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Premiação – Homenagem à competência e inovação no Dia do Engenheiro

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Em solenidade no auditório do SEESP, na Capital, pelo Dia do Engenheiro – 11 de dezembro – foram agraciados com o prêmio Personalidade da Tecnologia 2017 seis nomes de destaque em suas áreas de atuação. Um reconhecimento àqueles que, com ousadia e criatividade, fazem a diferença rumo a um país desenvolvido e justo. A homenagem é feita pelo sindicato tradicionalmente desde 1987. Nesta 31ª edição, foram agraciados Francisco Claudio Pinto Pinho (categoria Cidades inteligentes e conectadas), Eduardo Bacellar Leal Ferreira (Desenvolvimento sustentável), Vanderli Fava de Oliveira (Educação), Himilcon de Castro Carvalho (Telecomunicações e TI), José Manoel Ferreira Gonçalves (Transporte) e Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho (Valorização profissional) – conheça a trajetória dos premiados.

À abertura, o coordenador do Conselho Tecnológico (CT) do SEESP, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) José Roberto Cardoso, destacou: “O prêmio tem uma longa trajetória. Pessoas que o receberam fazem parte da história deste país, assim como os que serão agraciados hoje.” Ele explicou como se dá a escolha dos homenageados pelo CT: “Primeiro selecionamos as áreas que de fato se destacaram no ano. O Conselho Tecnológico recebe indicações e isso é discutido nesse colegiado por algo em torno de seis meses. Ao final de novembro, convergimos os nomes.”

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, que é engenheiro, saudou a cerimônia: “É uma alegria estar aqui no SEESP no nosso dia. É um trabalho importante de criteriosa escolha para indicar pessoas que constituem referências para todos nós. Há algo que une a todos os homenageados. Em primeiro lugar, o compromisso com o desenvolvimento, que tem na engenharia a profissão por excelência. Em segundo, a afirmação de um projeto de país do ponto de vista da tecnologia e da independência. Em terceiro, a ação para fortalecer as empresas nacionais e os profissionais da engenharia. Essas são diretrizes de ação do sindicato, por ele
reafirmadas ano a ano nessas cerimônias.”



Os agraciados

O prefeito de São Gonçalo do Amarante (CE), Pinho Pinto, foi o primeiro homenagea­do da noite, representado na solenidade por Victor Samuel Cavalcante da Ponte, secretário de Desenvolvimento Econômico do município. Em discurso de agradecimento, este salientou a razão do prêmio Personalidade da Tecnologia em Cidades inteligentes e conectadas: está em implantação na localidade a primeira cidade inteligente social do mundo (Smart City). Desenvolvida pela startup italiana Planet Idea, numa parceria com a Prefeitura, trata-se de empreendimento privado com investimento de US$ 5 bilhões. Segundo Cavalcante, o projeto que terá “moradias para 25 mil habitantes” obteve reconhecimento em feira internacional de Milão, no país europeu. “Reúne três elementos: infraestrutura, inclusão social e tecnologia.” Ele afirmou ainda que São Gonçalo do Amarante “se destaca nos cenários regional e nacional por conta da criação do porto de Pecém, que será um dos mais importantes do Brasil e fará toda a diferença quanto à logística”. De acordo com o secretário, a obra de engenharia, com tecnologia inteiramente nacional, integra política estratégica ao desenvolvimento do Nordeste.

O projeto de construção do primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro rendeu ao comandante da Marinha do Brasil, o almirante de esquadra Leal Ferreira, o prêmio Personalidade da Tecnologia em Desenvolvimento sustentável. Na solenidade, representou o agraciado o almirante Antonio Carlos Soares Guerreiro, comandante do 8º Distrito Naval. Conforme ele, o projeto capacita o País no domínio tecnológico do ciclo de combustível nuclear e trará sua independência nesse campo, com avanços de elevada importância ao Brasil. Por intermédio do programa da Marinha, ele frisou que a nação passará a integrar a “seleta lista de países que dominam essa tecnologia e será um grande cluster”.

