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Oportunidades – Competência e profissionalismo não têm gênero

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Ela é a primeira engenheira e a segunda mulher a ser promovida ao Generalato em toda a história das Forças Armadas do País, que remonta a 1824, quando decreto do imperador Dom Pedro I criou a Marinha e o Exército. Após 194 anos, precisamente em 25 de novembro de 2018, Luciana Mascarenhas da Costa Marroni se tornava, aos 54 anos, contra-almirante da Marinha. Formada engenheira eletricista com ênfase em eletrônica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciou carreira militar ao ser aprovada no concurso para o Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha, em 1989.

 

Hoje, como destaca, são 122 mulheres no Corpo de Engenheiros da instituição, de um total de 996 militares. A almirante lembra o início da carreira como um período de adaptação ao ambiente a bordo de navios e estaleiros. Todavia, ela jamais pensou em desistir. “A cada novo desafio me sentia mais motivada”, lembra Marroni, que é casada com um engenheiro da Marinha e tem dois filhos. Conheça mais sua trajetória.

 

Como se sentiu ao ser promovida a oficial-general?

O sentimento é de reconhecimento pela dedicação ao trabalho desenvolvido ao longo desses quase 31 anos. Felizmente, a Marinha, sempre no intuito de se adaptar às mudanças da sociedade, reestruturou os corpos e quadros de oficiais, tornando possível o acesso de militares do gênero feminino ao Generalato. Tendo cumprido os requisitos necessários, tive a felicidade de ser escolhida para a promoção ao posto de contra-almirante. Em 2012, a contra-almirante médica Dalva [Maria Carvalho Mendes] foi a primeira mulher a conquistar o posto.

 

Como percebe a participação da mulher na sociedade?

É nítida a crescente participação das mulheres no mercado de trabalho como um todo. Ainda temos predominância masculina ou feminina em certas carreiras, como no caso do Corpo de Saúde da Marinha, que tem o total de 62% de mulheres, enquanto no Corpo de Engenheiros a predominância é masculina, fenômeno que pode ser observado desde o ingresso na universidade. As mulheres podem ser competentes e eficientes em qualquer lugar.

 

Quais as atividades da engenharia na Marinha?

As atividades desenvolvidas pelos engenheiros são bastante diversas, desde manutenção, pesquisa, desenvolvimento e gerência de projetos, elaboração de especificações técnicas, avaliação operacional, desenvolvimento e suporte de sistemas, entre outras.

 

Foram muitos os desafios?

O desafio foi me adaptar ao ambiente a bordo de navios e de estaleiro, onde, por diversas vezes, as atividades se desenrolavam. Subi em mastros para alcançar antenas, desci ao fundo do dique para acompanhar reparo de domos. Entrei em domos para trocar transdutores e em tanques de água e óleo (vazios!) de submarinos para medir isolamento ou trocar hidrofones. Embarquei em navios para testar equipamentos. Adaptei-me bem e gostei demais dessas atividades. Quando era capitão-tenente, fui selecionada para cursar o mestrado em telecomunicações na Naval Postgraduate School, em Monterey, Califórnia [EUA], o que considero uma das maiores oportunidades que a Marinha me proporcionou.

 

Qual a sua mensagem para as engenheiras?

A carreira é árdua e o caminho é longo, mas é repleta de oportunidades e desafios. Estejam prontas para quando as portas se abrirem e busquem seus objetivos, e jamais deixem de acreditar em si. Nas carreiras dessa área há uma predominância masculina, mas competência, profissionalismo e dedicação não possuem gênero.

 

 

Leia a entrevista completa em http://bit.ly/EngLuciana

 

 

 

Mais mulheres na engenharia

Em todo o País são 960.888 engenheiros registrados no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Desses, cerca de 18% são mulheres (174.236). O índice, mesmo bastante aquém quando se pensa em igualdade de gênero, representa avanço na participação feminina nos últimos anos. A presidente da Delegacia Sindical do SEESP em Sorocaba, Fatima Blockwitz, corrobora: “Embora as mulheres ainda tenham que lutar por espaço e representatividade, tem havido mudança. Há empresas que até preferem contratar engenheiras, por entenderem que são mais focadas.”

 

Primeira mulher a assumir há dois anos a diretoria da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) – a qual hoje conta 127 anos de existência –, Liedi Bernucci ratifica: “As jovens têm mais informação e estão cada vez mais interessadas nos cursos de engenharia, mas o aumento ainda se dá numa proporção muito lenta. Quando ingressei, em 1977, éramos 4%. Passados 43 anos, são 20%.” Na sua ótica, para acelerar esse processo e assegurar equidade de gênero, é preciso intensificar o estímulo às meninas para que venham para a engenharia, desde os ensinos fundamental e médio.

 

 

 

Processos seletivos de estágio e emprego

A plataforma digital de vagas do SEESP tem anúncios de estágio e emprego na área de engenharia com inscrições que terminam ao longo do mês de março. Confira em http://bit.ly/Vagaestagio.

 

 

Por Rosângela Ribeiro Gil

 

 

 

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