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Opinião - Um metrô nanico

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Cid Barbosa Lima Junior

De uma coisa muito me orgulho: ter trabalhado no Metrô de São Paulo. Década de 1970, recordes de execução. Hoje, todavia, o Metrô vem sendo alvo das manchetes de jornais, não mais por quebrar recordes de construção, mas por irregularidades. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) vem, recentemente, investigar os contratos da linha 5 – Lilás, que caminha a passos de tartaruga. Foi prometida para ser entregue em 2015, mas não terminará antes de 2019.
Essa linha teve suas obras paralisadas por seis meses, depois de o jornal Folha de S. Paulo mostrar que sabia o resultado da licitação, bem antes da abertura dos envelopes contendo as propostas das empresas participantes.
A linha amarela, por sua vez, é a maior recordista de atraso e de lentidão, além de acidentes graves. Iniciada em 2005, resta por fazer quatro estações e concluir o pátio de manobras. Foi construída com uma PPP, em que o privado se sobrepõe ao público.
Além do TCE, o Ministério Público do Estado (MPE) também investiga os custos do contrato de reformas de trens (85% de um trem novo) e outro contrato com a Alstom, que se arrasta desde 2005 e deveria diminuir o tempo de espera entre os trens, encontra-se cheio de irregularidades. O sistema a ser implantado pela Alstom deveria utilizar novos trens, adaptados. Com o atraso, os trens encontram-se parados.
Esse contrato redundou em multa de 115 milhões à Alstom. Todavia, a empresa foi, recentemente, perdoada pelo governo do Estado, que ainda prorrogou o contrato. Os últimos cinco governos estaduais construíram pouco mais de 24km de linhas, jogando nosso metrô para as últimas colocações no ranking de quilômetros construídos (veja gráfico).
Nesse ranking não aparecem outras cidades, com linhas maiores que o do metrô de São Paulo, como Madri, Buenos Aires e outras.
A grande e batalhadora população de São Paulo não merece esse transporte nanico, mereceria sim mais quilômetros de Metrô, mais estações e, principalmente, mais respeito!

Cid Barbosa Lima Junior é engenheiro e membro do Conselho Editorial do JE.

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