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AMBIENTE - Transporte sustentável: menos CO2 na atmosfera paulista

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Lucélia Barbosa 


       Para cumprir a meta estabelecida pela Lei nº 13.798/09 que cria a Pemc (Política Estadual de Mudanças Climáticas), determinando que até 2020 haja uma redução de 20% na emissão de CO2 (dióxido de carbono) sobre o ano-base 2005, ações estruturantes precisarão ser implementadas no setor de transportes paulista – hoje responsável por 58% das emissões de CO2 em todo o Estado. Quem afirma é o engenheiro Frederico Bussinger, sócio-diretor da Katalysis Consultoria e consultor do Idelt (Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente), que coordenou no final de 2010 um grupo de trabalho dentro da Pemc para apontar as diretrizes básicas, condições necessárias, estratégias e ações a serem desenvolvidas pela gestão pública. Nesta entrevista ao JE, ele detalha as informações contidas no relatório final que servirá para agilizar a elaboração do Plano Estadual de Transporte Sustentável.


Qual a importância desse diagnóstico?
       É o primeiro relatório específico do setor de transportes paulista que conseguiu montar também um banco de dados com informações que não estavam concentradas em nenhum lugar. Além disso, as diretrizes gerais do trabalho valem como um convite para o segmento se tornar mais sustentável, já que hoje é responsável por 58% das emissões de CO2 em todo o Estado. Traz ainda propostas de ações concretas como subsídio ao governo para análise, implementação e inclusão no orçamento.


É possível estimar a quantidade de CO2 que será produzido se não atingirmos a meta proposta pela Pemc?
       Sim, durante os estudos constatamos que o cenário tendencial prevê para 2020 emissões oriundas do setor de transportes de 76,1 milhões de toneladas (Mt) de CO2. Isso representaria um aumento de 91% em relação aos níveis de 2005, que foram de 39,8Mt CO2. Por outro lado, uma meta de redução de 20% sobre o ano-base limitaria tais emissões a 31,8Mt CO2 em 2020. Portanto, para que seja cumprida, há que se fazer um enorme esforço nos próximos anos no sentido de se efetivar uma profunda mudança na nossa matriz. Isso através do aumento da participação relativa dos modos ferroviário, hidroviário e dutoviário no transporte de cargas.


Quais as vantagens de implementar essas ações?
        Além da redução das emissões de CO2, que é seu objetivo específico para atendimento dos parâmetros legais, possibilita o aumento da fluidez urbana, da segurança na circulação, redução de particulados (que, normalmente, estão associados à emissão do CO2 e que tanto afetam a saúde nos grandes aglomerados urbanos) e benefícios logísticos que também são traduzidos em competitividade para a economia paulista, na medida em que o escoamento de carga se dê de forma mais eficiente.


E quanto ao estímulo à inovação tecnológica?
       No que se refere aos padrões tecnológicos, o relatório recomenda que se deve buscar uma maior eficiência no uso do combustível. Isso envolve tanto novos padrões tecnológicos como de planejamento (a disseminação de plataformas logísticas multimodais) e gerenciais. Quanto à frota, ela precisa ser renovada, porém em padrões diferentes dos atuais. O Brasil é um benchmarking em uso de biocombustíveis, mas pode retomar a eletrificação e avançar em termos de veículos híbridos e no uso de hidrogênio. Padrões de referência precisam ser adotados e metas de eficiência, perseguidas. O Estado possui um mercado robusto e consolidado que justifica a adoção de padrões veiculares avançados, mesmo porque a escala do mercado paulista viabiliza economicamente os investimentos que serão necessários.


Na sua opinião, o que impede a execução de ações sustentáveis no setor de transportes?
       As barreiras podem ser de caráter socioambiental, econômico-financeiro ou institucional. No plano institucional, por falta de conscientização dos gestores públicos e privados, ou de articulação com a sociedade civil, em que muitas decisões deixam de ser tomadas. Em outros casos, simplesmente não há uma priorização das decisões nesse sentido, por conta de aparentes “conflitos” entre o que se entende por proteção do meio ambiente e desenvolvimento econômico. Há também limitações de competência e conflitos de articulação do Estado com a União e municípios. Portanto, é fundamental que sejam superados esses obstáculos para que as ações em prol de um sistema de transporte sustentável se efetivem.




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