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EDITORIAL - Um Sopro de Esperança

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       Em meio a uma crise financeira de proporções ainda não dimensionadas, mas certamente bastante grave, o mundo recebeu o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos, realizada em 4 de novembro, como um novo sopro de esperança. Primeiro presidente negro da história do país, o democrata Barack Obama mobilizou sua própria pátria e o mundo em torno de sua campanha e conquistou uma vitória marcante, arregimentando 364 delegados contra 163 do republicano John McCain.
       O processo, que registrou recorde de participação – 66% dos votantes compareceram às urnas, embora isso não seja obrigatório –, significa para os estadunidenses a esperança de sair tanto da enrascada econômica em que George W. Bush deixa o país quanto da armadilha de duas guerras simultâneas, a do Afeganistão e a do Iraque, sendo que o apoio a essa última despencou juntamente com a credibilidade do atual governo perante a opinião pública. Para alguns, o desafio que espera o novo presidente é semelhante ao de Franklin Roosevelt, que, eleito após o crack de 1929, resgatou os Estados Unidos do buraco, colocando-o numa trilha de prosperidade. 
      Porém, a vitória de Obama não gera expectativas apenas dentro do país, que é a maior economia do planeta e detentor de um poderio militar ainda incomparável. Assim, o rumo a ser seguido pelos Estados Unidos interessa a todos. Após oito anos de Bush, que significaram pouca diplomacia e muita arrogância, desrespeito aos direitos humanos e descaso com o ambiente, o mundo aguarda por mais bom senso e respeito nas relações externas.
       É pouco provável que o novo presidente transforme radicalmente essa dinâmica, até porque republicanos e democratas, historicamente, têm sido convergentes na crença do destino manifesto e que, portanto, os EUA pairam acima dos demais. No entanto, o momento histórico e a disposição de Obama indicam mudanças. É certamente relevante que o filho de um queniano muçulmano, batizado Barack Hussein Obama, tenha sido escolhido líder do país que tem maioria branca e uma herança de conflitos raciais e intolerância – aos 47 anos, ele nasceu num país em que a segregação racial ainda era instituída por lei em diversos estados e, mais recentemente, após os ataques de 11 de setembro de 2001, a xenofobia parecia uma praga nacional.
Uma pista sobre as reais intenções de Obama poderá ser dada pelo cumprimento das promessas de retirar as tropas do Iraque e fechar a prisão de Guantánamo, uma vergonha não só para o país que se pretende a principal democracia do mundo, mas para a humanidade como um todo. O fim do bloqueio comercial a Cuba, que há quase 50 anos sufoca a pequena ilha e sua população, também seria um claro recado de boa vontade.

Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

 

 

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