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EDITORIAL - Pacto global pelo emprego

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      Realizada num cenário de crise e ameaça ao trabalho, a 98ª Conferência Internacional da OIT (Organização Internacional do Trabalho) lançou uma proposta acertada: um pacto mundial pelo emprego. O documento divulgado no encontro, realizado em Genebra, em junho último, faz uma análise do problema do desemprego, que aumentou significativamente desde o ápice da recessão em novembro do ano passado, e pode ainda se ampliar substancialmente. Na turbulência financeira de 2008, ficaram sem trabalho no mundo 14 milhões de cidadãos e as perspectivas, caso não se faça nada, são de que neste ano somem-se a esse contingente mais 18 a 30 milhões.
       A previsão é de que se diminua a renda per capita e o Banco Mundial estima que, até o final de 2009, 53 milhões de pessoas sejam empurradas à pobreza. Enquanto isso, a força de trabalho continua a se expandir. De acordo com a OIT, a população economicamente ativa, representada por cerca de 3,3 bilhões de cidadãos, está aumentando a cada ano, com a chegada de aproximadamente 45 milhões em busca de emprego. A situação alerta para os milhões de jovens que estão a ponto de abandonar as escolas e ingressar em um mercado deprimido. A falta de trabalho decente para quem apenas inicia sua vida laboral poderá comprometer permanentemente suas perspectivas futuras.
       Até mesmo o Brasil, onde se teve a boa notícia da queda do desemprego, que em junho atingiu o menor nível do ano e chegou a 8,1%, não deixou de ser afetado. O ônus recaiu sobre trabalhadores em diversos setores, em especial ligados à exportação. Não podemos nos esquecer de casos como o da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), que cortou 20% do seu efetivo, o que corresponde a 4.200 empregados, entre os quais cerca de 300 engenheiros.
       Para amenizar os efeitos sobre a mão de obra e preparar a recuperação do cenário, a OIT propõe algumas medidas representativas do pacto global. Entre elas, investimentos produtivos e políticas ativas para a geração de oportunidades, ampliação da proteção social, apoio a grupos e setores vulneráveis, aplicação em qualificação profissional, fortalecimento dos mecanismos de negociação coletiva, apoio em especial às pequenas e médias empresas, investimento em infraestrutura, redução da jornada de trabalho, incentivos e inversões favoráveis às tecnologias que garantem eficiência energética e a criação dos chamados “empregos verdes”, opção viável e eficaz para reativar as economias e gerar rapidamente um grande número de postos.
       Para os engenheiros, tal agenda é mais que bem-vinda. Por isso mesmo, a categoria, por intermédio da FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), já trabalha na atualização do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que será apresentada durante o VII Conse (Congresso Nacional dos Engenheiros), que acontece entre os dias 23 e 26 de setembro, em São Paulo. A proposta agora é manter a assertiva de que é possível continuar a crescer enfrentando a crise.

Eng. Murilo Celso de Campos Pinheiro
Presidente

 

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