Fava de Oliveira contou sobre sua trajetória, que levou à homenagem em Educação, e destacou que essa área é a base do desenvolvimento social, impulsionando por exemplo a economia – ao que a engenharia é fator determinante. Ele afirmou a necessidade de o País formar mais e melhores profissionais da categoria. “Passamos de 100 mil somente em 2016, enquanto países como o Japão formam mais engenheiros que advogados. E a evasão aqui, que ocorre nos primeiros períodos, é de 50%. Isso se deve à organização dos cursos e a questões metodológicas.” Na comissão de elaboração de propostas de novas diretrizes curriculares para a engenharia, ele ressaltou que a ideia é apresentá-la no início deste mês para discussão mais ampla. E citou o projeto do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo SEESP, como referência. Ao saudar a presença à mesa da professora Regina Ruschel, coordenadora dos cursos de extensão Fundamentos do BIM (Building Information Modeling) e de pós-graduação em Master BIM Especialista da instituição, ele lembrou que é preciso ampliar a participação das mulheres na engenharia, hoje 23% do total – ante 17% ao final do século XX. “Inovação e empreendedorismo são palavras-chave ao ensino da área hoje”, concluiu.

Em Telecomunicações e TI, o lançamento do satélite geoestacionário brasileiro em maio deste ano obteve o reconhecimento merecido. Assim, foi agraciado Carvalho, diretor de Tecnologia Espacial da empresa Visiona – que participou do projeto ao lado de Telebras, Agência Espacial Brasileira e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Foram três anos de trabalho conjunto com a França, com engenheiros brasileiros indo para lá. Isso resultou em transferência de tecnologia para empresas nacionais. Dada a capacitação recebida, puderam crescer e evoluir para trabalhar com satélites e ser parte da cadeia produtiva de grandes companhias internacionais.” Carvalho observou que Estados Unidos, Rússia e China, os três países com dimensões afins à do Brasil, são potências espaciais, uma área que “é motor à geração de empregos de altíssimo nível”. E a engenharia, como completou, é base a esse desenvolvimento, que “fortalece nossa soberania, traz inclusão social e digital e comunicação segura”.

Reconhecido por sua luta em Transporte, Gonçalves lembrou que o modal ferroviário é o subsetor mais barato, eficiente e que integra o Brasil, mas “tem gargalos importantes”. Ele foi categórico: “Precisamos de um projeto nacional soberano e democrático que trate a questão do transporte tanto de passageiros como de cargas. O caos logístico que vivemos resulta em contas implacáveis.” Gonçalves apontou uma série de problemas em todo o País em função da falta de investimentos em ferrovias. “A Norte-Sul foi inaugurada há 3,5 anos e até agora não passou um único trem. A VLI (Valor da Logística Integrada, empresa que controla essa concessão, assim como a da Ferrovia Centro-Atlântica) interrompeu o serviço entre Sumaré (SP) e Anápolis (GO) por considerar não rentável. E querem renovar as concessões sem licitação. É a sociedade que vai mudar essa história, e a engenharia deve estar presente, falando alto. A logística tem que funcionar de forma racional, integrada e independente.”

Por fim, na categoria Valorização profissional, Alckmin, governador do Estado de São Paulo, foi representado no ensejo pelo seu secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga. Presidente do Conselho Mundial da Água e engenheiro, este afirmou o reconhecimento ao corpo de profissionais de São Paulo na solução de problemas que afetam a população local. Citou particularmente a atuação dos engenheiros da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) – empresas vinculadas a sua pasta – para debelar a crise hídrica. “Que nossa profissão seja sempre valorizada como merece e nós nos façamos sempre dignos dela.”

Ao encerramento, o então presidente em exercício do SEESP, João Carlos Gonçalves Bibbo, cumprimentou todos os engenheiros pela data, assim como os agraciados em 2017. “Nosso Estado e País precisam de exemplos de pessoas como vocês, que lutam e se dedicam para superar desafios, preocupam-se com tantas necessidades de todos nós, têm papel fundamental ao crescimento e desenvolvimento aliados à sustentabilidade com justiça social.” Diante dos desafios impostos, conclamou: “Precisamos nos unir cada vez mais em torno do movimento Engenharia Unida, chamado pela FNE (Federação Nacional dos Engenheiros).” Ele anunciou ainda que diante das eleições gerais em 2018, será publicada neste ano nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, iniciativa da entidade nacional à qual o SEESP é filiado, que conta com sua adesão. “Vamos entregar aos candidatos propostas factíveis a demandas em setores essenciais, como saneamento, transporte, energia. E vamos lutar pela retomada do protagonismo da área tecnológica, olhando para os exemplos do passado e construindo coletivamente um mundo melhor.”



Por Soraya Misleh

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