, está ameaçado, bem como o recurso às queimadas, que tem um prazo para seu encerramento. Milhares de cortadores de cana ficarão à margem da economia formal, serão lançados ao desemprego ou ao subemprego?

Destruição criativa
       É quando Schumpeter pode vir em auxílio, com seu conceito de “destruição criativa”, segundo o qual a destruição de algo não significa necessariamente seu fim, mas pode ser sua reconstrução, criativamente, sob outros formatos, modalidades e concepções. Reconhecer essa necessidade de adaptação ou de transformação que tornará um objeto ou serviço útil mais produtivo ou acessível exige a entrada em campo do terceiro conceito apontado: os “modelos mentais”, de Wind, Crook e Gunther. Importa que as pessoas mudem a forma como pensam e compreendem a realidade e suas mais variadas facetas; deve-se pensar, antes de tudo, sobre a importância de alguns serviços ou objetos; a partir daí é que se vai refletir sobre como esses podem ser realizados de forma mais eficaz, satisfazendo todos aqueles que deles fizerem uso ou deles dependerem.
       A exigência cada vez maior de produtividade do solo, sobretudo pelo uso da cana-de-açúcar como biocombustível, indiscutivelmente se encaixa nesse quadro, o que coloca a necessidade de se refletir de forma diferente, criativamente, remodelando os empregos tradicionais. Em outras palavras, mostra-se imprescindível a qualificação da mão-de-obra na região.
       A necessidade é a mãe da criatividade, dizem. Pensar em cada cidadão como um empreendedor, dando-lhe preparo para implementar sua criatividade a partir das necessidades com as quais se defronta em seu dia-a-dia, é redesenhar os modelos mentais, é participar de um rico processo de destruição criativa, em que o fim dos empregos, como tradicionalmente estão concebidos, significa a passagem para um novo mundo de empregos mais eficazes e realizadores daqueles que os ocupam.


André Luís Fassa Garcia e Leonides da Silva Justiniano são docentes do Unilins (Centro Universitário de Lins)

 

 

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